Voltar nunca foi sobre saudade. Foi sobre encarar o que ficou m*l resolvido. O carro parou a alguns metros da casa onde cresci. Eu desci devagar, sentindo o peso do chão conhecido sob meus pés. Nada ali tinha mudado de verdade. A fachada continuava bem cuidada, a pintura clara escondendo o mofo antigo, as janelas fechadas como se ainda quisessem fingir normalidade. Por dentro, eu sabia, tudo continuava podre. As pessoas na rua me reconheceram antes mesmo que eu chegasse à porta. Os olhares eram curiosos, alguns surpresos, outros desconfortáveis. Eu não era mais a menina que saía de cabeça baixa. Meu corpo estava diferente, minha postura também. Eu ocupava espaço. Bati à porta. Quem abriu foi minha mãe. O choque passou pelo rosto Perfeito. O silêncio que se instalou na sala não era

