Não houve convite formal, nem clima carregado de expectativa. Apenas aconteceu, como quase tudo naquele lugar: por necessidade. A noite caiu rápido no morro. Mais rápido do que Samantha esperava. O céu escureceu de uma vez, como se alguém tivesse puxado um pano pesado sobre tudo. As luzes improvisadas surgiram aos poucos, pontos amarelos espalhados pelos becos, enquanto o som distante de música se misturava a conversas baixas e passos atentos. Lobo entrou na casa de Naná com o maxilar tenso. — Mudou — disse apenas. Naná entendeu de imediato. — Onde? — Parte alta — ele respondeu. — Movimento que não tava previsto. Samantha sentiu o corpo enrijecer. — É perigoso? — perguntou. Lobo a olhou por um instante mais longo do que o normal. — Hoje é — respondeu. — E não vou fingir que não é

