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1328 Words
Quando Naila acordou naquela manhã, a sensação de desespero ainda estava presente. A noite anterior parecia um pesadelo distante, mas o calor e a humilhação de Adrian Castellari ainda queimavam em sua memória. Ele queria comprá-la por uma noite de prazer em troca de meio milhão de dólares. Era uma proposta indecente, c***l e completamente absurda. Ela nunca imaginou que se veria diante de algo tão degradante, tão humilhante. Mas, no fundo, sabia que sua situação era complicada. A doença de sua mãe não dava trégua, e a cirurgia que Dona Rosa precisava exigia um valor que ela jamais conseguiria alcançar com seu salário como estagiária. Era um dilema constante — trabalhar de dia para a empresa e à noite em um bar, ganhando o que fosse possível, para tentar salvar a vida de sua mãe. Ainda assim, ela não podia simplesmente aceitar a proposta de Adrian. Isso era vender sua alma. Ela não dormiu bem, como de costume. Cada minuto na cama parecia uma eternidade. A dor física no peito não se dissipava, e ela sabia que o que estava por vir seria difícil. Enfrentar Adrian novamente, olhar nos olhos dele, depois de tudo o que aconteceu… o simples pensamento a fazia tremer. Mas a vida de sua mãe estava em jogo. E com ou sem medo, ela sabia o que tinha que fazer. Era impossível se esconder para sempre. Ela sabia disso. Quando Naila chegou ao escritório naquela manhã, a tensão estava visível em seu corpo. Cada passo que dava parecia mais pesado do que o anterior. Seu estômago estava em um nó, mas ela respirou fundo, tentando manter a compostura. A recepcionista sorriu gentilmente para ela, mas Naila apenas acenou com a cabeça e seguiu para o elevador, sem sequer olhar para os outros estagiários que passavam ao seu lado. O elevador parecia mais lento do que o normal. As luzes do hall de entrada se refletiam no vidro da porta, enquanto ela lutava contra a sensação de nervosismo que a fazia suar frio. Ela entrou na sala de trabalho e foi recebida pela voz familiar de Júlia. — Ei, Naila. Como você está? — Júlia perguntou, com um sorriso curioso. Ela parecia notar que algo estava errado. Naila forçou um sorriso fraco, tentando esconder sua inquietação. — Eu… não dormi muito bem, sabe? — disse ela, tentando manter a voz firme, mas as palavras soaram vazias. Ela odiava mentir, mas sabia que, se contasse a Júlia o que realmente aconteceu, poderia complicar ainda mais as coisas. Júlia a observou atentamente por um momento, mas aparentemente não percebeu a mentira. Ou talvez estivesse apenas sendo gentil. — Eu entendo. O trabalho tem sido pesado, né? Mas hoje vai ser um dia tranquilo, vai dar tudo certo. Naila assentiu, tentando dar a impressão de que tudo estava bem, mas sua inquietação interna não se dissipava. Ela m*l conseguia olhar nos olhos de Júlia, o que a fez sentir ainda mais desconfortável. Ela se sentou em sua mesa, organizando algumas papéis enquanto o escritório começava a ficar mais movimentado. Tinha que dar o seu melhor, não importava o que acontecesse. O último lugar em que ela queria estar era ali, sendo humilhada diante de todos, mas não podia perder o emprego. E então, como sempre acontecia, Adrian Castellari entrou na sala. Ele se fez notar imediatamente. Seu porte imponente, o olhar de quem sempre tem o controle de tudo… ninguém no escritório ousava respirar mais alto quando ele entrava. Sua presença simplesmente dominava o ambiente. Os estagiários, assistentes e até mesmo os diretores mais experientes pareciam automaticamente se endireitar, todos com a atenção voltada para ele. O que Adrian queria de cada um era claro: respeito absoluto. Naila sentiu as pernas fraquejarem ao vê-lo entrar. Ela sentiu o corpo gelar instantaneamente, como se estivesse prestes a ser chamada para um julgamento. Ela respirou fundo, tentando controlar a ansiedade. Não podia tremer na frente dele. Não podia mostrar fraqueza. Adrian olhou para a sala rapidamente, como se estivesse fazendo uma rápida avaliação de todos os presentes, mas seus olhos, inconfundíveis, pousaram diretamente sobre ela. A tensão entre eles parecia se expandir no ar. Naila não sabia como se comportar, mas sabia que precisava ser forte. Ele apenas a observou por alguns segundos, como se estivesse tentando descobrir o que ela estava pensando. Depois, como se nada tivesse acontecido, ele se dirigiu a sua própria mesa. — Bom dia a todos — disse, com sua voz grave e firme, mas sem direcionar nenhuma palavra a ela diretamente. — Vamos começar o dia com eficiência. Naila sentiu um alívio temporário ao ver que ele não parecia ter a intenção de falar com ela naquele momento. Ela sabia que tinha mais o que fazer, que precisava se concentrar em organizar relatórios e no trabalho, sem deixar que a humilhação da noite anterior tomasse conta de suas ações. O dia passou devagar, mas Naila estava determinada a se manter focada. Ela organizou os documentos, respondeu aos e-mails e ajudou no que foi necessário, sem deixar transparecer a tensão que ainda a acompanhava. Durante o intervalo do almoço, Júlia a abordou novamente. — O que aconteceu ontem, Naila? Você não está muito bem. Sei que algo está errado. — Ela falou, com um tom de preocupação genuína. Naila olhou para ela, e por um momento considerou contar a verdade. Mas, novamente, a fragilidade que ela sentia parecia ser algo que ela não podia compartilhar com ninguém. Afinal, Adrian Castellari era seu chefe, e o que ele lhe dissera à noite ainda ressoava em sua mente. — Eu realmente não dormi bem, Júlia. Isso é tudo. Só estou tentando me concentrar no trabalho hoje. Júlia não parecia totalmente convencida, mas não insistiu. — Tá bom… mas se precisar de algo, pode me chamar, tá? Naila sorriu timidamente, grata pela compreensão da colega. O dia seguiu sua rotina, com algumas interrupções para mais reuniões e pequenas demandas, mas, ao longo de todo o expediente, o que mais pesava em Naila não era o trabalho em si, mas sim a presença de Adrian Castellari, que parecia sempre estar por perto, observando, avaliando. Era como se ele estivesse sempre perto, testando os limites dela sem que ela percebesse. Naila tentava se manter focada, mas, a cada vez que seus olhos cruzavam com os dele, a sensação de desconforto aumentava. Ela sentia que ele estava observando mais do que o necessário, como se estivesse à espera de algo. Quando o relógio finalmente marcou o final do expediente, Naila sentiu um alívio enorme. Ela havia superado o dia, mantido a compostura, e mais importante, não havia sido humilhada na frente de todos. Ela sabia que o medo de ser demitida estava sempre presente, mas conseguira passar o dia sem grandes problemas. Ela pegou sua bolsa e começou a se levantar, mas antes de sair do escritório, Adrian Castellari surgiu na sua frente novamente. — Naila. — Ele disse, de forma calma, mas ainda firme. — Vejo você está se saindo bem. Eu espero que continue assim. Não quero que você se perca no caminho. Naila engoliu em seco, tentando controlar sua respiração. — Obrigada, senhor — respondeu, com a voz mais firme do que se sentia. Ele fez um gesto, como se estivesse dispensando-a, mas antes de sair, ele a olhou mais uma vez. — Vamos ver se continua assim, não é? Naila sentiu um arrepio ao ouvir aquelas palavras. Não sabia se era uma ameaça disfarçada ou apenas mais uma observação de sua parte. O que ela sabia é que, apesar de ter mantido o emprego e superado o dia, o peso do que havia acontecido nas últimas 24 horas não parecia ir embora. Ela caminhou rapidamente até a saída, sentindo-se exausta. Ao sair para a rua, a brisa fria da noite tocou seu rosto, e por um momento, ela se sentiu grata por estar livre daquele ambiente. Mas, como sempre, sabia que a luta estava apenas começando.
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