Estela estava há anos naquela empresa. Dedicada, profissional, sempre correta. Sabia que seu chefe, Arturo, um homem elegante e reservado de 45 anos, era respeitado por todos, inclusive por ela. Nunca houve clima, nunca olhares prolongados. Mas ela também nunca deixou de notar o charme dele: os cabelos grisalhos bem cuidados, a voz grave e segura, as mãos grandes e firmes. Aos 27 anos, Estela sentia-se bonita, mas frustrada. Os aplicativos eram decepcionantes. Os encontros, vazios. Estava carente, desejando ser olhada de verdade, desejando sentir-se viva de novo. Durante aquela viagem a trabalho, após um dia inteiro de reuniões, ela comentou casualmente: — Acho que vou subir pro quarto… descansar. — Dormir? Tão cedo? Você é jovem demais pra se esconder num quarto de hotel às nove da no

