Gaelya, com seus vinte e seis anos e uma timidez que a acompanhava desde a infância, era a eficiência em pessoa na clínica pediátrica Dr. Abílio. Seus óculos de aro fino deslizavam ocasionalmente pelo nariz enquanto ela organizava prontuários, atendia telefonemas com uma voz suave e acalmava pais ansiosos com um sorriso gentil. Sua rotina era metódica e reconfortante: o aroma de álcool e talco infantil misturado ao cheiro familiar dos papéis, as risadas das crianças ecoando pelos corredores, e a previsibilidade de cada dia. Fora do trabalho, a vida de Gaelya era igualmente pacata, até a chegada de Ferdinando. Ele era o oposto dela: expansivo, charmoso e com uma lábia que parecia derreter qualquer barreira. Ferdinando a cortejou com intensidade, e Gaelya, que sempre se esquivara de relaci

