Segura

1720 Words
LAURA EGOROVA Me levanto cambaleando, seguindo em direção ao banheiro, entrando debaixo da água fria de roupa e tudo. Minha cabeça parece que vai explodir! Um barulho insistente me faz sair debaixo da água, furiosa vou em direção ao meu celular que não parou de tocar desde que saí da cama. O nome de Amália brilha na tela, fecho meus olhos rapidamente respirando fundo, havia ligações perdidas e várias mensagens. Amália: Por que você não me atende e nem responde as minhas ligações? Amália: ?? Amália: ACHO QUE TEM ALGUÉM ME SEGUINDO! Amália: LAURA! ME AJUDA! Meu coração dispara assim que leio suas mensagens, rapidamente, deslizo meu dedo pela tela até encontrar seu nome, ligo, mas, ela não me atende. - Droga Amália! Atende! Retiro minha roupa molhada e coloco uma seca, mantenho meu celular no viva-voz enquanto ainda tento entrar em contato com ela. Mas, que diabos aconteceu? Ela estava me ligando faz dez minutos! Arrumo uma mala com minhas coisas, pego minha arma e as chaves do carro, saindo de casa o mais rápido possível. Odeio a sensação de impotência que, está me invadindo. Odeio mais ainda como essa situação me faz lembrar do passado... "Laura corra! Pegue seu irmão e corra! Não fique parada aí! Pegue seu irmão e corra!" Fecho meus olhos e respiro fundo, ela está bem Laura, tem que estar! § Algumas horas depois estou de frente a universidade que minha irmã estuda. Desço do meu carro e sigo a passos firmes até o seu dormitório. Eu sei exatamente onde ela está mesmo sem nunca ter vindo até aqui. Pesquisei muito sobre essa universidade e sobre Amália. Descobri que, ela é uma garota solitária e foi por essa razão que providenciei um dormitório só para ela. Sei os horários de suas aulas, suas notas e até mesmo as raras vezes em que, ela sai com seus poucos amigos. Passo pelos alunos que me encaram, chego ao seu quarto e com minha mão trêmula bato na porta com força. Ninguém atende, eu nem sequer escuto a voz dela ou de qualquer outra pessoa, bato novamente com mais força e então a porta se abre revelando um cara que aparenta ter um pouco mais do que a idade de Amália. - Quem é você? - pergunta com a testa franzida. - Não é da sua conta - balanço a cabeça - Onde está a dona desse dormitório? - Se está a procura dela, entre na fila - sua voz é pura irritação. - E quem é você? Ele sorri cruzando seus braços, se recusando a falar qualquer coisa sobre si mesmo. - Se não tem nada de importante para fazer aqui, quero que vá embora do dormitório da minha irmã - digo imitando sua postura. - Eu não vou embora até aquela maluca aparecer, entendeu? No momento que a ofensa sai da boca dele, sinto raiva e uma vontade de socar a cara bonitinha desse bosta. Fecho a cara imediatamente, dou um passo para atrás e acerto um chute no peito dele que cambaleia para dentro do quarto. Avanço em sua direção, enquanto o mesmo tenta se levantar. Ele retira uma pequena faca de sua cintura e aponta minha direção. - Não sabe com quem você está lidando, princesa. Solto uma risada baixa, levo minha mão até a parte de trás da minha cintura, adentrando o tecido da camisa branca e retirando de lá minha arma. A apontando para a sua cabeça. Não me importo de me expor nesse momento e também não me importo de algum aluno entrar aqui por engano e me ver com uma arma em mãos, provavelmente ameaçando atirar em um dos universitários. Seus olhos escuros se arregalam e ele ergue suas mãos. - Acho que, quem não sabe é você, princesa...- devolvo o apelido ridículo. - Quem é você? - pergunta com a voz engasgada. - Não é da sua conta - sorrio - Agora, cadê a minha irmã, p***a? - Eu não sei, cazzo! - grita irritado - Ela me pediu para vir até o dormitório dela ontem a noite, mas, como pode perceber, ela não apareceu. - Se estiver mentindo... - Eu não estou! E ele realmente não está, o que não me ajuda nem um pouco, pois se ele que a viu não sabe, voltei a estaca zero. Abaixo minha arma colocando ela no lugar de onde tirei, vou em direção a sua cama e observo suas coisas. Todas as suas coisas estão ridiculamente arrumadas e organizadas. - Onde vocês estavam ontem a noite? - pergunto sem olhar para ele. - Em uma boate não muito longe daqui. - Você é namorado dela? - Não, eu nem conheço ela, mas, pensei que pudesse me dar bem. Sua irmã é uma gata. - Chamou ela de v***a não faz nem cinco minutos. - Eu sei, mas, foi só porque eu estava irritado com ela por ter me feito vir até aqui à toa. - ele da de ombros - Agora estou preocupado. - Qual é o seu nome? - pergunto enquanto abro umas gavetas de roupa. - Alan. - Me chamo, Laura. - É um prazer Laura, apesar de você quase ter atirado na minha cabeça. Alan estende sua mão para me cumprimentar, mas, as enfio dentro da minha jaqueta, ele ri balançando sua cabeça. A porta do quarto se abre e Amália entra com seus saltos na mão. Ela me olha assustada e depois seu olhar cai em Alan e suas bochechas ficam completamente vermelhas. - O que está fazendo aqui? - Você me disse para vir até aqui na mensagem que me enviou ontem a noite. Depois que dei meu número para você. Ela morde seus lábios com força. - Me desculpe, Alan. - diz sem jeito - Foi um trote. Meus amigos devem ter pegado meu celular e te mandado aquela mensagem. Alan fecha seus olhos por um momento e sai do quarto batendo a porta com força. - Então não tem ninguém te perseguindo? - pergunto cruzando meus braços. - O quê! Pego meu celular e mostro às diversas ligações perdidas e as mensagens desesperadas dela, mensagens há poucas horas. - Merda! - exclama. - Sabe o quão preocupada fiquei Amália? - a repreendo - Eu te liguei milhares de vezes e você não me atendeu, p***a! - me aproximo - Achei que tivesse acontecido alguma coisa grave! - Me desculpe, não vai mais acontecer, eu vou falar com meus amigos - seu pedido de desculpas sai indiferente. - Amigos? - solto uma risada sarcástica - Que tipo de amigos são esses? - São meus novos amigos! - ela suspira alto. - Quero você longe deles - ordeno em um tom de voz firme. - Você não manda em mim! - bate o pé como uma criança mimada. - O que há de errado? - me aproximo - Você não é assim Amália. - Como você poderia saber, Laura? - esbraveja levantando seus braços no ar - Nós só nos vimos três vezes em dois anos! Você não me conhece o bastante para dizer e saber como eu sou! Ela tem razão em dizer que não a conheço, mas, ela também está errada porque sei o suficiente para entender que, Amália não é assim. - O que está acontecendo? - pergunto me cansando dessa situação. - Não está acontecendo nada! - ela se senta em frente a sua penteadeira e começa a remover sua maquiagem. - Não vamos sair desse quarto até que me diga a verdade - me sento em sua cama encarando ela. - Eu tenho aula daqui a algumas horas, preciso descansar - franze a testa - Não pode simplesmente me prender aqui. - Melhor começar a falar então - cruzo minhas pernas. - Acha que pode chegar aqui e bancar a irmã mais velha, Laura? - Me diz você - sorrio de lado inclinando minha cabeça. Seus lábios se comprimem em uma linha fina e ela esfrega suas mãos e em seguida torce os dedos uns nos outros, demostrando seu nervosismo. - Droga! - suspira derrotada. - Foi o que pensei. Amália se aproxima sentando-se ao meu lado na cama. - Ultimamente eu, tenho pensando nas coisas que nosso pai fazia, na vida que ele tinha. - ela respira fundo, suas próximas palavras saem como um sussurro - Parece loucura, ele era envolvido com a máfia russa! Tá aí uma coisa que eu tento não pensar diariamente porque, as coisas que esse simples pensamento desencadeia é obscuro pra c*****o. - Por que agora? - Não é só agora, sempre penso sobre isso - morde o lábio inferior - Mas, ultimamente, ficou insuportável. - me olha - Ele m*l esteve presente na minha vida. Minha mãe nunca quis dizer muito, só que ele vivia em um mundo perigoso. - O que ele fazia não nos diz respeito. - digo a meia verdade, pois as coisas que ele fez me dizem respeito e me afetam até hoje. - Mas... - Ele esteve presente na minha vida. - cruzo meus braços tentando me proteger de tudo aquilo - Com isso vi e aprendi coisas que, uma criança da minha idade não deveria nem chegar perto. Os olhos da minha irmã se enchem de lágrimas. - Não me entenda m*l, eu amava nosso pai, mas, você teve sorte de não conviver com as merdas do trabalho dele - olho ao redor do seu quarto - Tem uma vida toda pela frente. Estarei aqui para garantir isso. Deixe que apenas eu siga por esse caminho errado. Viva sua vida, uma de nós precisa fazer isso. No que depender de mim, as merdas da máfia nunca vão interferir no seu futuro. - Como você consegue? - me olha incrédula. - Eu não consigo, apenas tento, todos os dias - dou de ombros - Nem sempre dá certo, mas, não me faz desistir. - Então é isso? - murmura baixo - Apenas tentar? - Você é uma garota inteligente demais, não pode deixar o que aconteceu no passado te afetar - balanço minha cabeça. Ela sorri me olhando. - Pode ficar aqui esse fim de semana? - Depois falamos sobre isso. Agora vá tomar um banho, você está fedendo a vodka. - Droga! Amália se levanta depressa correndo em direção ao seu banheiro.
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