KALEO FRATELLI
Ela só podia estar tentando me enlouquecer com aquela maldita roupa.
Não entendi de onde vinha tanta raiva, mas soube disfarçá-la muito bem. Ainda assim, quando Alan a olhou com aquele sorriso no rosto, algo se retorceu dentro de mim.
Já tinha sido r**m o suficiente chegar perto demais de provar o gosto dela. Pior ainda era saber que não podia ter nada daquilo. Nem sequer me aproximar para tentar.
O que, de forma alguma, me impediria de tê-la.
Laura reage ao meu toque. Eu sei. Sinto. Assim como sei que ela se sente atraída por mim — do mesmo jeito que eu me sinto por ela. Não vou fingir que isso não existe. Não vou deixar isso de lado. A cada dia que passa, minha obsessão só cresce, se enraizando com mais força.
Gosto das reações dela. Do rubor discreto que colore o rosto quando chego perto demais. Do esforço quase doloroso para não olhar diretamente para a minha boca… ou para o volume evidente na minha calça.
Entendo perfeitamente que ela só aceitou esse casamento para acabar com Volkov. E eu vou ajudá-la — porque isso também me favorece.
Mas meus planos envolvem muito mais do que ela é capaz de imaginar.
— E então, ela apontou uma arma para a sua cara também? — Alan pergunta, arrancando-me do devaneio.
Ele já está de volta ao lugar, abrindo o notebook enquanto organiza alguns papéis. Nem percebi quando entrou.
— O quê? — pisco algumas vezes.
— Foi assim que conheci a loira — ele ri. — Ofendi a irmã dela, levei um chute… tive a brilhante ideia de puxar uma faca e quase tomei um tiro.
— Empolgante — murmuro, sem interesse.
Respiro fundo, ainda com a imagem de Laura atravessando a mansão até o quarto de hóspedes. Aquela roupa minúscula. Homens demais olhando. Balanço a cabeça negativamente. A raiva invade cada fragmento meu. Seguro o encosto da poltrona com força, numa tentativa inútil de me manter no controle.
— Ela aceitou bem a viagem? — Alan pergunta, sorrindo.
— Na medida do possível — dou de ombros.
— Nossa avó vai gostar dela — ele comenta, irônico.
Ela nunca gostou de ninguém além dos netos. Mas não preciso da aprovação dela para essa união. Por dois motivos simples.
Sou o Capo. Não devo satisfações a ninguém.
E nada vai me fazer desistir de ter Laura como minha mulher.
— Sério que vocês não vão t*****r? — Alan me encara.
— Você parece interessado demais nisso — estreito os olhos.
— Laura é bonita — diz, distraído, digitando.
— Pode haver outros caras que…
— Haverá apenas cadáveres — corto, frio. — Laura pode não querer t*****r comigo, mas continua sendo minha mulher. Mato qualquer um que se aproxime dela.
Meu irmão me observa, relutante.
— Quem sabe ela mude de ideia…
— Não estou nem um pouco disposto a fazê-la mudar — passo a mão pelos cabelos. — Nunca precisei correr atrás de mulher nenhuma.
Embora eu saiba que abriria uma exceção por causa da loira no quarto de hóspedes ao lado do meu, não deixo que isso transpareça. Enterro qualquer vestígio desse pensamento antes que ele perceba.
— Vamos voltar ao trabalho? — bufo, esfregando o rosto.
— Claro.
&
O som seco das teclas preenchia o escritório, mas não conseguia afastar a imagem dela da minha mente. Laura não era como as outras. Nunca foi. Não se intimidava, não baixava os olhos por submissão — fazia isso por escolha, e isso me deixava perigosamente perto de perder o controle.
Fecho o notebook com mais força do que o necessário.
— Avise a equipe. Partimos ao amanhecer — digo, levantando-me.
Alan ergue o olhar, atento.
— Ansioso?
— Precavido. — caminho até o bar, sirvo um uísque que m*l sinto descer pela garganta.
Saio do escritório antes que ele veja qualquer coisa além do que permito.
O corredor está silencioso, as luzes baixas. Ao passar pelo quarto de hóspedes, diminuo o passo sem perceber. A porta está entreaberta. Um feixe de luz escapa para o corredor.
Ouço o som da água no banheiro. O chuveiro. Meu maxilar se contrai.
Não entro, nem cruzo a linha — ainda.
Mas encosto a mão na parede ao lado da porta, sentindo o mármore gelado contrastar com o calor que se espalha pelo meu corpo. Laura acha que está segura porque impôs limites. Porque deixou claro que esse casamento é um acordo.
Ela está errada.
A segurança dela sou eu.
O perigo também.
Dou um passo para trás, forçando meus pés a se moverem. Amanhã estaremos viajando. Novas regras, novo território, menos distrações… ou talvez mais.
No quarto, Laura fecha o registro do chuveiro, sem saber que, do outro lado da parede, eu já decidi uma coisa:
Volkov vai cair.
E quando isso acontecer, nada mais vai nos separar — nem acordos, nem promessas, nem a resistência dela.
Porque Laura pode ainda não me querer.
Mas já me pertence.