Sem Controle

1430 Words
LAURA EGOROVA Acordo sobressaltada após um pesadelo. Protejo meus olhos da claridade que invade o cômodo. Me dando conta que, o ambiente é bem diferente do meu quarto. Demoro alguns segundos para me localizar, forçando minha mente a trabalhar e lembrar. Kaleo Fratelli, casamento, vingança... Alguém bate na porta com força, fecho meus olhos por um instante ignorando completamente seja lá quem for. Consigo aos poucos acalmar minha respiração, juntamente com as batidas aceleradas do meu coração que, parece perigosamente perto de sair pela minha boca. — Vamos Laura, abra essa porta. — esmurra — Sei que está acordada. Pela voz deduzo que seja a irmã mais nova de Kaleo. O que Belinda faz aqui, às...que horas são? Me estico para conferir às horas no meu celular e p***a! São sete e meia da manhã! — Não me faça derrubar essa porta, futura cunhada... Reviro meus olhos andando em direção a porta, respiro fundo novamente antes de colocar a mão na maçaneta e não imaginar as mesmas mãos sufocando Belinda até ela ficar roxa e desfalecer na minha frente. Assim que abro ela sorri satisfeita. — Ainda de pijama? — faz careta — Isso é um pijama, certo? — Qual é o problema, Belinda? — pergunto sem paciência. — Uh, você e o meu irmão tem o mesmo humor ao acordar. — revira os olhos — São perfeitos um para o outro. — Só veio até aqui para reclamar? — resmungo lhe dando as costas. — Não, nós precisamos ir às compras! — sua animação me causa calafrios. — Não preciso de nada... — Precisa de coisas para a lua de mel... — E por quê? — me viro de costas para ela indo em direção a minha mala que ainda nem desfiz. — Pense nisso como um presente de casamento meu. Travo no lugar sem saber o que dizer. Em dúvida sobre até que ponto os irmãos de Kaleo sabem sobre toda essa situação. — Você precisa de roupas novas. — ela cruza os braços sentando-se na cama. — De novo. — a encaro — E por quê? — Não vou deixar você ir para Itália com... — Espere aí. — franzo a testa — Quem disse que vou para Roma? — pergunto me virando para ela. — Kaleo não contou...? — ela morde seu lábio inferior. — Já que você começou, agora termine. Ela se levanta, tentando manter a compostura mas, é nítido que falou demais. — O casamento vai acontecer lá. — diz baixo, entretanto não o suficiente para que eu não escutasse. — Como não fiquei sabendo disso? Ela dá de ombros. — Tenho que falar com o seu irmão. — digo saindo do quarto. Passo pelo corredor, encontrando Draco no topo da escada, ele está no celular e parece muito alterado. Mas, assim que me vê desliga o aparelho e tenta voltar ao seu habitual estado indiferente. — Algum problema, senhora Fratelli? — sua formalidade exagerada me faz querer revirar meus olhos. — Ainda não casei com o seu, chefe... — São ordens, ele avisou para que ninguém a chamasse por seu sobrenome. — explica sério. — Então me chame de Laura. — bufo - Pelo menos até quando eu for realmente a, senhora Fratelli. Balança a cabeça. — Algum problema, Laura? — Quero saber onde o meu, querido futuro marido se encontra neste momento . — rosno. — No escritório. - sinaliza para o andar debaixo - Em uma reunião com o irmão dele. — Obrigada. § Abro a porta sem ao menos bater. Alan se vira, franzindo a testa, mas logo um sorrisinho irônico surge em seus lábios, enquanto Kaleo passeia seus olhos pelo meu corpo, do mini shorts largo de pijama à blusa preta colada. Um arrepio sobe pela minha espinha; endireito os ombros para afastar a sensação. — Roma? — pergunto em um tom irritadiço. O Capo da máfia italiana inclina a cabeça levemente para o lado, o olhar sombrio ganhando um brilho avaliador. Ele ergue os dedos, fazendo um gesto rápido. — Alan, nos dê alguns minutos. — Claro, chefe. — o i****a ri baixo, se levantando. Ao passar por mim, lança uma piscadela descarada. — Boa sorte, principessa. — Some antes que eu te mate — rosno, sem sequer olhar para ele. A porta se fecha. — Parece que, minha irmã já te contou — diz respirando fundo, como se estivesse se preparando para algo. — Contou o suficiente — aponto o indicador em sua direção. — Agora eu quero a versão completa. — Não havia necessidade de alarde. — dá de ombros. — Estava terminando uma reunião e pediria para Draco te chamar. — Devia estar ciente disso antes dos seus irmãos, não acha? Ele sustenta meu olhar, paciente demais para o meu gosto. — Será mais rápido do que imagina. Reviro os olhos, desviando a atenção dele. Viro o corpo para a estante de livros que ocupa toda a parede, tentando recuperar o controle da situação. — Isso não estava no acordo. — viro lentamente o rosto para ele. — O casamento tem que acontecer lá. — diz, simples demais. — Não pode simplesmente me levar para um país onde eu não conheço ninguém, e esperar que eu aceite calada. — Posso — ele responde, com uma calma que me irrita ainda mais. — E vou. — Parece uma armadilha. — Não faria isso com você. — inclina a cabeça. O silêncio entre nós é tenso, carregado. — Essa é a única razão? — pergunto, firme. — Tenho assuntos para resolver. — pausa breve. — E não quis adiar o casamento, mas, é tradição. Toda a minha família mora em Roma. — Que tipo de assuntos? — Nada que seja da sua conta, mio sole. — Não me chame assim. — estreito os olhos. — Vai precisar se acostumar — ele sorri de canto. — Principalmente, perto de tantos italianos. É difícil ignorar a sensação crescente de incômodo. — Por quanto tempo? — O suficiente. Passo a mão pelos cabelos. — Não vai precisar ficar se essa é sua preocupação. — ele une as mãos perto do rosto. — Depois do casamento, pode voltar e colocar nosso acordo em prática. — E você? — me arrependo no instante em que pergunto. Kaleo sorri ao se levantar. Ele se encosta na borda da mesa, de frente para mim, cruzando os braços. Seus olhos verdes escurecem enquanto me analisam lentamente, da cabeça aos pés… e de volta. A noite em que nos conhecemos invade minha mente. Nossa pequena desavença que, mais pareceu um flerte e quase se tornou algo a mais. — Está preocupada comigo, bella? — Foi curiosidade. — reviro os olhos. — Não se empolgue. — Curiosidade costuma ser perigosa. — Assim como homens que gostam de controlar tudo. — Não tudo — ele corrige. — Só o que é meu. — Eu não sou sua.— rebati rápido demais. — Ainda não. Se aproxima um pouco mais. — — Se preocupe apenas em cumprir com sua parte, tesoro. — sorri com malícia, passando a língua nos lábios. Ele me encara nos olhos, antes de apontar para a porta. — Agora, se me der licença, preciso terminar minha reunião. — кретин! — rosno em russo. — Cretino! Me viro para sair, mas seus passos pesados ecoam atrás de mim. Sua mão agarra meu braço, firme, me impedindo de avançar. Meu corpo reage instantaneamente ao toque um choque elétrico que percorre a pele, deixando tudo dormente onde ele me segura. Isso me assusta. Muito. — Antes que eu me esqueça — ele sussurra, a boca próxima da minha orelha. — Não ande por aí com roupas curtas. Sou um homem possessivo e ciumento. Fecho meus olhos por um instante, mantendo minha respiração tranquila para que minha voz saia limpa. — Nós não estamos de fato juntos. Ele ri baixo e rouco, tão perversamente sombrio. Seu hálito quente percorre minha orelha, nuca e pescoço, arrepiando-me. — Não, nós realmente não estamos. — concorda com sua boca raspando de leve na minha orelha — Mas, tenha em mente que, isso não vai me impedir de acertar uma bala na cabeça do desgraçado que, ficar te cobiçando. — solta uma longa respiração — Se não quiser um rastro de sangue a seguindo, sugiro que faça o que eu disse. Kaleo solta meu braço e se afasta, voltando para a cadeira como se nada tivesse acontecido. Fico parada por alguns segundos, piscando, tentando fazer minhas pernas funcionarem novamente. Assim que consigo saio do seu escritório quase correndo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD