KALEO FRATELLI
— Onde você pensa que vai, chefinho? — Ruby pergunta manhosa assim que saio do banheiro.
Pensei que vir até aqui f***r ela fosse amenizar meu estresse, mas, agora estou pior porque nada me faz parar de pensar na p***a dos meus problemas!
— Para onde você acha? — rosno.
— Pensei que, talvez você quisesse ficar.
— Eu nunca fiz isso. Por quê, diabos achou que dessa vez fosse ser diferente?
— Nos conhecemos há tanto tempo, chefinho.
Respiro fundo pegando minhas armas e as ajeitando no colete. Agora estou começando a me lembrar porque eu não respondo mais às mensagens dela.
— É por conhecer você há muito tempo que, nem chego perto da sua cama.
Sei muito bem que, ela transa com a maioria dos homens que trabalham para mim, além dos caras ricos e poderosos que a encontram aqui na minha boate.
— Só ofereço meus serviços a você chefinho.
— Não é o que estou sabendo — sorrio irônico.
— Ciúmes? — ela sorri aproximando seu corpo ainda nu do meu.
Olho para ela por um longo tempo, um sorriso surge nos seus lábios vermelhos.
— Ruby, não faça perguntas das quais você não vai gostar de saber a resposta.
Seu sorriso se desfaz sendo substituído por uma cara fechada, ela se afasta a passos firmes.
— Nunca mais vou atrás de você e não me procure!
Olho para ela entediado com o seu drama. Nunca precisei ir atrás de mulher nenhuma isso não iria começar a acontecer agora.
Nós dois sabemos que ela vem atrás de mim como nas outras vezes e não estou ligando caso ela desista de mim.
— Adeus Ruby — solto uma risada baixa saindo da sala privativa.
§
Assim que passo pela porta grande da sala, sou bombardeado por uma Belinda extremamente furiosa.
— Como tiveram a coragem de sair sem mim! Ainda por cima mandarem o i****a do seu cão de guarda ficar me vigiando! — ela grita enquanto sacode as mãos no ar.
Ninguém gosta tanto de sair como minha irmã, quando Alan e eu saímos sem ela é a mesma coisa de sempre, ela fica irritada e por muito pouco não nos mata.
— Me impressionou não ter conseguido ir atrás de nós já que, fui informado que você deixou um dos seus seguranças hospitalizado — solto uma risada.
— Aquele i****a mereceu! — grita explodindo ainda mais com minha risada.
— Nós vamos sair os três juntos hoje a noite irmãzinha querida, eu te prometo.
Belinda mantém a postura defensiva e feroz. O rosto ainda vermelho de raiva. Ela se vira indo em direção a mesa, exageradamente posta com as coisas para o café da manhã. Me junto a ela ainda rindo de sua explosão.
— Bom dia — Alan diz passando por nós.
— Parece que, a noite de alguém foi boa — Belinda resmunga.
— Com essa cara? Não mesmo — digo tomando um gole do meu café.
— Muito engraçado! — ele rosna andando em direção as escadas.
— Temos assuntos para resolver Alan! — aviso elevando meu tom de voz para que ele ouça.
— Tudo bem, só vou tomar um banho e te encontro no escritório.
Assim que ele se afasta minha irmã ergue o rosto franzindo a testa, seus olhos castanhos ficam ainda mais escuros.
— Não vou deixar vocês me passarem a perna outra vez — diz fincando o garfo na mesa — Se saírem sem mim outra vez vão se arrepender!
Dito isso, ela se levanta saindo de casa e logo a ouço xingar seus seguranças, dios, Belinda grita demais!
O que merda está acontecendo com ela? Será que, ela está de T.P.M?
§
Depois de alguns minutos Alan entra em meu escritório com seu notebook em mãos, parecendo uma pessoa completamente diferente da que vi a poucos minutos atrás. Ele se aproxima sentando-se na minha frente.
— Por onde começamos?
— Quero um relatório detalhado de todos os nossos investimentos e negócios.
— Ok.
Alan lida muito melhor com toda a burocracia do que eu. Meu jeito de resolver as coisas é diferente. Não tenho paciência e muitas pessoas não gostam de negociar diretamente comigo, por essa razão quem fecha a maioria dos contratos é ele. Depois de ser revisado por mim, obviamente.
— Conseguiu algum progresso com o desgraçado que está aumentando a recompensa pela sua cabeça? — pergunta ainda concentrado no seu notebook.
— Nada ainda.
— Essa situação tem que ser resolvida logo, Fratello.
— Eu sei, não se preocupe com isso.
Meu irmão, ergue seus olhos escuros em minha direção. Nitidamente preocupado, apenas balanço minha cabeça para que continue com o seu trabalho, Alan respira fundo e volta sua atenção para o seu notebook.
§
Quando, enfim finalizamos já está de noite, me levanto da minha cadeira esticando meu corpo, sentindo a tenção em vários lugares. Preciso mesmo descansar. Alguém bate na porta e logo entra, vejo minha irmã mais nova, sorrindo.
— Em quanto tempo vocês ficam prontos?
— Nós estamos esgotados, Belinda — Alan reclama.
— Ok — suspira dando de ombros — Vou sozinha então.
— Não! — Alan e eu dissemos em uníssono.
Nós dois sabemos muito bem o que aconteceu quando ela teve a infeliz ideia de sair sozinha. Belinda perde o controle quando bebe e digamos que, é uma experiência traumatizante encontrar sua irmã caçula, em um quarto no meio de um ménage, com seus próprios seguranças.
Matar os dois homens foi rápido, contratar outros bons iguais a eles foi uma merda. Alan e Draco ficaram semanas procurando, meu irmão só sabia reclamar e culpar, Belinda o tempo inteiro. Foram semanas infernais.
Ela por outro lado não demonstrou estar envergonhada com o que fez tampouco, arrependimento, tirando a lamentação por ter perdido os soldados nas palavras dela "bons de cama". Meu estômago revira e o almoço sobe pela minha garganta ameaçando sair.
— Estou esperando por vocês rapazes — anuncia com um sorriso enorme, fechando a porta em seguida.
— É claro que ela iria conseguir!
— Prometi que sairíamos juntos hoje, Alan.
— Mas, eu tenho que dormir!
— Durma quando chegar, agora vamos, antes que ela vá sozinha naquela boate — me aproximo dele — Não estou afim de matar mais dois bons seguranças e você com certeza, não está com paciência para contratar mais ninguém por causa dela.
— Cazzo, Belinda!