Estou com vinte anos, Lilian com 18 e Linda com dezesseis, muito bem vividos. Das irmãs agora a única casada sou eu, e muito bem casada, meu marido é um verdadeiro príncipe e me trata como uma princesa, não sei o que seria de mim sem minhas irmãs e meu marido.
Meu casamento com Luan é mágico, nos conectamos de uma forma que eu não sei explicar, e isso me faz ter muito medo de perde-lo. Eu e meu sogro não estamos em uma boa fase, o mesmo quer que meu marido viaje com ele, para um lugar que eu não sei aonde é, e não quer me levar junto. O pior de tudo é que Luan quer ir, isso tem me deixado amargurada, não gosto de me sentir assim. Meu marido sai desde de cedo com seu pai e até agora não voltou, nem para abrir a borracharia. Limpo toda a casa, deixo almoço pronto e vou para casa de minhas irmãs, preciso me distrair um pouco. Chegou no portão da minha, e as duas já estão sentados batendo papo. Me aproximo pego um banquinho e sento ao lado delas, que me olham com olhar de desconfiança.
— Por que estão me olhando assim em?, aconteceu alguma coisa que só eu não estou sabendo?- pergunto nervosa.
— Irmã, você já sabe que o Luan saiu em missão com o pai dele?- Linda fala apreensiva, com medo da minha resposta.
Na mesma hora sinto minha cabeça doer, eu não acredito que Luan teve a coragem de fazer isso comigo. Tento segurar minhas lágrimas mas é em vão, na mesma hora minhas meninas vem ao meu encontro me abraçar.
— Não fica assim irmã, vai dar tudo certo. Quando meu cunhado chegar em casa, conversa com ele direitinho, vocês dois se amam muito. Mas é o pai dele né Laura você precisa compreender o lado dele. - Lilian fala calmamente.
— A questão aqui não é o pai dele em si, a Questão dele é o morro, daqui a pouco Luan vira bandido e a minha paz acabou, você está me entendendo. Noites sem dormir, sem saber se meu marido volta ou não, mulheres querendo fama e poder as custas dele. Eu não vou aguentar tudo isso juro que eu não vou.- falo chorando.
Minhas irmãs tentam me acalmar a todo custo, mas elas sabem que meu maior medo é perder meu amor, e sinto que isso está cada vez mais próximo. Vejo a vida da minha sogra e tenho pena, meu sogro e um galinha de marca maior, tem várias amantes na cara dura e minha sogra e obrigada a conviver com isso. Não acho graça nisso, a mulher que dedicou sua vida ao lado dela passar por isso. Talvez eu tenha cabeça da geração antiga, eu nunca vou tolerar isso, nunca mesmo. Camila chega e senta próximo a nos três, minha prima e esposa de um dos braços direto do meu sogro e paga muito caro por isso, ela n**a mas sabemos que Patrique a agride quase todos os dias, não sei como Camila Aguenta passar por isso, eu já teria pulado do barco a muito tempo.
— você já sabe?- a mesma fala sem me olhar.
— Já sei o que? - pergunto sem entender.
— Que Luan, foi com os meninos aqui do morro para sei lá pra onde. - fala de cabeça baixa.
— Sim, já estou sabendo da traição do meu marido.- falo tentando controlar minha raiva.
Cara eu não estou acreditando, todos sabiam menos eu. Como Luan pode fazer uma coisa dessas comigo, normal né, o corno é o último a saber das coisas. Tento ficar normal, mas minha mente não deixa. O tempo inteiro fica maquinado coisas para ser feitas quando Luan voltar, não quero ser igual minha sogra, nem muito menos igual Camila. Eu tenho certeza que Luan irá mudar depois que entrar para o tráfico, disso eu tenho certeza.
Estamos no portão da casa das minhas irmãs vendo as modas, começo a me preparar para ir embora, quando meu sogro passa com uma de suas tropas, o mesmo passa me olhando com um sorriso debochado, como se estivesse me dizendo eu venci. Meu sangue ferve no mesmo minuto, minha vontade era de derrubar o mesmo da moto. Não se contentando com seu sorriso debochado, para de frente para mim e me cumprimenta.
— E aí minha nora, orgulhosa do nosso menino, que está em sua primeira missão? - fala com seu sorriso estampado em seu rosto, enjoando o meu estômago.
— Eu que pergunto isso para o senhor, orgulhoso do seu filho ir pelo mesmo buraco que o senhor? - falo sorrindo.
na mesma hora, Paulo fecha seu sorriso irônico, um belo tapa sem mão. Monta em sua moto e vai embora sem me responder.
— Laura, você é Maluca ou o que garota, ele é dono do morro porra.- linda fala nervosa.
— E meu sogro, pai do meu marido. Fez graça, ganhou o que ele pediu. Não vou levar desaforo pra casa dele ou de ninguém Linda, admiro você falando isso pra mim. tão braba.- falo rindo.
— É diferente, ele é o dono do morro. Eu não quero morrer.- fala rindo.
Aproveito para ir pra casa, dou um abraço em cada uma e mando Camila se cuidar, como fico triste em ver minha prima assim. Chego em casa e vou logo almoçar, como já sei que Luan não vai chegar nem tão cedo né. Almoço, lavo a louça, vejo televisão e nada do tempo passar. Acabo dormindo deitada no sofá da sala.
Acordo assustada, pego meu celular e percebo que já é noite. Nada de Luan ainda, estou começando a ficar preocupada, meus Deus onde será que esse homem está, sinto meu coração apertadinho. Uma angústia, sei lá, parece que algo não está certo. Decido tomar um banho e ir para o portão para ver a movimentação da rua.
Chego no portão e minhas irmãs está lá, do mesmo jeito que eu as deixei. Pego meu banquinho e sento junto a elas, percebo que o morro está agindo e bem movimentado hoje, até fora do normal. Falo com as meninas que algo está estranho e elas concordam comigo. E para confirmar isso, Camila aparece desesperada pela rua, chorando feito louca.
— O que aconteceu Camila fala.- seguro minha prima pelos braços e a sacudir de nervoso.
— Patrique foi preso.- fala chorando.
Sinto uma pontada em meu peito, uma falta de ar. Tento fazer a pergunta de milhões mas não consigo. Fecho os olhos e crio coragem para perguntar.
— E o Luan?- pergunto com a voz embargada.
— Foi preso também.- fala de cabeça baixa.
Sinto as lágrimas rolarem por meu rosto, cara eu não acredito que estou passando por isso. Na mesma hora vou para a casa de meus sogros, preciso ver a mãe de Luan a mesma deve está arrasada nesse momento. Deixo as meninas e vou até o local, os seguranças de meu sogro estão no portão, avisto até pessoas que nunca vi na vida. Tento entrar mas sou barrada por um cara que eu não conheço, mas logo Digão me manda entrar e diz que sou mulher de Luan. Entro na casa, do portão já dá para escutar os gritos de minha sogra, impossível não chorar, ela lutou tanto para isso não acontecer e infelizmente aconteceu. Passo pela varanda e meu sogro está sentindo em sua poltrona de cabeça baixa, não digo nada. Passo por ele e vou direto para minha sogra que quando me mer vem correndo me abraçar.
— Meu filho Laura, está preso. O quanto que eu falei pra ele não entrar pra essa vida, e agora ele está lá, meu menino. Sozinho. - fala descontrola
Tento acalmar a mesma a todo custo, meu sogro entra com um copo com água e entrega em sua mão, mas minha sogra não aceita e jogo a água no rosto dele e quebra o copo no chão.
— Eu não quero água, quero o meu filho. Da o seu jeito e traga o meu menino de volta.- fala e sai da sala me puxando para o quarto.
Meu sogro fica parado no centro da sala sem reação. Entramos no antigo quarto de Luan, sentamos na cama, e minha sogra segura minha mão.
— Laura, por favor não abandona o meu menino. Minha única esperança para a mudança do meu filho é você. Eu sei que é difícil, ter um sogra como meu marido, mas pensa em mim minha filha, pensa em mim. Uma mãe que só quer ver seu filho bem.- fala e me abraça apertado.
Ficamos abraçadas por alguns minutos, descido ir embora e deixar dona Alice descansar um pouco, a mesma insistiu para que eu dormisse em sua casa mas preferi dormir em casa mesmo, vou pelas ruas de cabeça baixa. Chego em meu portão, olho e minhas irmãs não estão mais no portão então vou direto para casa, não quero encomodar ninguém, entro e vou direto para o banheiro, tomo banho e vou para cama, não tenho fome então prefiro dormir assim mesmo. Quem sabe amanhã não seja um dia melhor.