A decisão não veio no auge da raiva. Veio depois. Depois do confronto, depois do silêncio, depois do corpo cansar de carregar o que não era mais seu. A justiça não nasceu do impulso — nasceu da lucidez. E isso, eu aprenderia, tornava tudo mais pesado. Passei dias sem falar no assunto. Segui a rotina da Beira-Mar, ajudei tia Naná, caminhei pelas ruas com a atenção de quem sabe que está sendo vista. Mas por dentro, algo se organizava. Não era desejo de vingança. Era algo mais seco, mais firme: a certeza de que, se nada fosse feito, o ciclo continuaria. Minha irmã encontraria outra pessoa para humilhar. Meu ex encontraria outra mulher para usar. E a cidade seguiria protegendo quem sabe fingir normalidade. Foi numa noite abafada que falei pela primeira vez. — Não quero voltar atrás — d

