Capítulo 04 Granada

1031 Words
Granada Narrando Granada:— CARÄLHOOOOOO, PUTÄ QUE PARIU! — dou um pulo da cama com os fogos estourando no céu. — Quem será que tá subindo essa porrä a essa hora da manhã? — pego o celular e vejo: seis horas da manhã. Entro no closet correndo, coloco só uma bermuda, enfio um tênis no pé, pego uma camiseta, um cinto de munição, dois fuzis que atravesso nas costas, minha Glock, o radinho e o celular. O rádio já começa a apitar e os rojões ficam mais intensos. Desço as escadas correndo até a área externa da casa, jogo uma água no rosto, seco com a camiseta e a jogo de volta no ombro, pegando a chave da moto. m*l saio de casa e já começa a trocação. Tô indo o mais rápido que posso, tentando chegar na boca, mas o bagulho tá ficando intenso. Eles tão entrando grandão, certeza que a Penha inteira tá cercada. Bomba: — Putä merda, tão botando pra lascar! — Bomba grita no rádio. Paro num ponto estratégico, já subo na laje fazendo sinal pros cria que começam a se espalhar. Bomba: — CARÄLHO, SEM COLETE, PUTÄ QUE PARIU! — Bomba grita, e eu faço sinal pra ele vazar, me abaixando numa brecha. Granada: — VAI, PORRÄ! SE POSICIONA! VOU SÓ TENTAR TER UMA VISÃO DOS ARROMBADOS E JÁ VOU AO ENCONTRO! — falo pegando o rádio. Rádio On Granada: — Caraí, dá a visão, quem tá subindo essa porrä? — pergunto, já pedindo o parecer da barreira. Farelo:— Chefe, tô voltando pra lá agora — responde Farelo, que tava fora do posto. Granada: — NÃO ACREDITO NESSA PORRÄ! NO DIA DA INVASÃO, TU TÁ FORA DO POSTO, CARÄLHO! — grito, sem paciência. Farelo sempre grilado com as ameaças, e justo hoje o cara tá fora do posto. Farelo:— Tava só ajudando a enfermeir... — corto ele no rádio. Pequeno:— Eles tão subindo com tudo, chefe. Vieram pra esbagaçar geral. Quando estouramos os fogos, já estavam quase dentro — Pequeno responde rápido, do jeito que gosto. Granada:— Dá pra aguentar aí? Vou ficar aqui até ter uma visão do que tá rolando. Pequeno:— Aguentar não sei, chefe, mas nós tamo aqui pra isso, né? Vestiu o colete, agora é dar o peito pra guerra. Simbora! — ele responde, e o rádio fica mudo. Rádio Off Esses arrombados tão de olho no nosso morro. Meus bagulhos tudo no certo, mas sempre tem filho da putä de olho grande. Se for o Bene, vai tomar no cü. Ele não subiria direto, mas com certeza mandou alguém. Farelo tem raiva porque sabe que o Bene tá por trás daquela chacina que rolou na Penha. Granada:— CUIDADO AÍ, PORRÄ! — grito pra prima do Farelo, pulando da laje do lado dela. Xx:— Nossa, chefe, me assustou! — ela tenta encostar o corpo no meu, e aí percebo que deixei a blusa lá na laje. Granada:— O que tu tá fazendo aqui no meio do fogo cruzado, carälho?! — encaro ela, estreitando os olhos. Xx— Não sou herdeira nem fiel do dono do morro — ela pisca, achando que é alguma coisa. A mina tá cansada de sentar pra geral e acha que vai ser fiel de alguém. —Vai pra casa, c*****o!— dou um empurrão nela, jogando-a na calçada assim que percebo os tiros na nossa direção. — Vaza, p***a, depois morre e a culpa é de quem? Do dono do morro, claro, e aí fica a fama com o Zé Povinho, principalmente nas redes. — Abaixa, p***a! — um vapor grita com os trabalhadores na rua. O pai de família que acorda cedo pra trampar se depara com essa merda. Entre 6 e 7 da manhã é quando a favela tá acordando: guerreiros saindo pra trampar, crianças indo pra escola, comércio abrindo. Eles escolheram a melhor hora pra f***r com a gente. — A minha mãe! A minha mãe! — ouço uma criança chorando, e a velha do bar corre na mesma direção que eu. — Deixa comigo, chefe! — ela abraça a criança e corre pro outro lado da rua, entrando no beco. — VAMOS VER QUAL É NESSE c*****o! — grito, já atirando na direção dos tiros. — É o BOPE, chefe. Tão pesadão, do lado de fora do morro tem quatro caveirões. Pelo jeito, vão montar acampamento — Bomba chega com o braço sangrando. Rádio On — SE NÃO FOR PEDIR DEMAIS, VAMOS PRECISAR DE TODOS OS HOMENS! — Pequeno grita no rádio, e eu faço sinal pra acionar os homens. — Vou trocar uma ideia com DK, saber o que tá rolando. — falo, ouvindo a trocação. — Tamo aguentando aqui, mas não sei até quando. — sinto as costas de Bomba encostarem nas minhas, e ele faz sinal de silêncio. — Chegando aí, simbora! — falo, colocando o rádio no bolso. Rádio Off Bomba:— Esses desgraçados não mostram a cara. Só sobem e metem bala no que acharem na frente, mas mostrar a cara? Isso não fazem — Bomba comenta, fuzil apontado. — Subiram rápido. Tramaram tudo na calada da noite, esses filhos da putä. Granada:— NEM MAIS UM PASSO! — grito, vendo o Farelo no telhado da outra esquina. Xx:— Tá se achando, né, Leo? — alguém me chama pelo nome. — Sei muito bem quem tu é. Vamos ficar aqui o dia inteiro se for preciso. Só saio daqui com tua cabeça num saco! — gargalho. — Ri, filho da p**a, que quem ri por último, ri melhor! — o cara continua, e Farelo balança a cabeça antes de derrubar o desgraçado. Bomba:—Se for o chefe, se prepara. A guerra só tá começando — Bomba comenta, quando um caveirão vira a esquina e a trocação recomeça. Dou um pulo, apoiando nas costas de Bomba, derrubando dois deles. Sigo pra um lado, Bomba pro outro, e os cria nunca arregam. Vejo uns menor caídos, e meu sangue ferve. Sinto uma queimação na lateral do corpo. Olho rápido, sem chamar atenção, e sigo em direção a um sobrado, entrando num beco. Mas aí sinto outra bala queimar minhas costas..
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