LAURA EGOROVA
Neste momento estou repensando minha decisão, ao ver Amália correr de um lado para o outro a procura de um vestido para mim, tão empolgada que, me sinto m*l. Não faço ideia de como aconteceu, apenas sei que quando me dei conta estava cedendo as suas súplicas e caretas chorosas.
— Esse vai ficar lindo em você.
Minha irmã estica o vestido de tecido fino na minha direção, sorrindo contente. Pego o vestido.
— É seu? — pergunto olhando para a peça de seda na minha mão.
— Comprei, mas, não é o meu estilo.
Concordo balançando a cabeça.
— Vai logo, veste! — ela corre em direção ao seu guarda roupas, voltando em segundos para me entregar sutiã preto todo de renda — Toma, usa isso por baixo vai ficar ainda melhor.
Vou em direção ao seu banheiro para trocar de roupa. É estranho como ela fica tão confortável perto de mim, nós m*l nos falamos, somos praticamente estranhas uma para a outra, mas, Amália não parece ligar para isso.
Ela bate palmas e pula empolgada quando volto para o quarto com o vestido em meu corpo. Um verde escuro cintilante, a peça que, ela me entregou para colocar por baixo se destaca e me deixa ainda mais atraente.
— Você está incrível!
— É até que eu gostei — digo me olhando no espelho.
— Nós poderíamos fazer isso mais vezes. — seu sorriso vacila um pouco.
Sei o que isso significa e não quero estragar a noite por ser sincera demais com ela.
— Seria legal. — concordo.
— Vou terminar de me arrumar e nós saímos!
Olho para ela assentindo. Quando o furacão loiro some da minha vista, solto minha respiração. Odeio enganar Amália, ainda a mais após ver como ela sente falta de ter minha presença. Não posso manter ela segura perto de mim. Até hoje nenhum dos inimigos que fiz soube da minha verdadeira identidade. Quando meus pais morreram fui dada como morta também. Ivan fez questão de não deixar rastro nenhum.
Amália carrega o sobrenome do nosso pai e, se não fosse por mim alguém já estaria atrás dela. Consegui encobrir muito bem qualquer coisa que ligasse ela ao nosso pai. Apesar de estarmos muito longe da, Rússia não posso deixar de me preocupar com a segurança dela. Ficar perto de mim só deixaria a vida da garota mais confusa e exaustiva. Não quero isso para ela, Amália não pertence a esse mundo e nunca vai.
§
— Já veio aqui antes? — pergunto.
— Não, mas, meus amigos disseram ser muito legal.
Olho para a boate luxuosa a nossa frente.
— Vamos?
Olho para Amália e seu sorriso é tão grande que, não consigo recusar.
— Sim.
Com os camarotes todos ocupados, tivemos que nos encaminhar para a parte mais movimentada do local, embora seja bem movimentada conseguimos um lugar na lateral da boate, afastada o suficiente das pessoas. Sentamos em um dos sofás brancos e exageradamente grande. Amália acena para o garçom e pede gim com tônica e peço o mesmo.
— Quer dançar?
Estou prestes a responder quando meu celular acende em cima da mesinha de vidro que fica perto de nós. Pego o aparelho e vejo uma mensagem de um número desconhecido.
Desconhecido: Kaleo Fratelli precisa morrer.
Desconhecido: Pago a quantia que for necessária.
Já ouvi falar muito dele, mas, nunca cheguei a pesquisar sobre, o chefe da Máfia italiana. Nunca me interessei por pessoas que, não fossem os meus alvos.
— Trabalho? — a voz de Amália me faz tirar a atenção do celular.
— Sim.
— Precisa ir embora ? — a pergunta sai cautelosa.
— Posso resolver isso depois. — dou de ombros.
— Tem certeza? Não quero te prejudicar.
— Sou muito boa no que faço. — pisco para ela — Não vai me prejudicar.
Ela sorri, contente com a minha decisão. Tenho certeza que, estragaria sua noite eu sair assim sem mais nem menos por causa de trabalho.
§
Meu celular não parou de vibrar desde a última mensagem que, recebi sobre meu próximo alvo, a razão disso? Não forneci a resposta que, o mandante queria. Depois de uma pesquisa rápida, descobri que, ele não é do meu interesse.
Não sei o que, Kaleo Fratelli fez mas, alguém quer muito matar ele, seja lá quem queira isso, estou fora. Só mato pessoas que possam atingir, Ivan Volkov diretamente ou que atrapalhe seus negócios.
— Tenho que ir ao banheiro — Amália diz se pondo de pé.
Concordo balançando a cabeça e observo ela ir na direção dos banheiros femininos. Minha irmã chama a atenção de muitos homens, conforme passa pela multidão até seu destino.
Essa é a primeira vez que, saímos juntas de verdade, eu sempre estive com pressa ou com um alvo em potencial para finalizar. Nunca dei a Amália a devida atenção que, uma irmã mais nova deve receber de sua única irmã. Só temos uma a outra e ainda assim mantive o mínimo possível de contato.
Isso a desagrada porém, estou tentando proteger ela, perdi tudo uma vez. Não consegui proteger um irmão, não cometerei esse erro novamente. Só estou aqui hoje, porque precisava ter um tempo agradável com Amália antes de sumir por mais alguns longos meses. Ela provavelmente vai me odiar por bastante tempo.
Um ódio necessário, o medo de perder Amália me sufoca, me sinto apavorada. Nunca disse que a amo mas, é a mais pura verdade. A protegerei com tudo o que tenho. Eu daria minha própria vida para manter a dela, intacta.
— Oi Laura — uma voz masculina diz sentando-se ao meu lado.
Reviro meus olhos, reconhecendo esse cheiro doce demais para um homem usar. Dou um gole na minha bebida.
— Alan — digo sem olhar para ele.
— Você está muito gata.
— Quando que você vai me chamar de maluca? — olho para ele com uma sobrancelha erguida.
— Você nunca vai me deixar esquecer isso — resmunga bebendo uma boa quantidade da bebida amarela em seu copo.
— Não se preocupe nós não vamos nos ver outra vez — pisco para ele — Aliás, espero que não esteja seguindo a minha irmã.
— Isso é apenas uma coincidência. — ele levanta suas mãos.
Avalio seu rosto por um momento e felizmente para ele, está falando a verdade.
— Vocês estão sozinhas? — pergunta limpando a garganta.
— Diz logo o que você quer — o tédio em minha voz o faz sorrir.
— Estou com meus irmãos em um dos camarotes — diz aprontando para o local acima de nós.
Continuo o encarando fingindo não entender aonde ele quer chegar.
— Alan? — minha irmã está surpresa.
— Oi, Amália — ele se levanta sorrindo.
— O que faz aqui?
— Só estava convidando vocês para irem para a área VIP.
— Pensei que estivesse irritado comigo — ela morde o lábio inferior ainda se sentindo envergonhada.
— Não sou rancoroso, principessa — a diferença do tom de voz que ele usa para pronunciar o apelido em italiano me faz querer rir.
Alan gosta da minha irmã.
Amália me olha como se quisesse minha aprovação para isso. Vejo nos seus olhos que, ela quer isso, eu nem sei a razão já que ela mesma o dispensou no seu dormitório. Mesmo relutando decido ceder pois noto que ela só vai aceitar o convite se, eu permitir ou quiser.
Sou completamente contra a ideia, mas, depois dessa noite nós não vamos nos ver durante um bom tempo. Prefiro estar lá com ela do que deixá-la ir sozinha com Alan.
— Tudo bem, vamos — respiro fundo deixando meu copo já vazio de lado.
Me levanto do grande sofá e os sigo. Alan segura a mão de Amália, ajudando ela a subir as escadas de ferro que provavelmente levam até o local em que ele e os irmãos estão. Quando passamos por uma porta de vidro fico impressionada, até a temperatura é diferente aqui.
O ambiente é mais tranquilo mesmo que aja pessoas dançando em uma pista de dança, não é bagunçado e nem há ninguém arrumando confusão como no andar de baixo. Noto que, o lugar é completamente envolto por um vidro blindado e ainda assim a música é a mesma tocando na pista da área comum.
Vou até a parede de vidro que dá uma visão das pessoas abaixo de nós. As luzes m*l iluminam elas, piscando e mudando conforme a música que, está tocando.
— Querem beber o quê? — Alan pergunta.
— Você não disse estar com seus irmãos? — olho para ele erguendo uma sobrancelha.
— Eles já devem estar voltando — ele da de ombros.
Minha irmã está olhando para o local com um sorriso enorme, Alan está olhando para ela, admirando.
— Eu pego nossas bebidas — informo indo em direção ao bar — Dois gin com tônica — peço ao barman.
Sinto uma mão em minha cintura e minha paciência quase se esvai quando vejo o rosto de um rapaz, sorridente próximo ao meu. Qual é a p***a do problema em respeitar o espaço dos outros?
— Boa noite linda — ele diz — Está acompanhada?
— Cai fora antes que eu rasgue sua garganta — rosno olhando para ele ameaçadoramente.
Ele arregala seus olhos e se afasta quase que, correndo e assitir essa cena cômica alivia um pouco da minha irritação.
— Uau, você é das minhas — ouço uma mulher dizer ao meu lado — Prazer me chamo, Belinda sou irmã do, i****a do Alan, ele me disse que chamaria duas amigas para beber conosco.
— Laura — digo apertando sua mão.
— Vocês são amigas dele há muito tempo?
— Não sou amiga dele. — tento controlar o desdém o máximo que consigo — E a minha irmã — aponto para Amália — Parece que seu irmão gosta de garotas que não ligam para ele.
Belinda ri.
— O Alan é exatamente assim. — ela respira fundo — Um romântico incurável.
O barman me entrega as bebidas, Belinda e eu voltamos para o nosso lugar e encontro Alan e Amália conversando muito. Parece que ele conseguiu impressionar minha irmã afinal.
— Obrigada — Amália sorri assim que entrego sua bebida a ela.
— Vocês são de onde? — Belinda pergunta.
— Brooklyn — digo antes que Amália diga a verdade.
Ela entende pois acena de leve com a cabeça.
— Nossa vocês estão um pouquinho longe de casa, não?
— Amália faz medicina em uma universidade daqui — digo com certo orgulho — Estou de visita.
— Nossa que legal, deve ser muito difícil. — Belinda diz se virando para minha irmã.
— Sim é muito — Amália concorda ficando vermelha.
— Me conta...
— Belinda, não acha melhor procurar o nosso irmão?
— Chato — ela revira os olhos se pondo de pé.
— Desculpa, ela não iria parar de te interrogar.
— A persistência é de família — murmuro.
— Laura...
— Nada do que você diga vai superar o que fez quando nos conhecemos.
— O que você fez? — Amália me olha interrogativa.
— Isso é assunto para uma próxima noite.
— Mas...
— Encontrei ele! — Belinda chega sorridente.
— Aposto que estava trabalhando — Alan ergue uma sobrancelha zombeteiro.
— Meninas esse é o nosso irmão mais velho, Kaleo.
Kaleo?
Me viro para o homem, e é inegável que, ele é diferente de qualquer outro que já vi ou me interessei.
Meu celular vibra com outra mensagem que ignoro, preciso encontrar uma maneira de sair daqui e deixar claro que não vou aceitar essa merda de missão não me importa quanto paguem. Se a morte de Kaleo interferisse nos negócios de, Volkov seria um homem morto nesta noite.
Seria a missão mais fácil que já tive em toda a minha vida.
Balanço minha cabeça estendendo minha mão para cumprimentar Kaleo e espero pelo desconforto que qualquer toque masculino me causa. Entretanto nada vem.