Cheguei ao Brasil conhecer minha noiva

1089 Words
"Lara" Vou arrumar um jeito de descobrir, e se isso for verdade, é só eu perder minha virgindade que estarei livre dele. Nossa, como será que isso acontece? Se sangra, deve doer — mas para me livrar desse casamento eu farei, lógico, se eu tiver certeza de que isso vai me livrar dele. Voltei para casa e dei uma boa olhada no segurança. Ele pode ser um homem em potencial, mesmo sem me olhar na cara. Todos têm tanto medo do meu pai e do Don Antônio que quase fogem de mim. Entrei em casa e minha mãe estava na cozinha, um dos lugares prediletos dela. Ela diz que um homem é conquistado todos os dias através do seu estômago — e depois na cama. — Oi, mãe. O que a senhora está fazendo de gostoso? — Filha, que bom que você veio! Vou te ensinar a fazer esse prato. Tenho certeza de que o Don Antônio vai adorar quando vocês saborearem juntos. Eu nunca vou cozinhar para o cretino do Don. Mas por enquanto vou deixar minha mãe achar que estou muito interessada em aprender. — Olha, seu pai adora feijoada. Quando chegamos ao Brasil, foi o primeiro prato que fiz para ele. — Mãe, a senhora era virgem quando meu pai a roubou? — Já te disse para não falar assim. Eu amo seu pai. — Mas ele não a sequestrou? — Sim, mas logo me apaixonei por ele e fiquei porque quis. — Mas a senhora não respondeu: era virgem? — Não, filha. Eu tinha namorado alguns rapazes aqui no Brasil. Tinha me separado fazia pouco tempo e fui viajar para a Itália para esquecer e curar meu coração partido. Quando, sem querer, trombei com seu pai na Praça São Pedro e selei meu destino. Ele me seguiu, me sequestrou, me levou para uma casa particular e ficou comigo durante um mês, até eu entender que não havia como fugir. Perguntei para minha mãe só para ter certeza. — Então não precisa ser virgem para se casar com alguém da máfia? — Só o Capo tem que casar com uma mulher pura. Abri um sorriso. — Quer dizer que, se eu já tiver sido de outro homem, ele não vai me querer como esposa? Minha mãe parou o que estava fazendo, veio até mim, me pegou pelos ombros e me olhou nos olhos. — Filha, se isso acontecer, todos estaremos mortos. Uma das condições de morarmos no Brasil foi manter você pura para este casamento. Meu pai vinha chegando para falar algo com minha mãe e escutou uma parte da conversa. — Lara Beatrice Morabito, se você me envergonhar, vou ser obrigado a te matar. — Me mata logo, pai. Assim não vou ter que me casar com um homem que nem conheço. — Já te falei que não vou discutir isso com você. Dei minha palavra faz muito tempo e vou cumprir. Vi ele se dirigindo à sala e fui atrás. — O senhor está me condenando sem direito à defesa! Eu não quero me casar desse jeito. Se ele for um homem que agride mulheres, o senhor vai ter remorso quando me ver toda machucada. — Filha, nós, homens da máfia, respeitamos nossas esposas. Não existe a possibilidade de que ele te agrida. — O senhor é tão nojento quanto ele. Sequestrou minha mãe, a obrigou a ficar e vem me dizer que vocês respeitam suas esposas. Meu pai é um homem agressivo e reativo. De um tempo para cá parou de me corrigir com surras porque diz que não pode me marcar — mas eu o irritei tanto que ele virou com tudo e me deu um tapa no rosto. — Cale-se e me respeite! Não sou seu amiguinho, sou seu pai, e você vai me respeitar e obedecer. Entendeu? Saí correndo da sala, em prantos e voltei para o único lugar onde me sinto bem: junto com meus beija-flores. "Antônio" Chegamos à casa do senhor Rocco Morabito e escutamos uma discussão acalorada entre ele e a filha. Meu amigo fez um movimento para entrar e aparar a briga; segurei seu braço e balancei a cabeça, negando. Ficamos ali ouvindo minha noiva enfrentar o pai — exatamente como eu havia imaginado: ela não quer se casar comigo. Não ouvi o começo da briga, mas ela mandou ele a matar, jogou na cara dele que havia sequestrado a mãe. Tem muita coragem. Ouvimos o tapa e a porta bater com força. Entramos na sala. O senhor Rocco mudou de cor quando me reconheceu. — Don Antônio, desculpe o senhor ter presenciado uma cena dessas. Minha filha normalmente é muito dócil, mas está inconformada com o casamento. — Está tudo bem. Vim conhecê-la, mas acho que será melhor mais tarde. O senhor sabe onde ela foi? — Não se preocupe, ela não tem permissão para sair da propriedade. Deve estar no jardim se acalmando, vou falar com o segurança dela. Vi Rocco ligar para alguém. — Marcos, onde está minha filha? Vi o homem mudar de cor, e olhar para a porta. —Ela fez o quê? Ele gritou ao telefone completamente descontrolado e foi em direção a porta. Usei minha autoridade para proteger minha noiva. — Rocco, onde você vai? — Vou corrigir aquela menina ingrata. Ela destruiu meu canteiro de rosas amarelas — plantei todas com minhas próprias mãos para a mãe dela. — Pare. Não vou permitir que minha noiva seja agredida por causa de um punhado de rosas. Rocco voltou para mim e, sem pensar, veio na minha direção. — Aqui em minha casa quem manda sou eu, e a educação da minha filha, cuido eu. Meu amigo tentou contê-lo, sabendo que, se eu perdesse a paciência, a coisa poderia ficar feia. Ergui a mão, parei meu amigo, e virei para Rocco com minha voz de comando. — Rocco, se você esqueceu, vou te lembrar: Sou Antônio Maori, seu Capo. Espero que se lembre o que isso significa. Rocco recuou e abaixou a cabeça. Sei que é difícil para ele — tenho menos da metade da sua idade —, mas sou o Capo e ninguém passa por cima da minha autoridade. — Desculpe, Don Antônio. Me excedi. Não vai acontecer de novo. Estendi minha mão. Ele veio e a beijou. — Agora vamos conversar como pessoas civilizadas. — O que o senhor deseja? Quer que eu chame Lara para conhecê-lo? Fiquei pensando por um momento. Faz tempo que não brinco de jardineiro. Vou conhecer minha noiva de um jeito diferente.
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