Samantha nunca pensou que voltaria àquela rua andando. Na memória, o retorno sempre vinha acompanhado de justificativas, pedidos de desculpa silenciosos, ou da ideia humilhante de que precisava provar algo. Mas naquela manhã, enquanto o carro de Jonathan diminuía a velocidade a duas quadras da casa, ela entendeu que não carregava nenhuma dessas coisas. Só carregava a própria presença. — Daqui eu vou a pé — ela disse. Jonathan olhou para ela por um instante, avaliando se aquilo era coragem ou necessidade. — Eu fico por perto — respondeu. — Não pra interferir. Pra garantir que você volte. Ela assentiu. — É tudo o que eu preciso. Desceu do carro com passos firmes, mesmo sentindo o corpo reagir. O coração batia rápido, mas não descompassado. O medo estava ali, mas não comandava mais.

