"Lara"
Vou arrumar um jeito de descobrir, e se isso for verdade é só eu perder minha virgindade que estarei livre dele.
Nossa como será que isso acontece, se sangra é porque deve doer, mas para me livrar desse casamento eu farei, lógico se eu tiver certeza que isso vai me livrar dele.
Voltei para casa e dei uma boa olhada no segurança, ele pode ser um homem em potencial, mesmo nem me olhando na cara, todos tem tanto medo de meu pai e do Don Antônio que quase fogem de mim.
Entrei em casa e minha mãe está na cozinha, um dos lugares prediletos dela, ela diz que um homem é conquistado todos os dias através do seu estômago e depois na cama.
_ Oi mãe, o que a senhora está fazendo de gostoso.
_ Filha que bom que você veio, vou te ensinar fazer esse prato tenho certeza que Don Antônio vai adorar quando vocês saborearem juntos.
Eu nunca vou cozinhar para o cretino do Don, mas por enquanto vou deixar minha mãe achar que estou muito interessada em aprender.
_ Olha, seu pai adora feijoada, quando chegamos no Brasil foi o primeiro prato que fiz para ele comer.
_ Mãe, a senhora era virgem quando meu pai te roubou?
_ Já te disse para não falar assim, eu amo seu pai.
_ Mas ele não te sequestrou?
_ Sim, mas logo me apaixonei por ele e fiquei porque quis.
_ Mas a senhora não respondeu, a senhora era virgem.
_ Não filha, eu tinha namorado alguns caras aqui no Brasil. Eu tinha me separado fazia pouco tempo e fui viajar para a Itália para esquecer e curar meu coração partido, quando sem querer trombei no seu pai na praça São Pedro e selei meu destino, seu pai me seguiu e me sequestrou, me levou para uma casa particular e ficou comigo durante um mês até eu entender que não tinha como fugir dele.
Perguntei para minha mãe, só para ter certeza.
_ Então não precisa ser virgem para se casar com alguém da máfia.
_ Só o Capo tem que casar com uma mulher pura.
Eu abri um sorriso
_ Quer dizer que se eu já tiver sido de outro homem ele não vai me querer como esposa?
Minha mãe parou o que estava fazendo e veio até mim, me pegou pelos ombros e disse me olhando nos olhos.
_ Filha, se isso acontecer todos estaremos mortos, porque uma das condições de morarmos no Brasil foi manter você pura para este casamento.
Meu pai vinha vindo falar alguma coisa para minha mãe e escutou uma parte da conversa.
_ Lara Beatrice Morabite se você me envergonhar vou ser obrigado a te matar.
_ Me mata logo pai, assim não vou ter que me casar com um homem que nem conheço.
_ Já te falei que não vou discutir isso com você, dei minha palavra faz muito tempo e vou cumprir.
Vejo ele indo em direção a sala e vou atrás.
_ O senhor está me condenando sem direito a defesa, eu não quero me casar desse jeito, se ele for um homem que agride as mulheres o senhor vai ficar com remorso quando me ver toda machucada.
_ Filha nós homens da máfia respeitamos nossas esposas, não existe a possibilidade dele te agredir.
_ O senhor é tão nojento quanto ele, sequestrou minha mãe, obrigou ela ficar com o senhor e vem me dizer que vocês respeitam suas esposas.
Meu pai é um homem agressivo e reativo, de um tempo para cá parou de me corrigir com surras porque diz que não pode me marcar, mas eu irritei ele tanto que virou com tudo e me deu um tapa no rosto.
_ Cale se e me respeite, não sou um amiguinho seu sou seu pai e você vai me respeitar e obedecer, entendeu.
Saí correndo da sala e chorando, voltei para o único lugar que me sinto bem, junto com meus beija-flores.
“Antônio”
Chegamos na casa do senhor Rocco Morabite e escutamos uma discussão acalorada entre ele e a filha, meu amigo faz um movimento para entrar e parar a discussão eu seguro o braço dele e balancei a cabeça negando, ficamos ali ouvindo minha noiva enfrentando o pai dela, como eu imaginei ela não quer se casar comigo.
Não ouvi o começo da briga mas ela manda ele mata lá, fora jogar na cara dele que sequestrou a mãe dela, ela tem muita coragem, ouvimos o tapa e a porta batendo com força.
Entramos na sala e o senhor Rocco muda de cor quando me reconhece.
_ Don Antônio, desculpa o senhor ter presenciado uma cena dessa, minha filha normalmente é muito dócil mas está meio inconformada com esse casamento.
_ Está tudo bem, vim conhecê-la, mas acho que vai ter que ser mais tarde, o senhor sabe para onde ela foi?
_ Não se preocupe, ela não tem permissão para sair da propriedade, deve estar no jardim se acalmando, vou perguntar para o segurança dela.
Vejo Rocco ligar no celular de alguém.
_ Marcos onde está minha filha.
_ Ela está mais calma, só que destruiu o canteiro de rosas amarelas.
Vi Rocco indo em direção a porta, resolvi usar minha autoridade para proteger minha noiva.
_ Rocco, onde você vai?
_ Vou corrigir aquela menina ingrata, ela destruiu meu canteiro de rosas amarelas, eu plantei todas com minhas próprias mãos para a mãe dela.
_ Pare não vou permitir que minha noiva seja agredida por causa de um punhado de rosas.
Rocco volta para mim, e sem pensar vem na minha direção.
_ Aqui em minha casa quem manda sou eu, e da educação da minha filha cuido eu.
Meu amigo tenta parar o pai dele porque sabe que se eu perder a paciência a coisa pode ficar feia, eu ergui a mão e parei ele, virei para Rocco e com minha voz de comando.
_ Rocco se você esqueceu vou te lembrar, sou Antônio Maori, seu Capo e espero que se lembre o que isso significa.
Vi Rocco recuar e abaixar a cabeça, sei que é difícil para ele me atender tenho menos da metade da idade dele, mas sou a p***a do Capo e ninguém vai passar por cima da minha autoridade.
_ Desculpa, Don Antônio, me excedi, não vai acontecer de novo.
Estiquei minha mão esperando ele beijar, veio e deu um beijo.
_Agora vamos conversar, como pessoas civilizadas.
_O que o senhor quer fazer? Quer que eu chame Lara para o senhor conhecer?
Eu fiquei pensando por um momento, e faz tempo que não brinco de jardineiro, vou conhecer minha noiva de um jeito diferente.