Samantha demorou a entender que o ódio cansa. Não o ódio explosivo, que grita e quebra coisas, mas aquele que se aloja no fundo do peito e passa anos sendo carregado como se fosse parte da identidade. Depois da queda pública, depois do silêncio que finalmente se instalara onde antes havia riso c***l, ela percebeu algo inesperado: não sentia mais raiva da irmã. Sentia um vazio estranho. Como se o antagonismo tivesse perdido função. — Isso é normal — Naná disse, enquanto dobrava roupas no sofá. — Quando a gente para de lutar, sobra espaço. — Espaço assusta — Samantha respondeu. — Eu passei a vida inteira reagindo a ela. Naná assentiu. — Agora você reage a si mesma. Samantha ficou em silêncio, assimilando. Naquela noite, o celular vibrou com uma notificação que ela reconheceria em qua

