Parceiros

2126 Words
LAURA EGOROVA Passo meus dedos pelo tecido branco liso, do vestido de noiva. Ele é elegante, possui detalhes simples. O tecido cai suavemente, destacando minha silhueta. Não há decote na frente, as mangas são longas. Mas, como se para compensar tanto decoro, as costas são nuas o decote revelando quase o que não deve. Alguém o deixou aqui com um bilhete que dizia ser para a cerimônia de casamento. Respiro fundo a medida que observo meu reflexo através do espelho de corpo, ainda não consigo acreditar que vou realmente fazer isso. Noto as profundas olheiras abaixo dos meus olhos, fruto de muitas noites m*l dormidas. Vou precisar de todas as minhas habilidades com maquiagem para esconder isso. Fiquei surpresa quando não encontrei, meu futuro marido no mesmo quarto que eu estava. Não o vi desde o ocorrido com seu tio. Horas atrás. Não que a companhia dele fosse ajudar em alguma coisa. Estranhei foi o fato de ele ceder tão facilmente, já que aquele homem adora me provocar. Nada me faz dormir além das porcarias das medicações prescritas por livre e espontânea pressão por um médico. O problema é que, fico lenta demais quando os tomo e para alguém como eu, essa combinação não é nada vantajosa. Jamais vou me permitir ficar vulnerável assim. — Ficou lindo em você. — ouço alguém elogiar. Viro meu rosto e encontro a Matriarca da família, Antônia Fratelli parada com as mãos cruzadas a frente do corpo. Ela está muito bem vestida como da primeira vez que a vi. Apesar da idade ela esta muito bem, é vaidosa e muito elegante. Seu olhar transmite seriedade e me sinto estranhamente nervosa. — Obrigada. — agradeço balançando a cabeça. — Laura, não é? — pergunta se aproximando. — Sim. Antônia passa por mim e se senta no confortável sofá que fica do lado oposto da cama. Ela cruza suas pernas me observando com mais atenção com seus olhos castanhos. — Sabe, tenho que ser sincera, pensei que não fosse gostar nem um pouco de você. — confessa — Acreditei que você fosse apenas, mais uma dessas mulheres vulgares e sem cérebro. Que meus netos insistem em se envolver. Pisco meus olhos alguma vezes com tamanha sinceridade. — Mas... — ela sorri acenando com seu dedo indicador na minha direção — Depois do que eu vi você fazer, soube que é a mulher certa para o meu neto. — Eu ameacei seu filho, dentro da sua casa. — estreito meus olhos, desconfiada. — Sente-se aqui. — pede dando tapinhas no espaço vazio ao seu lado. Faço o que ela me pede. Antônia suspira olhando para as suas mãos. — Muitos dizem que eu deveria ter punido Kaleo, pelo o que fez com o próprio pai. — ela ergue seus olhos para mim e posso ver a tristeza neles. — E por quê não o fez? — pergunto curiosa. Antônia sorri triste. — Ele agiu por instinto. — respira fundo — Para proteger os irmãos de algo muito r**m que, com toda certeza aconteceria ou que já havia acontecido. Me recordo do dia em que ele gritou comigo por estar tocando aquele piano. Não sei qual era o nível da monstruosidade que o pai de Kaleo fazia, mas, foi terrível o bastante para deixar marcas permanentes nele. — Quando a vi eu entendi que estava disposta a matar Marcos, para proteger Kaleo. — balança a cabeça — Não vi medo ou arrependimento. Abro e fecho minha boca mas nada sai, não ousaria mentir para ela, nem se eu quisesse. — Marcos queria matar ele, eu vi e não podia deixar acontecer. — forço um sorriso. É o que consigo dizer, não é nenhuma mentira. Entretanto minhas motivações são o oposto ao que ela acredita que tenha sido. Ela sorri segurando minha mão. — Você e Kaleo tem isso em comum. Duas pessoas que fariam qualquer coisa, para salvar quem amam. — se põe de pé — Só não use mais armas na minha casa, querida. — Tudo bem. — garanto — Aliás, me desculpe por isso. A porta do quarto se abre, Kaleo entra e para quando vê sua avó e eu. — Está tudo bem? — pergunta preocupado. — Sim, querido — ela diz se aproximando dele — O casamento será daqui a pouco, vá se arrumar. — Podemos conversar, nonna? — Seja lá o que queira conversar pode esperar. — acaricia seu rosto — Você está prestes a se casar. Kaleo abaixa a cabeça para que ela beije sua testa, quando Antônia sai do quarto ele se vira para mim. — Está, realmente, tudo bem? — Sim. — me levanto ajeitando o vestido — Sua irmã tem bom gosto. O vestido é muito lindo. — É, ela tem — diz com um sorriso malicioso nos lábios. O homem todo tatuado se aproxima me observando da cabeça aos pés. — Apesar disso, não foi ela quem escolheu esse vestido. — Não? — franzo minha testa confusa. — Não, cara mia. — estala a língua deslizando seu dedo indicador pelo meu ombro — Fui eu. — sorri — E estou satisfeito que tenha gostado. Se afasta. — Agora, se me der licença, preciso me arrumar. E então ele simplesmente passa por mim, caminhando em direção ao banheiro. § A cerimônia foi rápida e com apenas uma testemunha, a avó de Kaleo. Não nos beijamos nem fizemos votos, eu não conseguiria inventar coisas românticas sobre nosso "relacionamento". Sendo assim apenas dissemos e fizemos tudo conforme o protocolo exigia. Mas, a festa, essa sim está sendo longa, até demais. O salão dos Fratelli está lotado de pessoas que eu tenho que cumprimentar como se eu estivesse interessada, nas parabenizações oferecida por cada um deles. Estou sentada ao lado de Antônia, na mesa destinada aos noivos e familiares. Kaleo está de pé, em uma distância considerável o observo conversar com Amanda, muito intimamente e mesmo não querendo admitir isso me incomoda. — Parece, cansada. — observa a avó de Kaleo. — Não gosto de festas, nem de pessoas que sorriem o tempo inteiro. — explico em um tom ríspido. — Quanto m*l humor. — caçoa nem um pouco abalada com minha grosseria — Está tudo bem com vocês? — pergunta baixo e eu a olho — A cerimônia foi tão...— faz careta — Fria. — Tivemos uma, pequena discussão pouco antes da cerimônia. — minto e logo me forço a sorrir — Seu neto me enlouquece, as vezes. — Eu compreendo, o avô dele tinha um temperamento difícil de lidar. — suspira — Isso não anula a falta que, sinto daquele velho rabugento. — Nonna. — um dos primos de Kaleo cumprimenta. — Juan, meu querido. — sorri. — É muito bom revê- la. — diz segurando sua mão para depositar um beijo. — Meus parabéns pelo casamento, seja bem-vinda a família Fratelli, Laura. — acena com a cabeça. — Obrigada. — Gostaria de dançar? Nego com a cabeça. — É só uma dança. — estende sua mão. — Estou cansada. — uso de todo o meu controle para não xingar o i****a metido a galã — Quem sabe em outra oportunidade. Tento ser o mais simpática possível e com toda certeza eu falho, só que incrivelmente isso não o faz desistir. O homem está pronto para uma nova tentativa, quando uma mão tatuada pousa em seu ombro. — A primeira dança da, minha mulher será comigo, primo. — Kaleo diz parando ao lado dele — Sinto muito, por estragar seus planos. — Tudo bem! — arranha a garganta — Estarei a espera de uma próxima oportunidade. Juan se afasta esbarrando em um garçom, fazendo o pobre coitado derrubar sua bandeja, repleta de taças de champanhe e uísque. — E então? — meu agora, marido pergunta — Vamos? — estande sua mão para mim. — Vá filha. — Antônia diz tocando meu braço. — Eu não sei dançar. — sussurro. — Não se preocupe, eu te ajudo, bella. — sorri galanteador. Ainda relutante pego sua mão e me deixo ser guiada até o meio do salão onde, outras pessoas estão dançando ao som de uma música italiana lenta e romântica. Kaleo se põe na minha frente ainda segurando minha mão, nos olhamos durante alguns segundos até que, ele ergue minha mão com a sua, sinto ele apoiar a outra mão em minha cintura. — Apoie sua mão esquerda no meu ombro, teroso. Reviro meus olhos por ele ainda insistir nesses apelidos ridículos. Faço o que me pede e no exato momento uma música nova começa a tocar, Kaleo sorri de lado puxando meu corpo para mais perto do seu. Viro meu rosto encarando as pessoas ao nosso redor. Nossos corpos balançam suavemente, ao som da música. O homem coberto por tatuagens me conduz muito bem e isso me surpreende. Meus olhos passam pelo grande salão, com decorações douradas, um piso de marfim brilhante, músicos contratos para tocar ao vivo. Essa família tem muito dinheiro. — Ela gostou de você. — a voz de Kaleo quebra o silêncio entre nós dois. Concordo balançando minha cabeça, sei bem de quem ele está falando. Não estava nos planos que sua avó, fosse simpatizar comigo mas, aconteceu. — Isso não é bom. — continua — Normalmente ela detesta qualquer um que, não tenha o sangue dos Fratelli. — Ela ficou admirada pela forma que te defendi, sem nem pensar nas consequências. — explico. — Minha avó não foi a única. — balança a cabeça estalando a língua — Eu adorei o que fez. — Seu tio é um porco. — rosno — A maneira como ele me olhou — permaneço sem fazer contato visual — Te ameaçar foi só o estopim. Eu agi por instinto. — Mesmo assim, obrigado. — Não precisa me agradecer Kaleo. — solto uma longa respiração — Somos parceiros, não é? — Sim, tesoro, nós somos. Viro meu rosto para ele, surpresa por concordar e agora noto o quão, próximos nós estamos. Neste momento algo diferente paira sob sua expressão relaxada. Presenciar esse olhar tão intenso me deixa nervosa demais, decido quebrar nosso contado visual e volto minha atenção para as pessoas dançando ao nosso redor. Sinto sua mão desliza da minha cintura até o meio das minhas costas, isso faz com que eu deslize minha mão de apoio para a sua nuca. Nossos corpos se aproximam ainda mais ficando praticamente colados. Ele puxa minha mão unida a dele e a deposita do lado esquerdo do seu peito, respiro fundo ao sentir as batidas aceleradas do seu coração. Seu rosto se aproxima do meu pescoço e sua voz rouca preenche meus ouvidos, fazendo com que todo o resto suma. — Bésame... Bésame mucho. Como si fuera esta noche la última vez. — ele canta em um sussurro baixo perto da minha orelha, fecho meus olhos gostando da sensação que isso está me causando. Kaleo Fratelli cantando em italiano acaba de se tornar a minha coisa favorita. Sua respiração está quente enquanto ainda o ouço sussurrar as letras da música para mim. — Bésame... Bésame mucho. Que tengo miedo a perderte. — sinto um beijo ser depositado no meu ombro e isso me faz finalmente olhar para seus olhos verdes e escuros — Perderte después. Diminuo o último milímetro de distância que separava nossas bocas. As mãos dele me apertam ainda mais e um gemido baixo escapa de meus lábios. Kaleo retribuí o beijo sem demora e é como se o ambiente estivesse em completo silêncio. Como se não existisse nada neste salão além de nós dois, nada além desse beijo. Isso, esse homem, será a minha ruína. Eu disse que jamais iria implorar por ele mas, essa merda foi antes de beijar Kaleo Fratelli. Estava tudo bem com a distância e os limites estabelecidos, agora sinto que minha necessidade, ultrapassará quaisquer pingo de dignidade que eu tenha. Uma salva de palmas faz nós dois nos afastarmos minimamente, todos estão assoviando ou então dizendo coisas sobre o que acabaram de presenciar. Ofegante, Kaleo me encara, como se fosse me devorar neste exato momento. Olho ao redor, o relembrando de que apesar de parecer, não estamos a sós. Ele faz o mesmo, sorri e acena para algumas pessoas. Seu rosto se aproxima meu pescoço novamente. — Espero que finalmente tenha se dado conta do que eu tanto venho falando. — provoca me roubando um selinho suave em seguida. Me mantenho em silêncio ainda sem saber o que fazer ou dizer. Ele se afasta do meu corpo me deixando zonza e com um p**a calor. Puxo algumas lufadas de ar, tentando estabilizar minha respiração. Se ele pensa que vou implorar por ele, está muito enganado! Aquele italiano não vai conseguir o que quer!
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