Capítulo 3

1937 Words
Aaron Black Era uma viagem curta, cerca de duas horas e meia, mas aproveitei o tempo para revisar alguns documentos e os detalhes da reunião. Cassie estava ao meu lado, concentrada em seu próprio trabalho, ou pelo menos fingindo estar. Pude sentir os seus olhos furtivos na minha direção, mas mantive o foco. Seattle apareceu nas nossas vistas mais rápido do que esperava. Assim que aterrissamos, um carro já nos esperava para nos levar diretamente para o local da reunião. Os investidores eram um grupo seletivo, o tipo de homens que se movem pelo cheiro de dinheiro e oportunidades. Eu sabia lidar com eles, sabia o que dizer, como manipulá-los para que acreditassem que estavam no controle, quando, na verdade, eram apenas peças do meu tabuleiro. O encontro foi exatamente como eu esperava. Longas horas de negociações, de falar sem realmente dizer nada, de promessas e de apertos de mãos que significavam muito mais que palavras. Cassie esteve ao meu lado o tempo todo, fazendo anotações, passando-me informações cruciais quando necessário, e exibindo o seu charme para suavizar as tensões que surgiram. Ela era boa nisso e eu precisava reconhecer isso. À medida que o dia chegava ao fim, o cansaço começava a se instalar, mas ainda havia mais uma etapa antes de eu poder descansar. Um jantar estava marcado para selar o acordo de forma mais informal, onde as verdadeiras intenções costumavam emergir após algumas taças de vinho. Eu sabia o que me esperava, e embora preferisse voltar para o hotel e terminar o dia, entendia que essas ocasiões eram necessárias para consolidar os laços que acabamos de forjar. O jantar estava acontecendo exatamente como eu esperava: longo, com conversas triviais que mascaravam as verdadeiras intenções de todos ali. Era um jogo de aparências, onde cada um tentava vender uma imagem de si mesmo, esperando ganhar alguma vantagem. Enquanto a noite avançava, os copos de vinho se multiplicavam na mesa. Eu bebia moderadamente, como de costume, mantendo a minha mente clara e os meus instintos aguçados. Contudo, algo começou a mudar. Um calor estranho subiu pelo meu corpo, inicialmente intensificando, senti uma leve tontura e percebi que a visão começava a ficar um pouco turva. Por um momento, pensei que era cansaço do dia exaustivo ou do vinho, mas logo ficou claro que era algo a mais. Virei a cadeira de rodas discretamente, alegando que precisava tomar um ar fresco. Ninguém questionou, afinal, todos estavam absortos em suas conversas e risos. Cassie, que estava ao meu lado o tempo todo, imediatamente percebeu a mudança em mim. Eles seguiram cada movimento meu enquanto me afastava, e antes que eu pudesse sair completamente do salão, ela se levantou. - Aaron, você está bem? – ela se aproximou. - Estou… só preciso de um momento. Vou voltar para o hotel. – respondi, a minha voz saindo mais fraca do que eu esperava. Cassie, se ofereceu para me acompanhar. Eu hesitei por um momento, porém, o meu estado piorava rapidamente, e eu não queria arriscar, desmaiar nessa cadeira de rodas. Concordei com um aceno, e juntos fomos para fora do restaurante, ela seguia andando ao meu lado enquanto eu conduzia a cadeira. Quando chegamos para fora do restaurante, logo vi o motorista, e ele abriu a porta do carro, e eu dessa vez não precisei fingir que estava com dificuldade de sair da cadeira, quando consegui entrar no carro me endireitei e Cassie veio logo em seguida. O meu corpo estava quente, pulsando, como se o meu sangue estivesse fervendo nas veias. A minha pele parecia sensível ao toque, e uma necessidade crescente se acumulava dentro de mim, algo que eu não conseguia controlar ou entender completamente. O meu coração batia rápido demais, quase dolorosamente, e uma onda de desejo se instalava na minha mente, obscurecendo os meus pensamentos racionais. Quando finalmente chegamos ao hotel, desci do carro e me sentei na cadeira, Cassie ainda estava ao meu lado, subimos o elevador, e quando chegamos ao andar, me virei para Cassie, tentando recuperar um pouco descontrole sobre mim mesmo. - Obrigado, Cassie, mas eu posso me virar daqui. – falei, minha voz mais rouca, mais urgente. Não queria que ela visse o estado em que eu estava. Algo estava muito errado, e eu precisava entender o que era. Ela hesitou por um momento, os seus olhos avaliando a minha condição. Podia ver a preocupação em seu rosto, porém, também havia algo a mais. Finalmente, ela assentiu lentamente, embora relutante. - Se precisar de qualquer coisa, estarei no meu quarto. – disse ela, com um toque de insistência. - Ficarei bem. – respondi, tentando soar convincente, e entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim. Saí da cadeira, e fiquei de pé, e parecia que tudo tinha piorado. A minha respiração estava ofegante, o meu corpo parecia estar em chamas, e uma sensação incontrolável de t***o tomou conta de mim. Fui até a mesinha onde ficavam as bebidas e me servir de uísque, e fui para janela olhar a vista, tentando entender o que diabos estava acontecendo comigo. A única coisa que me passava pela cabeça era que algo tinha sido colocado na minha bebida. Eu fui drogado, não havia outra explicação. Mas quem faria isso? E por quê? As perguntas rapidamente perderam a importância diante da necessidade crescente que queimava em meu corpo. m*l tive tempo de reagir quando a porta do quarto se abriu. Tudo parecia um borrão; o meu corpo ainda ardia com um desejo insuportável que parecia estar me consumindo por dentro. Quando vi a figura entrando, eu era incapaz de pensar claramente, só consegui registrar uma coisa: era Cassie. Ela havia voltado, e naquele momento, a sua presença parecia ser a única resposta para o tormento que eu estava sentindo. Cambaleando, me levantei e fui na sua direção. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, a agarrei pelos braços e a puxei para um beijo feroz, desesperado, sem qualquer gentileza ou hesitação. As minhas mãos apertavam a sua pele com força, como se segurá-la fosse a única maneira de aliviar a queimadura que tomava conta de mim. Ouvi um sussurro, um pedido para que eu parasse, porém, as palavras dela não penetravam a névoa que envolvia a minha mente. O que quer que eu estivesse ingerindo me dominava completamente, cada pensamento, cada ação. Eu estava cego pelo desejo, pela necessidade incontrolável de satisfazer aquela fome avassaladora. - É isso que você quer, não é? murmurei, com a voz rouca, enquanto pressionava contra a parede. Era como se eu estivesse tentando me convencer tanto quanto a ela, justificando a brutalidade dos meus atos. Sem esperar por uma resposta, rasguei a sua roupa, o som do tecido se partindo ecoando no quarto. Eu a tomei de forma selvagem, brutal, sem qualquer consideração, movido apenas pelo instinto primitivo. Quando a penetrei, senti como se tivesse uma barreira me impedindo, então, entrei com força nela, escutei o seu resmungo, porém, o desejo me dominava, e não conseguia pensar. Suavizei as estocadas, e comecei a penetrá-la com lentidão, como se eu estivesse aproveitando sendo conectado a ela, e isso eu nunca senti com mulher nenhuma. E o seu perfume era viciante, esse perfume, eu jamais esqueceria! Quando tudo terminou, m*l tive tempo de registrar o que havia acontecido. Exausto, me deixei cair na cama, o meu corpo ainda tremendo com os resquícios do desejo e do esforço. A última coisa que percebi antes de sucumbir ao sono profundo foi o som da minha própria respiração pesada. {...} A dor de cabeça é implacável, latejando como uma marreta em meu crânio. Cada batida ecoa como se minha mente estivesse tentando, em vão, se conectar com a realidade. Abro os olhos com dificuldade, e a luz que se infiltra pelas cortinas parece um castigo. Meu corpo pesa, doendo de uma forma estranha, como se eu tivesse corrido uma maratona, mas é o peso na minha alma que ameaça me esmagar. Eu me viro na cama e o mundo congela. Ali, ao meu lado, está Cassie. Nua. Os lençois bagunçados se enroscam ao redor de seu corpo, expondo fragmentos de uma i********e que jamais deveria ter acontecido. Eu me esforço para puxar as memórias da noite passada, mas tudo é um borrão. Imagens confusas e sensações sobrepostas me atacam de todos os lados: desejo, ardor, desespero... e agora, uma culpa avassaladora. Meu olhar desce lentamente até os lençois, e o ar escapa dos meus pulmões quando vejo a mancha de sangue. Meu coração para por um segundo eterno. Não... não pode ser. A confirmação é c***l e inescapável: Cassie era virgem. Um nó se forma na minha garganta, sufocando qualquer tentativa de negar o óbvio. Tento processar, mas minha mente parece paralisada, recusando-se a acreditar no que vejo. O que eu fiz? Essa pergunta se repete como um mantra, aumentando a dor que sinto. A lembrança do toque áspero, dos beijos desesperados e da minha voz rouca me assombra como um pesadelo do qual não consigo acordar. O nojo por mim mesmo cresce como uma maré n***a, me arrastando para um abismo. Eu me sinto sujo. Incontrolável. Como se meu corpo e mente tivessem sido possuídos por algo que não sou. Mas a verdade nua e crua é que não importa o que eu senti ou o que me levou a isso. O fato é que ultrapassei todos os limites. Cassie parece tão serena dormindo ao meu lado, como se nada tivesse acontecido. Como ela pode descansar assim? Eu me pergunto, sentindo uma pontada de raiva, mas logo sou consumido pelo remorso. Não tenho o direito de me sentir assim. Ela confiava em mim, e eu a destruí. A bile sobe à minha garganta enquanto as memórias voltam em flashes rápidos: o calor insuportável no corpo, a visão turva, o desejo incontrolável que queimava minhas veias... Eu fui drogado, não fui? Tento encontrar conforto nessa conclusão, mas a verdade é amarga: isso não muda o que aconteceu. Não importa o que colocaram na minha bebida, eu fui o homem que a tomou daquela forma, que a tratou como um objeto, que não parou quando deveria. Cada pensamento é como uma facada. Minha cabeça gira, e sinto a necessidade desesperada de fugir, de sair deste quarto, desta cama, deste corpo que já não parece mais meu. - Você é um monstro. – sussurro para mim mesmo, a voz rouca e carregada de desespero. Por um momento, penso em acordá-la e pedir desculpas, mas o que eu poderia dizer? Como explicar o inexplicável? A vergonha me domina. Não há palavras no mundo que possam reparar o que fiz. Ela nunca será a mesma, e a culpa disso é minha. Eu passo as mãos pelo rosto, tentando conter a onda de pânico que ameaça me engolir. Preciso sair daqui, mas não tenho para onde correr. E agora? Essa pergunta ecoa na minha mente, tão opressiva quanto o silêncio que preenche o quarto. Sinto o peso de cada decisão errada que tomei se empilhando sobre mim. Sempre controlei minha vida, cada movimento, cada pessoa ao meu redor. Mas agora, pela primeira vez, estou à deriva. Sem rumo, sem controle. Olho para Cassie mais uma vez, e o horror de tudo o que aconteceu cai sobre mim como uma avalanche. Eu cruzei uma linha da qual não há retorno. Fecho os olhos, tentando sufocar a culpa que me devora por dentro. Minha respiração é pesada, descompassada. Como vou encarar isso? Como vou encarar a mim mesmo? Estou preso em um inferno particular, e a pior parte é que sei que fui eu mesmo quem me trouxe até aqui.
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