3- É hora de mudar

1143 Words
POV Jason   Não entendo por que meu pai faz com que todos participemos das reuniões oficiais envolvendo a matilha. Ou Thomas ou Eric serão os futuros betas. Eu não quero fazer parte dos altos cargos. Especialmente nessa matilha, eu já vi os horrores que essas pessoas fazem. Costumava sonhar em me tornar um dos Guerreiros de Elite da matilha Mystic Shadows, mas agora as coisas mudaram. A única coisa em que consigo me concentrar agora é tirar minha família da Mystic Shadows, incluindo minha irmãzinha.   Flashback de hoje de manhã:   Ao entrar na casa da matilha hoje de manhã, algo não parecia certo. Meu pai insistiu que eu participasse dessa reunião sobre nosso problema com os nômades nas fronteiras, mas eu literalmente queria estar em qualquer lugar, menos aqui. Conforme me aproximava do escritório do Alfa, conseguia ouvir vozes alteradas, o que me fez parar.   "Maldição, David, o que eu te disse? Você tem que parar com essa merda de adultério! O que você vai fazer? E se a Constance descobrir? Eu não posso deixar você espalhar sífilis para as lobas da matilha, e preciso saber imediatamente onde você contraiu isso." Ouvi o Alfa Scott gritar. Acho que nunca o ouvi gritar tão alto. Meu pai tem sífilis? Pai? Sabia que ele traía a Constance, mas não sabia que ele estava se envolvendo com mulheres duvidosas. "Scott, eu não sei de onde peguei isso. Droga, pode até ter sido a Constance. Mas, pensando bem, nós não fomos exatamente íntimos desse jeito há muito tempo. O único lugar em que consigo me satisfazer é na boca dela." respondeu meu pai.   O Alfa Scott começou a rir e então bateu com força na mesa, "p***a, David! Acho que você sabe exatamente onde pegou isso e não quer contar sobre a tal mulher. Então vou te dar um ultimato, dê o nome dela ou terei que te tirar do cargo. Além disso, vamos providenciar para que sua doce filha vá comigo neste fim de semana. Vamos dizer, uma 'viagem de negócios'." disse ele. Caramba, tem algo sério acontecendo aqui. Como eu disse, nunca vi o Alfa Scott tão irritado, e não entendo por que meu pai está tão misterioso. Com certeza ele não faria isso com a Melian também. Bater nela é uma coisa, mas entregar sua filha menor para um homem adulto por sua perversão é outra coisa.   Meu pai ficou em silêncio por alguns momentos, mas finalmente falou, "Tudo bem, Scott, hum... a única mulher com quem estive nos últimos 3 anos além da Constance é sua irmã, Margot. Essa é a verdade. Eu juro." Meu pai parecia derrotado, e quando ele fica assim, sua raiva se torna incontrolável. Eu sabia exatamente em quem sua ira seria descontada, a Melian. Esperei mais um minuto antes de bater levemente na porta. "Entre," chamou o Alfa. Abri a porta e pus minha cabeça para dentro, perguntando se poderia falar com meu pai. O Alfa Scott fez que sim com a cabeça e dispensou meu pai. "O que é, filho?" ele perguntou.   "Ainda precisa que eu pegue a Mel na escola?" Ele colocou as mãos nos quadris e pensou por um momento. "Sim, mas não quero que você a leve para casa. Quero que você me encontre, Eric e Todd no antigo galpão perto do lago. Não conte para sua madrasta para onde estamos indo." ele ordenou. Internamente, estava tremendo. Eu sabia o que eles iriam fazer com ela, e pior ainda, o que o Alfa Scott faria quando terminassem. Eu já a maltratei o suficiente, mas tenho me esforçado ao máximo para protegê-la nos últimos 2 anos. Desde que conheci minha companheira e tive minha filha, Trinity, percebi como é errado tratá-la assim.   Ela não fez nada de errado para nós sequer pensarmos em machucá-la como temos feito. A Melian é, digamos, diferente, mas não de uma forma r**m. Ela é um alvo fácil para os valentões por causa de sua aparência e comportamento. Porém, quem não teria um comportamento como o dela depois de anos de tormento por parte daqueles que deveriam amá-la e protegê-la? Infelizmente, nos dias em que não consigo impedir meu pai e meus irmãos de abusarem dela, eu tenho que participar para que eles não se virem contra mim. Covarde, eu sei, mas é melhor do que a alternativa, acho.   Concordando relutantemente com as exigências de meu pai, saí apressado para buscar a Mel na escola. Peguei rapidamente meu celular e liguei para minha companheira para pedir conselhos. Ela ficou chocada com o que eu tinha confessado e ficou extremamente brava comigo por fazer parte disso. Ela tinha um carinho especial pela Mel e a amava muito. A Mel também a amava, mas por causa de sua situação, ela não se aproximou muito da Rebecca. Provavelmente com medo do que a Rebecca descobriria. Não posso culpá-la. Escutei a Rebecca se enfurecer com minhas ações como se fosse uma eternidade, mas eu merecia. Eu sabia que merecia. Então, juntos, criamos um plano não só para salvar a Melian, mas também a nós mesmos. Ela desligou para fazer alguns telefonemas, e eu segui minha jornada para buscar minha irmã na escola.   Presente.   Fui apressado pela escola da Mel tentando encontrá-la, mas não sabia por onde começar a procurar. Não conhecia a grade horária dela. Parei na secretaria e perguntei à secretária, que me informou que ela acabara de sair para a enfermaria. "Por que ela precisaria de atendimento médico?" perguntei a ela, e ela disse que eu deveria falar com o Sr. Daniels, o diretor. Ela o chamou à frente e ele me pediu para entrar em seu escritório e sentar. Ele me explicou os eventos do dia e questionou sobre a vida em casa da Mel. Sentindo-me derrotado, contei-lhe tudo, inclusive minha participação nisso. Ele estava furioso, mas entendeu como praticamente sofremos lavagem cerebral e fomos condicionados a abusar dela. Nosso pai é o Beta, e o que ele dizia era a verdade absoluta. Expliquei meu plano para tirá-la de Mystic Shadows e ele me assegurou que garantiria que nosso segredo estivesse seguro. Ele também disse que Mel tinha créditos mais do que suficientes para se formar antecipadamente e seria homenageada por isso. Isso era uma coisa pela qual ela se apegava, se formar no ensino médio com honras. Ele apertou minha mão e me agradeceu por assumir como um irmão deveria, e eu saí para ir à unidade médica. A enfermeira me disse que ela tinha acabado de sair para ir para casa, e eu corri esperando alcançá-la antes que ela saísse do prédio. Virei em um corredor e lá estava ela, em seu armário. Ela fechou o armário e se virou e quase nos derrubamos. Ela ficou sem ar, assustada e não esperava me ver na escola. "Precisamos conversar, Mel. É urgente!" foram as únicas palavras que eu consegui transmitir.
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