Eu precisei reaprender a me ver. Não no espelho — nele eu já tinha me reconhecido outras vezes. Mas na vida real, no espaço que eu ocupava, na forma como as pessoas reagiam quando eu chegava, na maneira como eu falava e era ouvida. Depois do ataque, tudo parecia girar em torno do que tinha acontecido. Do risco. Do nome de Jonathan. Do morro. Era fácil escorregar para um lugar perigoso: o de ser apenas “a mulher que ficou”. E eu não podia permitir isso. Não porque amar fosse erro, mas porque eu tinha lutado demais para existir como pessoa inteira antes mesmo de conhecê-lo. Amar não me dava menos direito a mim mesma. Percebi isso numa manhã comum, quando desci sozinha até a parte baixa da comunidade para resolver algo simples. Ninguém me impediu. Ninguém avisou Jonathan. Ninguém escolto

