KALEO FRATELLI
Quando Marcos se aproxima, me levanto, o impedindo de chegar perto de Laura. Sei o quanto o desgraçado é um pervertido. Sempre foi difícil encará-lo devido a semelhança com o bastardo que deveria ser meu pai.
— Olá, sobrinho.
— Marcos. — cumprimento tentando manter minha voz calma.
— Cheguei em má hora?
— Claro que não pai, estávamos bebendo, quer um copo? — é Amanda quem responde.
— Sim, querida. — ele diz se sentando na poltrona de frente para o sofá.
Laura me olha assim que volto ao meu lugar, me permito esse contato visual por alguns instantes. Sua mão desliza para a minha entrelaçando seus dedos nos meus, esse gesto simples, de alguma forma, me acalma.
— Então essa é a sua noiva? — pergunta.
— Sim — o encaro — Laura, esse é Marco Fratelli.
— Você é, muito bonita Laura. — o sorriso que oferece a ela, faz meu sangue esquentar muito depressa.
Sinto seus dedos se tensionando nos meus, Laura compartilha do mesmo sentimento que eu em relação a Marcos, e a loira acabou de conhecê-lo .
— Obrigada. — percebo o esforço que faz para soltar a simples palavra.
— Há quanto tempo se conhecem? — investiga.
— Não muito...
— E já vão se casar? — nos encara desconfiado.
— Qual o problema? — a impaciência está nítida na pergunta da loira.
— Não acham um pouco precipitado?
— Algumas pessoas acertam de primeira, tio. — solto tendo consciência de que ele está no terceiro casamento.
Amanda se engasga com sua bebida, explodindo em uma risada. O sorriso presunçoso de Marcos se desfaz, sendo substituído por uma carranca. Sua filha ainda está se recuperando de sua risada, quando entrega um copo com whisky para ele, o mesmo acaba com a bebida com apenas um gole.
— Então, onde vai ser a cerimônia?
— No salão da família. — respondo.
— Não vão casar na igreja? — Amanda pergunta soltando uma respiração a medida que abana o rosto.
— Já ficou claro que não.— Marco diz grosseiro.
— Laura e eu não somos religiosos. — dou de ombros.
— Seu pai também não era e ainda assim...
— Não sou ele — o corto praticamente rosnando a frase — E graças a mim, ele não está presente para dar palpite no meu casamento.
Quem esse desgraçado pensa que é para mencionar aquele filho da p**a ou sequer insinuar que eu deveria ser como ele?
— Merda, Kaleo. — Amanda respira fundo colocando a mão no rosto.
Ela sabe muito bem o que acontece quando os Fratelli começam a brigar.
— Como ousa?— me olha incrédulo.
— Não me diga que ainda está remoendo isso? — solto uma risada baixa e curta.
— Se orgulha do que fez? — seu rosto está tomada pela raiva.
— O desgraçado teve o que mereceu, todos sabem disso. — termino minha bebida —E já passou da hora de você, aceitar.
Me ponho de pé, Laura se levanta também, logo em seguida dou as costas a ele, farto de toda essa merda de conversa.
— Seu, bastardo! — brada me xingando.
Quando o som de uma arma sendo destrava invade meus ouvidos, tenho que me controlar para não matá-lo agora mesmo. Solto minha respiração, me virando lentamente encarando a arma dele que agora está apontada para a minha testa.
— Me dê um ótimo motivo para não matar você agora mesmo! — grita balançando a arma.
Fecho minhas mãos em punhos.
— Posso te fazer essa mesma pergunta.— a frase sai de uma voz suave e doce. Contudo, de uma forma, totalmente ameaçadora.
A mulher loira, acompanhada de um belo par de olhos azuis surge ao lado de Marcos, apontando uma arma para a cabeça dele. Não tenho ideia de como ela se moveu tão rápido mas, isso me faz sorrir satisfeito.
— Tem alguma ideia de quem eu sou!? — o inútil vocifera.
— Oh, minha nossa, por favor me diga. — ela pede calmamente como se realmente estivesse interessada em saber.
— Sou um legítimo Fratelli! — a encara — Está no meu território, acha que pode apontar uma arma para a minha cabeça e ficar viva?
Travo meu maxilar por ele estar ameaçando Laura, se ele acredita que é tão ameaçador com certeza não deve ter ciência alguma do que sou capaz.
— Obrigada por se apresentar Sr. Fratelli. — diz com seu tom de voz doce — Agora olhe para mim e veja se eu me importo com essa merda.
— Era só pra ser uma dose de uísque gente. — Amanda comenta, nem um pouco afetada pela situação.
— Sugiro que mande sua mulherzinha abaixar a arma dela!
— Estou bem aqui. — ela pressiona o cano da arma na têmpora dele. Sorri. Dizendo cada frase docemente. — Se quiser que eu abaixe a minha arma, faça isso antes com a sua.
Sorrio, encontrando os olhos de Marcos cheios de fúria e determinação. Ele realmente quer me matar. Mas, Laura, a p***a da minha futura esposa o impediu e tenho certeza de que isso só o enfureceu ainda mais. Em outras circunstâncias eu estaria puto por outra pessoa estar tomando meu partido, entretanto ver a loira em ação me hipnotiza. Sinto minha obsessão crescer de forma significativa, se é que pode ser possível. A forma como ela lida com a situação, calma, doce e extremamente letal...Laura é de tirar o fôlego até mesmo quando está a ponto de matar alguém.
— É como minha noiva disse, Marcos. — mordo meu lábio apontando com o queixo na direção dela — Se quiser que ela abaixe a arma, sugiro que faça o mesmo com a sua.
— Já basta! — a voz da minha avó reverbera, pela sala ampla.
Todos nós voltamos nossa atenção para ela, sua expressão entrega que escutou toda a nossa discussão. Não queria que presenciasse isso, apesar de nunca ter dito qualquer coisa sobre o que fiz, sei de alguma forma que lá no fundo ela se sente triste e odeio causar qualquer dor nela.
— Basta, Marcos. — balança a cabeça — Abaixe essa arma.
— Ele tem que pagar pelo o que fez ao meu irmão! — grita.
— Diminua esse tom! — da um passo na direção dele — Você está na minha casa, a única pessoa que tem autorização para gritar aqui dentro sou eu!
— Ele tem que pagar! — insiste me olhando com ódio.
— Está mesmo me desobedecendo?
Suas palavras o fazem estremecer, ele faz uma careta e abaixa a arma, Laura faz o mesmo. Trocamos olhares. A matriarca aprendeu com o melhor, dobrou meu avô o homem que estava no comando antes do meu doador de esperma. E quando meu avô morreu, ela teve que se tornar firme para lidar com quatro filhos e um legado.
— Vão descansar, todos vocês. — ela diz me olhando por um longo momento — Amanhã conversamos, o jantar será servido em seus quartos.
Todos se afastam, faço menção de me aproximar dela mas, apenas uma troca de olhares diz que, esse não é o momento para conversas. Sendo assim, conduzo Laura até o nosso quarto.