POV Rafa Kalimann
A noite definitivamente havia começado, e quando dei por mim eu e Manu já estávamos sentadas na mesa com quatro desconhecidas, que foram devidamente apresentadas. Mas isso não me incomodava.
A conversa no início se mostrou meio de praxe, com perguntas sobre como era ser famosa, o que mais gostávamos daquilo, o que fazíamos com nosso tempo livre, mas apesar disso era boa e o que não faltava ali era leveza e sorrisos. Mas em pouco tempo e sem muita ingestão de álcool, parecíamos amigas de anos e a conversa foi fluindo com mais naturalidade.
- Gente vocês são loucas, só pode! – Manu disse rindo.
- Não, o pior de tudo foi o nome que a Gizelly deu pro nosso clubinho. – Tabata riu se lembrando - Conta pra elas, Gi.
- Lobos e Panteras Selvagens RAW! – falou fazendo um gesto de garra com a mão, as meninas riram - E a senha pra entrar era...
- Kubanacan! – Gizelly e Tabata falaram ao mesmo tempo rindo.
- Não, vocês são ícones demais – Manu falou ainda rindo e enxugando uma lágrima que caia pelo canto de seu olho direito.
- Isso não é metade do que essa daí aprontou na infância – Tabata falou apontando pra morena.
- Ai, conta mais que tô amando saber dessas histórias – Manu falou animada, eu apenas ria da situação.
- Conta a história do protesto – a morena de cabelos preto falou.
Gizelly se ajeitou na cadeira pra contar:
- Então, nesse clubinho a gente fazia e falava de tudo né, daí um dia eu queria causar e levei o povo tudo do clubinho pro meio da praça pra protestar contra o desmatamento – disse divertida.
- Ah e ainda fez um abaixo-assinado contra o desmatamento, ela achava que tava abalando – Tabata disse em meio aos risos.
- E só quem assinou o bichinho fomos nós do clubinho – falou e fez um adorável biquinho enquanto todo mundo riu.
- Lobos e Panteras Selvagens RAW – falei assim que ela acabou de falar e os risos se intensificaram.
Nesse momento Gizelly me encarou e por alguns segundos eu me perdi em seus olhos castanhos, tive que parar de encará-la quando ouvi alguém falando.
- É por isso que ela recebeu o apelido de furacão! – Letícia falou.
- Mais do que merecido – Manu soltou.
- Bom, o papo tá bom, mas tenho que me retirar. – Gizelly falou séria e todo mundo a olhou como quem não tava entendendo nada e então continuou – Sobrevivam 5 minutos sem minha presença, pois vou ao banheiro – todo mundo começou a rir novamente, era inegável o clima de leveza e alegria que aquela mulher tinha.
De novo eu a olhei e soltei sem nem perceber:
- Eu vou com você, tô apertada e ri demais – falei a encarando.
Senti um nervoso bem no momento em que nos levantamos, Gizelly estava linda com aquele camisetão branco e com uma jaqueta jeans por cima, tava ainda mais bonita do que quando a vi mais cedo.
Isso me fez pensar em ficar ali sentada, meus pensamentos tavam voando e eu parecia ferver, mas preferi ir em frente, afinal, só iríamos ao banheiro.
POV Gizelly Bicalho
A conversa da noite, que até então ficou focada na carreira de Manu e Rafa chegou no tema “as loucuras infantis de Gizelly Bicalho”, mas isso não pareceu incomodar as duas mulheres que ouviam com atenção, davam boas gargalhadas e instigavam a gente a falar mais, fazendo mais perguntas.
Eu me levantei pra ir ao banheiro e fui acompanhada por Rafa Kalimann. Por algum motivo eu fiquei nervosa, talvez por ela ser famosa e ser uma das mulheres mais lindas que já havia visto na minha vida. Olhei pra ela e ela me parecia meio tensa, então tentei puxar assunto antes de entrarmos no banheiro.
- Então... Pesquisei teu nome na internet quando cheguei na casa que estamos ficando... – falei calma e com um sorriso no rosto e ela apenas sorriu pra mim, então eu continuei – Achei o projeto que você tem na África muito f**a! Deve ser bem gratificante fazer parte dele – entramos no banheiro e ela me olhou.
- Sim, é sim! É muito bom poder ajudar aquelas pessoas – ela disse com um leve sorriso no rosto e logo entrou em uma cabine, eu fiz o mesmo.
Saímos quase ao mesmo tempo e fomos lavar as mãos, eu a olhava pelo espelho quando ela soltou:
- Consigo ver você me encarando – naquele momento eu gelei ao menos tempo em que senti minhas bochechas corarem.
- Desculpa, é que eu não consigo entender como você consegue ficar linda, sexy e meiga ao mesmo tempo, mesmo com álcool no sangue – disse sem vergonha alguma e a vi corar como resposta biológica instintiva.
- Você já se olhou no espelho? – ela pareceu engolir a vergonha e se virou para mim. Ela estava me analisando?
- Todo dia! – respondi – Mas em nenhum deles eu me parecia com o que estou vendo agora na minha frente – me virei, nos deixando de frente uma para a outra e nos encarando.
Notei que Rafa deu uma leve mordiscada no lábio inferior. Inferno! Ela ficou sexy demais! Senti meu corpo todo queimar com a visão que estava tendo, meu corpo pedia por um beijo e dei sinal que ia me aproximar dela, ao perceber isso ela falou:
- Melhor voltarmos.
“Hétero”. Lembrei das palavras de Tabata mais cedo quando disse que Rafa era hétero.
- Vamos! Todo mundo deve tá sentindo falta da minha presença, afinal, de quem mais vão rir? – tentei descontrair o clima.
Chegamos na mesa e o papo agora tinha mudado, estavam falando sobre sexo.
- Já passou de meia noite pra vocês tarem nessa safadeza toda aqui? – eu disse divertida.
- Pronto, chegou quem a gente esperava – Letícia falou e eu senti que lá vinha pergunta inconveniente.
- Fala pra gente Gi, o sexo é melhor com um homem ou com uma mulher? – Taís soltou rindo, demonstrando que esse não era o assunto anterior.
- Meu Deus, eu só posso ter jogado pedra na cruz pra ter que aguentar amigas como vocês! – ignorei a pergunta.
- Ih, não vai responder não é? – Tabata soltou – Já vi que vai falar que é o do Gustavo.
Sabia que enquanto eu não respondesse elas não parariam de perguntar.
- Depende da pessoa com quem você está transando e não do gênero dela. E sim, o sexo com ele era maravilhoso, assim como o sexo com Fernanda também foi! – disse por fim.
Ouvi uns “Hmmm” sair da boca das minhas amigas e senti todos os olhares em mim e sabia que tinha que mudar de assunto, pois estava vermelha.
- Mas e então... – tentei iniciar algo – É impressão minha ou aquele cara ali... – disse apontando com a cabeça para o garçom – Faz totalmente o tipo de Taís? – Letícia e Tabata riram, enquanto Taís ficou corada.
- Gizelly, tu não presta! – Taís disse.
Conversamos por mais algumas horas, até que, sem perceber que horas eram, o garçom veio nos avisar que já iam fechar.
- Mas já? – Manu perguntou com a voz embolada, estava claramente alcoolizada.
- Nossa, já são 01h19min – Tabata disse também com a voz embolada.
Pagamos a conta e chamamos o uber. Nesse meio tempo de espera, Tabata e Letícia haviam ido até o banheiro, Taís tava sentada na calçada esperando o nosso uber e eu me aproximei de Rafa e Manu.
- Foi ótima a noite – eu disse.
Manu pareceu alheia a conversa.
- Foi mesmo, eu amei a companhia de vocês! – Rafa respondeu me encarando e eu tremi, ela pareceu perceber – Toma! - disse me oferecendo seu celular desbloqueado – Coloca teu número aí, certeza que Manu vai amar marcar outra coisa com vocês enquanto cês tiverem por aqui – eu peguei o celular.
- Só ela? – disse enquanto digitava meu número.
- Claro que não, vocês são leves, são ótimas companhias – ela respondeu e eu entreguei o celular pra ela, após salvar meu contato.
- Provavelmente a gente vai se esquecer dessa conversa e você vai se esquecer que tem meu número. – sorri e vi meu uber se aproximando - Então é isso Rafaella. Tchau!
Me aproximei dela, toquei com minha mão direita em seu ombro esquerdo, fui me aproximando de seu rosto e seu cheiro foi ficando mais forte, depositei então um beijo no canto de sua boca, não sei se foi proposital ou se foi por acidente, só sei que eu gostei.
- Tchau Gizelly! – ela disse me encarando, mas um pouco envergonhada pelo beijo que depositei.
- Tchau Manu! – disse abraçando a menor, que me retribuiu o abraço e o tchau.
Entrei no carro e fomos embora...
POV Rafa Kalimann
Gizelly se aproximou de mim e de Manu para se despedir.
- Foi ótima a noite – ela disse olhando nos meus olhos e notando que Manu não prestava mais atenção em nada ao seu redor.
- Foi mesmo, eu amei a companhia de vocês! – criei coragem e lhe ofereci meu celular para que ela salvasse seu número com a desculpa que Manu amaria isso, mas eu também iria adorar passar mais tempo com aquela mulher... Digo, mulheres.
Gizelly me entregou o celular já com seu número salvo e disse:
- Provavelmente a gente vai se esquecer dessa conversa e você vai se esquecer que tem meu número, então é isso Rafaella. Tchau!
Ela acreditava que íamos esquecer aquela conversa, a gente se olhava nos olhos quando a vi se aproximar de mim.
Ela tocou em meu ombro esquerdo e eu me arrepiei, torci para que ela não notasse isso, ela aproximou seu rosto de mim e depositou um beijo no canto da minha boca. Eu tremi.
Me senti nervosa, mas tentei não demonstrar. Vi elas entrando no uber e logo após o meu e de Manu chegou, entramos e fomos para casa.
Quando chegamos em casa, Manu correu para o quarto, se jogou na cama e apagou, ela tava muito bêbada, eu tava bêbada, mas não ao extremo, como ela.
Fui pro meu quarto, tomei um banho, deitei na cama e pensei em Gizelly... Por que fiz isso? Adormeci.
- Amiga, onde tem remédio pra dor de cabeça? – acordei com Manu na minha cama com cara de ressaca.
- Tem no meu banheiro, pega dois lá – me aproveitei, minha cabeça estava doendo também. Maldita ressaca.
Peguei o celular enquanto Manu foi pegar os remédios e vi que já passavam das 15h. Me levantei e fui passar um café pra gente.
- Pronto, vem comer algo amiga – falei pra Manu.
- Obrigado amiga! – ela respondeu.
Após comermos nos jogamos no sofá e Manu puxou o assunto.
- Eu amei demais a noite de ontem... – começou – Nunca me diverti tanto em um barzinho – riu lembrando da conversa.
- Elas são bem engraçadas mesmo, não parei de rir em nenhum momento.
- Verdade! Quem sabe a gente não esbarra com elas de novo, seria maravilhoso, foi tudo tão leve – estava animada ao falar.
- Então, peguei o número da Gizelly – disse como quem não quer nada, mas torcendo pra que minha amiga se empolgasse com isso.
- Sério?! Em qual momento? – Manu parecia surpresa.
- Quando a gente tava se despedindo, achei que cê fosse gostar disso pra marcar algo depois, cê estava tão a vontade com elas.
- Eu amei amiga! Podemos pensar em algo pra fazermos juntas, quero dizer, você pode pensar em algo, já que conhece a cidade melhor que eu – sorriu.
- Bom, vamos sim! Mas deixa pra outro dia.
Ao contrário do que Gizelly pensava, eu lembrava muito bem de nossa conversa no final da noite, lembrava mais ainda das sensações que seu toque e seu beijo em meu rosto me proporcionaram.
Peguei meu celular e fui pesquisar o contato salvo e sorri quando o achei: Gizelly Bicalho. Abri a conversa no w******p e mandei mensagem pra ela.
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*w******p*
Rafa (16:26): Oiii Gizelly Bicalho. É a Rafa Kalimann aqui
Rafa (16:27): N esqueci que salvei o teu contato,
Gizelly Bicalho (16:42): SANGUE, FOGO E LABAREDA NÉ TROTE NÃO?????
Gizelly Bicalho (16:43): Se for me deixa acordar direto que tô abrindo os olhos agora
Rafa (16:47): KKKKKKKKKKKKK
Rafa (16:47): Tá procê uma selfie como prova??
Rafa (16:48): *IMAGEM*
Gizelly Bicalho (16:48): POOOR DEEEEUS RAFAEAL
Gizelly Bicalho (16:49): RAFAELLA
Gizelly Bicalho (16:49): QUER ME MATAR MULHER
Gizelly Bicalho (16:49): ???????????
Rafa (16:49): KKKKKKKKK
Rafa (16:50): Morra não! Manu tá louca pra marcar outra coisa com cês mais pra frente, rs
Gizelly Bicalho (16:50): Minha nossassinhora é real isso??
Rafa (16:55): Tô falando procê
Rafa (16:55): Então é sim, rs
Gizelly Bicalho (16:56): Eu ainda não superei sua selfie
Gizelly Bicalho (16:56): ♀️***
Gizelly Bicalho (16:57): Mas podemos tá marcando isso aí de sair de novo
Gizelly Bicalho (16:57): Vai ser ótimo te ver
Gizelly Bicalho (16:57): E ver a Manu também, claro
Rafa (16:59): Vou deixar cê acordar, bjsss
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Eu havia falado mesmo com ela... Por Deus que foto perfeita é essa do perfil dessa mulher Senhor?! Por que tô com um sorriso no rosto?? Melhor eu largar esse celular e procurar minha amiga, é, isso, é melhor eu fazer isso...
POV Gizelly Bicalho
Tô acabando de acordar, ontem quando cheguei em casa fiquei pensando na forma como me despedi de Rafaella e em como eu queria ter beijado sua boca... Acho que tantos meses sem beijar ninguém está me afetando, um pouco.
Pego meu celular, são 16h24min, fico mexendo nele um pouquinho até que chega uma mensagem de um número desconhecido, quando abro, surpresa! Rafa Kalimann havia mesmo se lembrado que salvou meu contato...
Não acreditei até que ela me mandou uma selfie... Pai amado, como ela consegue ficar gata até de ressaca???
Trocamos algumas poucas mensagens e ela disse que Manu iria querer marcar outra coisa com a gente, mas depois que vi a selfie que aquela mulher me mandou eu me forcei a ficar mais séria e pensar antes de escrever, estava babando naquela mulher... Por Deus que dor de cabeça... Preciso de remédio.
Eu e as meninas decidimos que não iríamos fazer nada hoje, só curar a ressaca, mas amanhã iríamos passear pela cidade.
Já era noite e eu ainda não havia superado a selfie de Rafaella, talvez por ela ter mandado para mim... Para Gizelly, ela é hétero e nunca que iria querer algo com você! Decidi ir dormir, afinal, as meninas estavam com mais ressaca que eu e o dia foi bem morgado hoje.
A quinta-feira chegou e eu já estava me arrumando para passear pela cidade com minhas amigas, seria um rolê leve, sem álcool envolvido, optamos por beber em casa quando chegássemos, afinal, íamos dirigindo o carro do boy de Leti, de nome Dênis, como ela sempre nos corrigia.
Letícia tomou a frente de tudo, a gente não sabia nem pra qual lugares iríamos, mas confiávamos nela, afinal, nossa primeira noite em Goiânia foi maravilhosa...
- Anda logo vocês, credo, sempre se atrasam – resmungou Tabata para mim e Taís.
- A gente não tem culpa se pra ressaltar ainda mais nossa beleza leva tempo – Taís retrucou colocando seu brinco.
- Vocês têm que começar a se arrumar antes da gente – foi a vez de Letícia pegar no nosso pé.
- Será que a gente vai esbarrar com Manu e Rafa de novo? – Taís perguntou.
E eu me peguei pensando que depois daquelas mensagens, Rafa não havia mais falado comigo, talvez não tivesse gostado de mim e só falou comigo no w******p pra não está errada e eu certa. Mas enfim, não queria pensar nisso, só focar no dia que ia ter com as melhores amigas do mundo.
Primeiro nós fomos conhecer o Parque Vaca Brava, era um lugar lindo, com um lago, uma praça de cooper e um parquinho para crianças, tiramos umas fotos por lá e fomos para o destino que Letícia disse que seria o melhor: o Jardim Zoológico de Goiânia.
O lugar era verdadeiramente incrível e vez ou outra me perdia admirando tudo o que tinha ali, as pessoas me encantavam, as crianças com seus olhos brilhando, fiquei encantada com os animais que tinham por lá.
- Olha Tabata, aquele animal é a tua cara – eu falei apontando para uma zebra do Paraguai, um animal híbrido fruto do cruzamento de uma zebra macho com um jumento fêmea.
- VAI TE f***r GIZELLY!!!! – Tabata me respondeu enquanto me dava um tapa no braço direito e nós ríamos da situação.
- Amiga, ela é a tua cara mesmo – Taís não aguentava segurar a risada.
- Até você Taís? – Tabata indagou amuada.
Andamos mais algumas horas explorando cada canto daquele lugar e tudo era tão lindo que não dava vontade de ir embora.
Ouvi alguém me chamar, ou melhor, berrar:
- NÃO ACREDIIITO, GIZEEEEEEEELY!!! – a morena de cabelos pretos e olhos verdes exclamou chamando nossa atenção.
- Meu Deus que mundo pequeno – disse abraçando-a.
- Que cê tá fazendo por aqui sua louca? – ela me perguntou.
- Eu tó de férias e você?
- Tó tirando uma folga pra tá mostrando um pouco dessa cidade pra minha amiga aqui. – puxou a amiga para perto de si e disse – Marcela, esta é a Gizelly.
- Oi, prazer – a loira bonita falou esticando a mão em um cumprimento.
- Prazer. Essas são Tabata, Taís e Letícia. – falei apontando para cada uma que responderam com “prazer” e esticaram as mãos em cumprimento – Meninas essa loouca aqui é a Ivy. – repetiram o gesto e a fala pra a morena, mas elas já conheciam a mineira, afinal, ela era uma modelo brasileira famosa e uma digital influencer, mas não entendiam como eu a conheciam e teorizavam em suas mentes.
- Que coincidência a gente tá se esbarrando justo em Goiânia – Ivy falou.
- Pois é menina! – disse.
- Cês vão tá fazendo o quê depois daqui? – ela perguntou.
- Vamos pra casa que tamos ficando – eu a respondi.
- Nós vamo tá indo no Avalon Club, é maravilhoso lá, é ideal pro público LGBTQI+, mas é cheio de hétero por lá também, vamos com a gente? E não se preocupem, ganhei passe livre hoje pra mim e pra quem mais eu quiser levar – ela disse animada.
Eu olhei para as minhas amigas e a resposta veio de imediato, iríamos sair a noite.
- Open bebida? É claro que vamos! – disse brincando.
Fomos para casa, nos arrumarmos e pedimos um uber. Chegamos lá demos o nome de Ivy e a gente entrou, era um lugar muito lindo, apesar da música ser eletrônica, fazendo a felicidade de Letícia quando ouviu “Glad you came” tocar.
- MEU DEEEEUS MINHA MÚSICAAAAA – gritou e logo começou a cantar e dançar, fazendo a gente acompanhá-la.
Algumas horas depois e já quase bêbadas, peguei meu celular para tirar uma foto, quando vi uma mensagem que fez meu coração acelerar:
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*WHATSAAP*
Rafaella (22:16): Psiiiu, cê tá gata c essa roupa preta
Gizelly (22:18): Que ??! Comaassim???
Rafaella (22:18): Essa blusa, essa saia cintura alta e essa jaqueta na cintura, toda de preto
Rafaella (22:18): Tá gata ein fiiia
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Tá era óbvio que ela tava me vendo, eu olhei ao redor e não a vi... Ela estava digitando... Cadê essa mulher?!
“Tô no banheiro com Manu” foi a mensagem que ela mandou, como se soubesse que eu a procurava “chego já aí ”.
Meu sorriso se abriu, Taís me olhou e perguntou:
- Que sorriso é esse amiga? Viu algum crush aqui?
Eu apenas dei de ombro, já já ia ver Rafaella novamente. Olhava fixamente para a porta do banheiro, até que a vi saindo com Manu, ela estava perfeita com um vestido vermelho curto com uma pequena f***a do lado direito, não consegui parar de encarar.
POV Rafa Kalimann
Passamos o dia todo largadas na minha sala, conversando besteiras e vendo filmes aleatórios que Manu escolhia. Por volta das 20h recebi uma ligação, uma amiga me chamando para ir pra uma boate. Comentei com Manu que se animou. Eu realmente não tava reconhecendo minha amiga, ela tava muito empolgada pra sair e ir pra lugares que costumava não frequentar.
Chegamos no local por volta das 22h, havia um DJ no palco tocando suas músicas eletrônicas, confesso que não é meu estilo preferido de música.
Olhei ao redor e não acreditei quando a vi, ela estava com um look todo preto e tava linda demais, Manu pediu pra irmos no banheiro, tinha que ajeitar algo na maquiagem.
Por uma impulsividade e um momento insano de coragem a enviei uma mensagem no WhatsApp... Queria está perto dela e queria ainda mais que ela quisesse estar perto de mim.
Quando saí do banheiro, a morena me olhava fixo, fato que passou despercebido pela mais baixa que olhava cada canto do lugar admirada:
- Que lugar mais lindo Rafa! – foi tudo o que soltou enquanto continuava a observar.
A gente seguiu andando até que nos aproximamos do local em que a mulher estava.
- RAFAEEEEEEEELLA – Ivy gritou vindo me abraçar, eu retribui o abraço e antes que ela pudesse apresentar as mulheres que estavam com ela, Letícia se adiantou.
- Não tô acreditando nisso!!! Vocês de novo!!! Aaaaah – veio nos cumprimentar, sendo seguida por Taís e Tabata.
Gizelly ainda me encarava, quando me viu terminar de cumprimentar Marcela, se levantou e veio em nossa direção, abraçou Manu cumprimentando-a e em seguida veio até mim.
Meu corpo tremeu lembrando do último contato que havia tido com aquela mulher. Ela colocou sua mão em minha nuca, me puxando para perto, enquanto sua mão direita pousou em minha cintura, senti meu corpo ferver, tudo que consegui fazer foi colocar meu braço direito em volta de seu ombro, quando ela sussurrou em meu ouvido:
- Você tá mais gata que das últimas vezes que te vi – se afastou com um sorriso malicioso no rosto e eu apenas retribui com um sorriso envergonhado.
E novamente a noite ia ser longa...