Famiglia

1380 Words
KALEO FRATELLI Acreditei que passar a noite fora da mansão — mais especificamente longe de uma certa mulher loira — faria minha maldita frustração desaparecer. Nunca estive tão enganado. Nem mesmo f***r uma das prostitutas da boate ajudou. E, para completar, não consigo dormir direito. Desço da picape enquanto verifico algumas informações sobre a última reunião que Alan fechou — mais um excelente negócio — Então um som atinge meus ouvidos. Franzo a testa e tiro a atenção do celular. Isso é…? Não. Definitivamente não! As notas daquele maldito piano me alcançam e ficam mais altas conforme atravesso a porta principal, ecoando pela mansão Fratelli. Mesmo sem reconhecer a melodia, odeio aquilo instantaneamente. Subo as escadas rápido, indo em direção do som. Só não destruí aquele piano por causa de Belinda. Ela se apega às lembranças que ele traz. Se soubesse da verdade… já teria posto fogo nele há muito tempo. A porta da biblioteca está aberta, como imaginei. Entro e travo no lugar. Laura está sentada ao piano. Dominando o instrumento com uma facilidade suave, quase íntima. Por um milésimo de segundo…as lembranças desaparecem. Só existe ela. Ali. Entregue a algo que parece trazer paz. Algo que para mim só traz repulsa desde os dezesseis anos. Ela está tão concentrada que não percebe minha presença. Quando a última nota morre no ar, a realidade volta. E a raiva vem com ela, mais mortal do que antes. — O que está acontecendo aqui?! Ela se assusta e se vira ofegante. — Quem te deixou entrar nessa biblioteca? — Não achei que precisava de permissão. — ela franze a testa, ficando de pé. — Então achou que podia mexer em coisas que não te dizem respeito? — Qual é o seu problema? — cruza os braços, irritada. — Você não vai querer saber, Laura. — alterno o olhar entre ela e o piano. — Fique longe desse lugar. Não vou repetir. Saio e quase trombo com Belinda. Os olhos dela se arregalam. — Bom dia, fratello… — ri nervosa. — No meu escritório. Agora. — Merda… — sussurra. Ela me segue. Assim que entra, fecho a porta. Cruzo os braços. Esperando que diga algo. — Eu achei que você fosse demorar mais para chegar — murmura. — Você sabe que eu proibi o uso daquele piano. — Todo mundo sabe. — ela respira fundo. — Mas ele era da nossa mãe. Eu sinto falta de ouvir e Laura viu eu... — Só sente falta porque não lembra das coisas como eu lembro. — Então me conta, fratello. — se aproxima. — Me conta a verdade. Ignoro o tom suplicante e me sento. — Já conversamos sobre isso. — Eu já provei que sou forte. — bate o pé. — Me conta. — Algumas verdades não podem ser ditas. — minha voz sai firme. — Lembra do que fez quando eu disse que, ia destruir aquele piano? Ela desvia o olhar. — Responde, Belinda.— pressiono. — Não faz isso… — Implorou para ficar com aquilo, mesmo após eu expressar meu total desprezo por ele. Você me implorou. — a relembro — Tentei te explicar os meus motivos e apenas me disse que nada importava, pois ele pertencia a nossa madre e que, você precisava tê-lo. Os lábios dela tremem, uma lágrima desliza pela sua bochecha, Belinda a seca rapidamente. — Eu sei… — Então, não insista. Ela assente, vira e sai batendo a porta. --- Dois dias depois estamos indo para minha cidade natal. Desde que flagrei Laura no piano, ela me evita. E, honestamente, não fiz esforço nenhum pra mudar isso. Olho para ela agora. A luz fraca atravessa o vidro escuro do carro e ilumina os traços do rosto dela. Mesmo de óculos escuros, consigo ver o azul dos olhos, claros demais. Laura é linda, inegavelmente linda. Desvio o olhar quando o carro para ao lado do meu jatinho.O segurança abre a porta para ela. Ela sai, faço o mesmo e instintivamente a observo até que entre na aeronave. Só então me viro para Draco. — Algum progresso sobre a assassina? — Nada concreto. Ela é difícil de rastrear. — Eu avisei. — aperto o ombro dele. — Todos os meus recursos estão à sua disposição. Você é família. — Obrigado, Sr. Fratelli.— acena— Acha que encontra algo em Roma? — Depois do casamento, sim. Ele assente. — Tem certeza de que não precisa de mim lá? — Absoluta. Quero você protegendo meus irmãos. — Sua irmã anda mais irritada que o normal. — Você a conhece desde pequena, Belinda de nós três é a mais cabeça dura.— passo a mão pelo cabelo — Converse com ela. — Pode deixar, chefe. — Nos vemos em duas semanas. Sigo para o jatinho. --- Já é noite quando pousamos. Roma brilha lá fora. Mesmo com boas lembranças, algo dentro de mim se revira. No carro, qualquer pergunta que me fazem recebe respostas curtas. Impacientes, e, aparentemente sou o único incomodado. Laura não está ligando. O carro para, a mansão da minha família se ergue diante de nós — maior até que a minha. Saio antes que abram a porta. Dou a volta e abro para ela. Laura sai sem me olhar. Antes que dê dois passos, seguro sua cintura. Os olhos dela encontram os meus. Discutimos em silêncio, ela bufa, mas acaba cedendo ao meu toque. Há mais seguranças aqui do que na minha propriedade. Fiz questão de reforçar a segurança da matriarca dos Fratelli — mesmo ela odiando. Assim que entramos na sala principal, vejo minha prima, Amanda. — Oi! Amanda surge sorrindo e me abraça pelo pescoço. Laura se afasta imediatamente. — Essa é minha noiva Laura. — apresento me afastando. — Meu Deus, você é linda! Amanda se aproxima rapidamente abraçando Laura que, ergue suas mãos com o gesto repentino. Eu puxo Amanda, a tirando de perto de Laura. — Já deu.— trago minha mulher para perto outra vez — Onde está a, nonna? — Ocupada. — Com o quê? — Como se ela me contasse… Ela tem razão e se minha avó não contou, é sério. Dificilmente ela envolve Amanda e Marcos nos negócios da família. — Querem beber algo? — Uísque. Sem gelo. — respondi me sentando. — Laura? — O mesmo. Ela senta longe de mim. Quando Amanda se afasta, me inclino. — Eles precisam acreditar que somos um casal de verdade, cara mia. — Casais de verdade brigam, querido. — ela sorri falso. — Diz pra sua família que você foi um babaca. Eles vão acreditar. Respiro fundo e decido por um fim nisso, me aproximo, sentando perto dela. Perto demais. — O piano era da minha mãe. — passo a mão no rosto. — Algo muito fodido aconteceu, naquela biblioteca, naquele piano. A loira franze a testa. — Então por que mantém? — Belinda não me deixou destruir. Ela fica em silêncio. — Me desculpa pelo jeito que falei com você. Não foi certo.— respiro fundo — Quando te vi ali, as lembranças v Ela abre a boca— — Aqui está! Amanda volta com as bebidas. — Me conta, como estão as coisas? — Nada de interessante. — Como não? — ri gesticulando na nossa direção — Você vai se casar! — Desde quando casamento é interessante na nossa família? — ergo as sobrancelhas. — A partir do momento que, você decretou que jamais se casaria.— faz careta como se fosse óbvio — Como vocês se conheceram? — Salvei a vida dele. — Laura responde encarando Amanda — Um i****a achou que seria fácil matar seu primo, mas impedi. — Dio santo! — Ele teve sorte.— a loira da de ombros. — Muita sorte, bella mia.— ergo sua mão depositando um beijo em seu pulso. Noto suas bochechas ficarem rosadas. Queria que Amanda não estivesse presente, pois nesse momento quero muito beijar essa loira. Escutamos a porta de entrada se abrir, uma voz alta reclamar. Voz essa que reconheci de imediato. — Ele chegou! Meu corpo se retrai, tensão me domina. Travo meu maxilar. — Quem? — Laura pergunta. Mas antes que eu possa responder vejo o homem, quase idêntico ao que um dia chamei de pai.
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