RAVEN CHEGOU À LONDRES ATRAVÉS DE UM PORTAL. Ela nunca tinha viajado para a Inglaterra, nunca nem pensou na cidade como um lar, mas depois que sua vida virou de cabeça para baixo e ela conheceu a Ordem da Luz e diversos Feiticeiros das Trevas e inclusive seu pai, e percebeu que todos eram britânicos, ela concluiu que havia nascido lá. Também era inglesa. Isso mudava completamente o que sabia sobre suas origens.
Com um novo mapa da cidade, ela fez um outro feitiço localizador e descobriu que seu pai estava na Red House, um ponto turístico na área reservada de Londres.
Ela fez um portal até o local e chegou do lado de fora, observando a casa. Ela viu que era cercada por Feiticeiros das Trevas. Ela pensou rapidamente num plano e começou a caminhar até à entrada do casarão, onde ela logo se viu cercada pelos guardas de seu pai que lhe apontavam armas.
– Afaste-se! – um deles avançou até ela com a a**a apontada para Raven, que nem se mexeu.
– Afaste-se você. – ela apontou um dedo para ele e deu um sorriso maligno – Avisa pro papai que eu cheguei e quero meus biscoitos com leite fresco.
Eles se entreolharam e o que andou até ela a analisar por completo.
– Chama a Grande Sombra. Diz que a Raven está aqui. – o homem falou para um de seus companheiros que foram para dentro do casarão – Qual o seu objetivo aqui?
– Conversar. – ela foi sincera – Não vim pra lutar ou m***r ninguém. A não ser que seja preciso. Por quê? Tá se sentindo ousado, Feiticeiro das Trevas?
O homem apenas a encarou e ela sorriu, sabendo que ele não podia encostar nela.
– Raven! É tão revigorante ver que você finalmente viu a luz da razão e veio me procurar. – a Grande Sombra apareceu na entrada da casa e os Feiticeiros das Trevas se afastaram quando ele se aproximou dela – Entre, por favor.
Ela passou por ele, entrando no enorme casarão e se surpreendendo com seu interior.
– Se por "luz da razão" você se refere à sua ameaça contra a minha família, então, sim. Pode se dizer isso. – ela retrucou, afiada como sempre
Raven aproximou-se de uma mesa com cadeiras e virou para seu pai.
– Eu sei porque você veio. – ele falou, andando ao redor de Raven com um sorriso no rosto.
– Sabe? – ela ergueu as sobrancelhas, o desafiando.
– Você veio saber sobre sua mãe.
Raven deu uma risada pretensiosa e ele virou a cabeça de lado.
– Você deve me achar uma otária mesmo. Achou mesmo que eu viria aqui sem saber quem é a minha mãe? – ela andou até seu pai e parou de sorrir – O nome dela é Selene.
– Então você sabe. – ele perguntou e Raven assentiu. Ele colocou as mãos para trás e assentiu, olhando em volta – E como você reagiu ao saber que já a conhecia?
Raven se sentiu encurralada. Era uma surpresa para ela que conhecia sua mãe.
– Foi como se espera que seja. – Raven puxou uma cadeira e se sentou, sentindo a adrenalina subir em seu corpo.
Sebastian observou o comportamento de Raven e se sentou também, rindo.
– Tá mentindo. – ele a acusou – Sabe, quando o assunto é intimidar e ameaçar, devo confessar que você é igualzinha a mim. Mas quando se trata de mentir, você é igual à sua mãe. Saber o nome dela não quer dizer que sabe quem ela é.
– Você disse que ela tá perto de mim. – Raven só conseguia pensar em uma pessoa – Mas n******e ser ela.
– Se ao menos você soubesse quem Celeste foi, já saberia quem é sua mãe. – ele sentou-se mais próximo dela – Saberia que você a conhece. Que conversou com ela e ela não te reconheceu. Saberia que Selene Hex era a filha de Celeste. A sua mãe é a Feiticeira Celestial.
A garganta de Raven fechou e ela olhou para o chão, tentando absorver as palavras da Grande Sombra e não demonstrar o quanto aquilo a perturbou.
– Por que ela não me disse nada? – Raven perguntou.
– Damnatio memoriae. – ele disse olhando nos olhos de sua filha – O mais antigo feitiço de memória. Poucas pessoas sabiam que nós éramos casados e que tínhamos uma filha. Só quem sabia era Celeste, alguns dos meus Feiticeiros, Cornelius e Lucy Redsteel. Pra proteger a sua localização, Selene apagou da memória de todos, inclusive da dela, que fomos casados e que ela é sua mãe.
– Por que você não esqueceu?
– Porque eu sou seu pai. – ele tentou forçar mas logo deu de ombros – Feitiço de imunidade. Eu imaginei que ela ia tentar me fazer esquecer de você então me protegi contra a magia dela.
– Pode ser revertido? Ela pode se lembrar de mim? – Raven quis saber e ele franziu o cenho.
– Você se importa tanto assim com ela? – ele quis saber – Ela mentiu pra você, apagou você das memórias dela.
Raven baixou os olhos e em seguida olhou fundo nos dele.
– O que quer que seja que ela tenha mentido sobre, foi por um bom motivo. Ela viu a própria mãe ser morta por você. – Raven o enfrentou – Se isso não é o suficiente pra querer fazer de tudo pra proteger a filha, eu não sei o que é.
Sebastian respirou fundo, contrariado, mas aceitou o d****o da filha.
– Se é isso que você realmente quer, tem um jeito de você reverter o feitiço. Sua magia está conectada com a dela, você é uma Celestial. – ele contou – Mas, se eu te ajudar, você tem que fazer algo por mim.
– O que você quer? – ela perguntou, friamente.
– Quero que fique. Me ajude a conquistar meu objetivo. – ele pediu e Raven se silenciou por um segundo, recostando-se na cadeira.
– Tá bom. Parece justo. – ela se inclinou para frente – Agora, me conta como se desfaz o feitiço.
Sebastian sorriu e se ergueu, a convidando a segui-lo. Raven o obedeceu, subindo as escadas com ele. Chegando no corredor, ele abriu a porta de um dos cômodos e revelou uma suíte incrível. Medieval e também moderna. Raven adentrou na suíte, boquiaberta.
– Descanse por enquanto. – a Grande Sombra falou com as mãos nos bolsos enquanto sorria para ela – Mais tarde iremos jantar e depois eu te ajudo a fazer o feitiço.
Ela assentiu, sentando-se na cama. Ele sorriu para ela e parou na porta, antes de sair.
– Você pode não acreditar, Raven, mas estou realmente feliz que você está aqui. – ele falou, saindo.
Raven suspirou e deitou-se na cama, olhando para o teto. Ela tomou forças para se erguer e andou até o guarda-roupas. Ela não conseguiu conter a risada ao encontrar um vestido de veludo, gola alta, manga curta e saia até o tornozelo, na cor vermelha. Ele realmente não conhecia os gostos dela.
Raven se deu por vencida e foi tomar um banho para vestir o vestido tão bonito que seu pai escolheu. Quando estava pronta, um Feiticeiro das Trevas bateu na porta dela e disse que a acompanharia até à mesa de jantar. Ao chegar lá, estava servido um banquete na enorme mesa de jantar. Raven ficou impressionada, nunca havia visto tanta comida.
– Minha filha, você está belíssima, como sempre. – Sebastian andou até ela e puxou a cadeira para que Raven sentasse – Nossos convidados já estão chegando.
– Espera, você não disse nada sobre convidados. – Raven protestou o notar mais dois lugares vazios na mesa, um ao lado dela.
– Não disse? Bom, devido ter me escapado. Ah, aqui está ela! – ele estendeu a mão para alguém atrás de Raven e ao olhar, ela encontrou uma jovem mulher de longos cabelos castanhos acobreados e olhos azuis acinzentados. A mulher vestia um longo vestido cinza – Maggie, como é bom te ver de novo!
– É bom te ver também, Sebastian. – a mulher sorriu para ele e o olhar para Raven, ela congelou e arregalou os olhos, apavorada por um instante.
Margaret Wallheart

– Maggie, essa é minha filha, Raven Maxim. Raven, essa é a senhorita Margaret Wallheart. – Raven se ergueu e apertou a mão da mulher, que tentava disfarçar, mas ainda estava olhando estranho para Raven – Parece que nossos convidados já chegaram.
Dois homens se aproximaram da mesa, cada um vestindo um terno com gravatas de cores diferentes.
– Sebastian, meu velho amigo. – um deles que tinha um cabelo ralo e grisalho sorriu e apertou a mão do pai de Raven.
– Zokhan, é um prazer vê-lo novamente. – Sebastian sorriu – Acredito que ouviram falar de Maggie Wallheart, minha querida amiga.
– Srta. Wallheart, é um prazer. – Zokhan apertou a mão de Maggie que estava ainda com aquela expressão estranha – Christopher Zokhan.
Ela sorriu para ele, mas ela começou a tremer quando apertou a mão do outro homem.
– Rassun Moonglider. – ele se apresentou para Maggie e Raven arregalou os olhos, chocada.
Rassun Moonglider

– Você é o pai da Diamond. – Raven percebeu e o homem de cabelos castanhos e olhos verdes a encarou, sério. Como se ela fosse uma qualquer.
– E você quem é?
– Raven Maxim. – a ruiva se apresentou para ele com o nome de seu pai e um sorriso pretencioso no rosto. Rassun olhou para Sebastian, incrédulo e a Grande Sombra apenas confirmou.
– É uma honra conhecê-la, srta. Maxim. – eles sorriram e se sentaram – Você conhece a minha filha?
– Conheço. – Raven assentiu – Acho que pode se dizer que somos quase amigas. Eu gosto dela, e acho que ela está começando a gostar de mim.
– Diamond pode ser uma garota difícil. – Rassun riu enquanto tomava um gole de seu vinho – Mas fico feliz que finalmente decidiu se juntar ao seu pai, srta. Maxim. Queria que minha filha também seguisse meus passos, mas acho difícil. Diamond é muito mimada e só pensa nela mesma.
– Se esse fosse o caso ela não estaria todo dia arriscando o pescoço dela pra ir contra o pessoal do meu pai. Sinto muito, sr. Moonglider, mas Diamond pode ser tudo menos egoísta. – Raven o enfrentou e um silêncio constrangedor tomou conta da mesa de jantar.
– Vamos fazer um brinde? – Sebastian falou e eles concordaram, erguendo as taças – À minha filha e novas alianças.
Eles fizeram o brinde e beberam o líquido, começando a comer. Os homens conversavam o tempo todo sobre coisas corriqueiras e até pessoas, e isso os deixou distraídos o que deu oportunidade para Maggie falar com Raven.
– Obrigada. – ela murmurou de uma forma quase inaudível.
Raven olhou para ela confusa, sem entender.
– Pelo quê?
– Por me defender. – Maggie olhou fundo nos olhos de Raven e a ruiva a reconheceu. Aquela não era Margaret Wallheart, era Diamond Moonglider.
– Disponha, srta. Wallheart.
Depois do jantar, os homens foram embora e Maggie foi para seu quarto. Aparentemente, ela era uma hóspede frequente na casa de Sebastian Maxim.
– Você se saiu muito bem, Raven. – Sebastian conduziu sua filha até um quarto pequeno e escuro, onde havia um círculo de sal, algumas runas desenhadas ao redor e um cristal no centro – E agora, a minha parte do trato.
– Esse é...?
– O Cristal do Poder. – Sebastian olhou para Raven e sorriu – Precisamos dele pois ele contém a assinatura mágica da Selene. Tá pronta pra começar?
Raven respirou fundo e assentiu.
– Lux in lucerna. – ele falou e as velas espalhadas pelo quarto acenderam. Raven e Sebastian ficaram de frente um para o outro, deixando o círculo no centro deles – Magicae Selene signature revelare.
Ele revirou e uma brisa começou a circular ao redor deles quando o Cristal se iluminou. Sebastian esticou as mãos para que Raven as segurasse mas ela apenas o encarou.
– Pro feitiço dar certo, você tem que me canalizar. É o único jeito. – ele falou e ela se deu por vencida, segurando as mãos dele. O vento começou a ficar mais forte e o chão vibrava. Os olhos de Raven brilharam na cor vermelha enquanto ela deixava sua magia fluir – Agora repita: subsequo memoriae.
– Subsequo memoriae. – Raven obedeceu e a atmosfera começou a pesar.
– Oblivioni memoriam reducet. – ele falou e Raven repetiu novamente – Ne pueri hoc verum cognoscere.
Raven repetiu as três frases que seu pai lhe deu por cinco vezes. A cada vez que repetia, o chão tremia mais, o vento piorava e a temperatura subia cada vez mais.
Até que na sexta vez que recitou o feitiço, o Cristal se iluminou como nunca, quase os cegando e então, se apagou. O vento foi embora, o chão parou de tremer e a temperatura estabilizou.
Com a força daquele feitiço, Raven caiu no chão, desorientada.
– Raven! – a Grande Sombra correu até ela e a segurou no chão. Ela estava fraca e quase desacordada – Você está bem?
– Eu não sou forte o bastante pra fazer isso. – ela murmurou, se sentando no chão com dificuldade – O feitiço me drenou por completo. Eu falhei.
Naquele momento, um trovão ressoou no céu. Sebastian olhou para a janela e com um aceno de sua mão abriu as cortinas. Uma tempestade estava se formando. E no meio dela, as nuvens formavam um redemoinho e de dentro dele brilhava uma luz.
– Não, filha. Você não falhou. Olhe. – ele a ajudou a levantar e andar até à janela. Ao olhar para o redemoinho, viu que de dentro dele saiu dois homens e uma mulher vestida de branco – Ela veio por você.