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1148 Words
O dia estava começando bem, ou pelo menos, parecia. Eu ainda estava tentando absorver o fato de que Adrian Castellari não me demitira após a recusa à sua proposta horrível. Pelo contrário, eu havia sido promovida de estagiária a funcionária efetiva na Castellari Global. Por um momento, a sensação de alívio me dominou. Eu tinha um emprego estável, finalmente. E o salário, embora modesto, dava para cobrir as contas do mês. E, com o que eu ganhava trabalhando no bar à noite, talvez, apenas talvez, eu conseguiria pagar uma parte da cirurgia de minha mãe. Talvez um empréstimo também ajudasse. Eu sabia que estava longe de conseguir a quantia completa que precisava para a cirurgia, mas a felicidade momentânea de ter um emprego fixo, de ser reconhecida pelo meu trabalho, era suficiente para me dar esperança, mesmo que por um curto período. Eu estava tentando me concentrar nas pequenas vitórias, mas algo me dizia que aquela felicidade não duraria muito. Eu estava no intervalo do almoço, comendo uma refeição simples, mas reconfortante, quando recebi uma chamada que me fez congelar. Era do hospital. Eu sabia o que aquilo significava antes mesmo de atender. Minha mãe, a mulher pela qual eu estava lutando todos os dias, estava piorando. — Alô? — Minha voz saiu fraca, sem saber se queria realmente ouvir a resposta. Do outro lado, a voz do médico era grave. — Senhorita Andrade, a situação de sua mãe piorou. Ela precisa de uma cirurgia urgente. Precisamos de sua autorização para realizá-la amanhã. O dia de hoje será usado para tentar estabilizar sua condição, mas precisamos agir rapidamente. Eu senti meu coração afundar. Manhã? Isso não era possível. Como em um dia só eu conseguiria 250 mil dólares? Senti um aperto no estômago e, sem perceber, a comida no meu prato perdeu totalmente a graça. Eu mordi o lábio para não deixar as lágrimas caírem enquanto ainda estava no restaurante com os meus colegas. Júlia, que estava sentada ao meu lado, percebeu a mudança em meu comportamento e se inclinou para falar comigo. — Naila, o que aconteceu? Você está tão pálida. — A preocupação em sua voz foi imediata, como uma amiga verdadeira. Eu respirei fundo antes de falar. — É minha mãe. A situação dela piorou. Eles disseram que ela precisa de uma cirurgia urgente amanhã. Não sei o que fazer, Júlia. Eu não tenho esse dinheiro. Eu tentei disfarçar o pânico em minha voz, mas era impossível esconder a desesperança. O olhar de Júlia ficou ainda mais sério, e sem hesitar, ela falou com a mesma determinação de sempre. — Eu vou te ajudar, Naila. Vamos para o hospital agora. Ela se levantou imediatamente e foi até o caixa, pagou sua refeição e me fez companhia durante o trajeto até o hospital. Não havia como recusar, e naquele momento, eu não tinha forças para tentar. Eu sabia que precisava de ajuda. Mais do que nunca, precisava que alguém ao meu lado me desse um pouco de alívio. Chegamos ao hospital, e eu m*l conseguia respirar ao ver Dona Rosa deitada em uma cama, visivelmente frágil e enfraquecida. Ela estava rodeada por médicos e enfermeiros tentando estabilizá-la para o procedimento de amanhã. O médico responsável me viu e se aproximou, fazendo sinal para que saíssemos do quarto, já que não podíamos entrar devido ao estado grave de minha mãe. — Senhorita Andrade, nós vamos tentar estabilizá-la até amanhã. A cirurgia precisa ser feita o mais rápido possível. O quadro dela está crítico. — Ele me olhou com um semblante sério. — Por favor, autorize a operação para amanhã. Se não, corremos o risco de perder a oportunidade. Eu não sabia o que fazer. Eu não tinha o dinheiro. O que eu faria? Como explicar que, apesar de estar tão desesperada, não podia pagar pela vida da minha mãe? Uma vida que dependia de mim. Júlia permaneceu ao meu lado o tempo inteiro, tentando me dar algum tipo de apoio emocional, mas eu sabia que ela não poderia resolver meu problema financeiro. Quando o médico se retirou, Júlia me conduziu até uma das cadeiras na sala de espera. Fiquei ali, com as mãos entrelaçadas, tentando entender como minha vida havia chegado a esse ponto. Júlia, percebendo meu estado, sentou-se ao meu lado. — Naila, nós vamos encontrar uma solução. Sei que é difícil, mas você não está sozinha. Eu vou ajudar você, de qualquer maneira. Não vou deixar que você passe por isso sozinha. Eu agradeci com um olhar, tentando disfarçar as lágrimas que estavam ameaçando cair. Foi então que, após algum tempo em silêncio, os pensamentos começaram a tomar conta da minha mente de uma forma descontrolada. Lembrei-me da proposta absurda de Adrian. Eu estava perdida em minhas emoções, sem saber por onde começar. Adrian… Ele era uma solução, não a melhor, mas uma solução. A ideia de vender minha virgindade em troca de meio milhão de dólares parecia tão repulsiva, tão desonesta, mas, no fundo, eu sabia que talvez fosse a única chance de salvar a minha mãe. Eu estava desesperada, sem opções, e as palavras de Adrian voltaram à minha mente: "A noite de prazer em troca de meio milhão". Não… eu não poderia fazer isso. Não seria possível. Mas, ao mesmo tempo, o que mais eu tinha a perder? Eu já estava no fundo do poço. Minha mãe precisava dessa cirurgia amanhã, e eu não sabia onde mais procurar dinheiro. Eu fechei os olhos e tentei não pensar mais nisso, mas as lembranças de Adrian e sua proposta começaram a invadir minha mente como uma onda irresistível. A dor e o desespero foram tão intensos que eu nem percebi o tempo passar. Quando olhei para o relógio, Júlia já estava se despedindo, dizendo que precisaria ir para casa. Ela me abraçou com firmeza, me desejando forças. Sozinha, com o peso do futuro da minha mãe nas minhas mãos, eu não conseguia parar de pensar no que fazer. E, enquanto eu refletia sobre tudo isso, ouvi um barulho de motor vindo do lado de fora da porta do hospital. Não sabia o que estava acontecendo, mas, ao olhar pela janela, vi um carro luxuoso estacionando na entrada do hospital. Meu coração disparou. Não pode ser. O carro parou exatamente onde eu estava. Quando a porta do carro se abriu, não pude acreditar no que vi. Era o motorista de Adrian. Ele me olhou e, com um sorriso impassível, fez um gesto com a mão. — Entre no carro. O patrão está te esperando. Eu senti um frio na espinha. Não podia ser uma coincidência. Ele estava aqui. Agora. Quando eu mais precisava de respostas, de dinheiro para salvar a vida de minha mãe, ele apareceu novamente, como se tivesse tudo sob controle. Eu não sabia o que fazer, mas minhas mãos tremiam e, sem poder recusar aquela oferta de ajuda, entrei naquele maldito carro.
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