Algumas semanas haviam se passado desde que Tyler começara a se integrar mais profundamente nos Coven. Ele ganhava a confiança dos membros aos poucos, especialmente de Leonardo, que observava cada vez mais satisfeito os progressos e a lealdade aparente do infiltrado.
Os treinos com Lucy haviam se tornado uma rotina diária. Não apenas técnicas de combate corpo a corpo eram praticadas, mas também intensos treinos de tiro. O garoto mostrava habilidade e dedicação excepcionais, reforçando a confiança que já começava a surgir.
A manhã começou com o som seco e repetitivo dos tiros no campo de treinamento dos Coven. Lucy e Tyler, ambos concentrados, visavam alvos moventes, ajustando a respiração e controlando as descargas de adrenalina.
— Vamos ver se você consegue acertar esses — disse Lucy, com um leve sorriso competitivo.
Tyler, sem perder tempo, posicionou-se e desferiu uma série de tiros precisos, atingindo os alvos em cheio.
— Nada m*l. Está melhorando — Lucy admitiu, relutantemente.
— Tenho uma boa professora — retrucou, com um meio sorriso. As dinâmicas de confiança e desafio entre eles haviam se tornado parte do desenvolvimento dos dois.
A morena esboçou um sorriso orgulhoso, embora ligeiramente contido. Os treinos juntos estavam não só aprimorando suas habilidades, mas também forjando um vínculo de respeito mútuo, mesmo que manchas de desconfiança ainda pairassem no ar.
Eles estavam prestes a iniciar outro “round” quando o celular de Lucy começou a vibrar na mesa ao lado. Ela pegou o aparelho, logo notando o tom sério de Leonardo do outro lado da linha.
— Temos um problema. Um dos sentinelas avistou um grupo grande dos Griffins se movendo rapidamente em direção ao nosso território. Eles estão carregando armamento pesado. Precisamos de todos em suas posições imediatamente — disse, sua voz carregada de urgência.
Lucy sentiu imediatamente a adrenalina correr por suas veias e não pôde evitar o sorriso que tomou conta dos seus lábios. — Estou a caminho. — desligou e virou-se para Tyler, que a olhava com uma expressão de antecipação.
— Problemas? — Tyler perguntou, compreendendo a mensagem não dita.
— Griffins. Estão vindo em nosso território, armados. Prepare-se — respondeu, seus olhos brilhando com uma mistura de adrenalina e determinação.
Os dois rapidamente recolheram o equipamento de treino e correram para o centro de comando. Leonardo já havia reunido seu grupo principal, e delineava os detalhes do confronto iminente.
— Os Griffins estão vindo. Não será uma visita amigável. Preparem-se para o pior. Tyler, você estará na linha de frente ao meu lado. — Leonardo olhou profundamente nos olhos de Tyler, buscando mais do que aceitação: procurava lealdade inabalável.
— Estou pronto. Vamos mostrar a eles do que somos capazes — respondeu Tyler, sem vacilar.
O tempo corria. Em questão de minutos, todos estavam armados e posicionados, prontos para defender seu território.
A primeira explosão rasgou o ar, seguida por uma chuva de balas. O campo de batalha improvisado se transformou em uma zona de guerra. Tiros ecoavam, erguendo nuvens de poeira e detritos, e gritos podiam ser ouvidos em meio ao caos.
Tyler seguia Léo de perto, seus movimentos eram precisos e mortais. Ele cobria as brechas deixadas pelos companheiros e eliminava todos os Griffins com uma tranquilidade calculada. Sua vivência anterior e o treinamento com Lucy o haviam tornado uma força implacável no campo.
— Tyler, à esquerda! — gritou Leonardo, apontando para um flanco onde os Griffins pareciam estar ganhando vantagem.
O mesmo rapidamente ajustou a posição e lançou uma série de tiros, neutralizando a ameaça.
Em outro ponto, Lucy também mostrava sua destreza. Com miras certeiras, derrubava inimigos enquanto se movia entre as barreiras. A batalha era feroz e o tempo parecia dilatar-se.
O confronto tomou um rumo ainda mais violento quando os Griffins trouxeram reforços. Granadas de fumaça, coquetéis molotov e outras armas improvisadas começaram a voar. Os Coven, porém, bem treinados e determinados, responderam com táticas superiores e coordenação.
Um dos momentos mais críticos ocorreu quando alguns inimigos conseguiram romper a linha de defesa e avançar em direção à base. Leonardo, Lucy e Tyler precisaram agir com rapidez e precisão para minimizar os danos e retomar a vantagem.
Na linha de frente, corpo a corpo, Tyler encontrou um dos líderes Griffins. O embate foi brutal — socos, golpes e tiros, num duelo sobre-humano de resistência e vontade de sobreviver. Finalmente, em um movimento preciso e calculado, o garoto conseguiu desarmar e neutralizar o oponente, provando mais uma vez sua eficácia e valor para os Coven.
Leonardo, observando à distância, sentiu uma crescente confiança no novo recruta. Tyler, sujo e exausto, mas de pé, havia provado sua lealdade com sangue.
Lucy avançava, liderando a carga final que levou à retirada desordenada dos inimigos. O som de tiros e explosões gradualmente diminuía enquanto a poeira assentava, revelando um campo salpicado de corpos e feridos.
— Recuem! — gritava um dos remanescentes dos Griffins, enquanto fugia em desespero.
A batalha havia custado caro para ambos os lados, mas os Coven permaneciam de pé, tendo defendido com autoridade seu território. Leonardo aproximou-se de Tyler, que ainda recuperava o fôlego.
— Bom trabalho. Você provou o seu valor hoje. — Léo estendeu a mão num gesto de agradecimento e reconhecimento.
Tyler apertou a mão do moreno firmemente, com uma sensação de missão cumprida.
À noite, de volta à sede, os irmãos De Lucca e Tyler avaliavam os estragos e pensavam nos próximos movimentos. As cicatrizes do embate ainda frescas, mas a confiança em Tyler agora mais profunda.
— Ele não só se adaptou, como também provou ser um ativo valioso — disse Leonardo a Lucy, enquanto olhavam Tyler de longe.
Lucy, ainda cautelosa, assentiu.
— Parece que ele está do nosso lado, pelo menos por enquanto. Vamos manter os olhos abertos, mas hoje... hoje ele foi um dos nossos.
Enquanto Verona mergulhava na escuridão, a batalha daquele dia era um lembrete da brutalidade do mundo subterrâneo. Tyler estava agora mais profundamente imerso no jogo mortal dos Coven, conquistando confiança e provando sua lealdade em um campo manchado de violência e sangue. As linhas eram tênues, as alianças frágeis, mas por ora, Tyler estava com os De Lucca, forjando um caminho incerto através da guerra.