Capítulo 11

1495 Words
Aaron Black Tenho evitado contato com Sarah desde o casamento. Naquela noite, depois de me arrumar para a cerimônia, tomei um banho rápido e fui me encontrar com Cassie. Não voltei para casa naquela noite, e a verdade é que não me arrependo. Sarah é linda, eu admito. Os seus cabelos longos e lisos, os olhos cor de mel que parecem refletir uma luz própria, a pele alva e aquele rosto angelical que esconde muito mais do que aparenta. Ela não é muito alta, mas tem uma presença que não passa despercebida. Eu poderia muito bem me deixar levar por essa atração crescente, mas não posso — e não vou. Esse casamento é uma farsa, e eu não deixarei que sentimentos ou desejos atrapalhem. Estamos casados há alguns dias, e embora estejamos na minha casa, agora a nossa casa, eu tenho feito o possível para manter a distância. Meu pai, como sempre, metendo o nariz onde não é chamado, fez questão de enviar Celeste conosco. Ele queria ter certeza de que o casamento era "real", que estávamos nos dando bem. Celeste, a governanta que praticamente me criou depois que a minha mãe foi embora, tem feito um bom trabalho em manter as aparências, e eu sigo evitando Sarah o máximo que posso. Ela me atrai de uma forma que não posso permitir, e é justamente por isso que evito qualquer interação. Hoje, estava decidido a voltar para casa, pois o meu pai já começava a me irritar com as suas cobranças incessantes. Quando entrei no quarto, não esperava ver alguns papéis espalhados pela cama. Aquilo me chamou atenção. Puxei a cadeira para mais perto da cama e peguei os documentos para ver do que se tratava. O choque me atingiu como um soco. Grávida. Sarah estava grávida! A primeira coisa que me veio à mente foi a certeza de que o filho não era meu. Nunca toquei nela, então só poderia ser outra armação. Não me surpreenderia que ela estivesse tentando me enganar, da mesma forma que o pai dela sempre tentou manipular aqueles ao redor. Sarah, com a sua aparência inocente, não era diferente. Segurei os exames em minhas mãos e, quando ela saiu do banheiro, parada à minha frente envolta apenas em uma toalha, a cor sumiu do seu rosto. Eu a encarei com desprezo, a frieza já tomando conta de cada palavra que sairia da minha boca. - Você está grávida. – a minha voz saiu gelada, direta, sem deixar espaço para interpretação. Não era uma pergunta, era uma acusação. Vi quando ela engoliu em seco, claramente tentando encontrar algo para dizer. Mas o que poderia explicar? A sua hesitação só confirmou as minhas suspeitas. Ela estava planejando me enganar desde o início. Joguei os papéis de volta na cama, como se fossem um lixo sem valor. - Então, é isso? – continuei, sentindo a repulsa crescer a cada segundo que olhava para ela. – Você acha que pode me enganar com essa história ridícula? Isso faz parte do seu plano? Fingir que esse filho é meu para me prender? Ela congelou no lugar, as palavras presas na garganta, e eu não pude deixar de sentir uma satisfação amarga ao vê-la assim. Para mim, era óbvio que ela estava planejando algo desde o início. A cada segundo, minha raiva e desprezo só aumentavam. - Provavelmente você achou que, se conseguisse me levar para a cama na noite do casamento, poderia vir depois com essa história de gravidez, não é? – continuei. Ela parecia ainda mais pálida, como se as palavras tivessem sido um golpe certeiro. Eu via o desespero nos olhos dela, mas não me deixei comover. Para mim, ela não passava de uma oportunista, seguindo os planos do pai, tentando me manipular. Aquela carinha inocente não me enganaria mais. Ela finalmente abriu a boca, tentando se defender. - Aaron, eu... isso aconteceu antes de... - Poupe-me das suas desculpas. – cortei com frieza. – Eu não me importo com o que você fez ou com quem fez. Isso não muda nada entre nós. Este casamento é apenas um acordo, uma obrigação. Não há necessidade de fingir que você é algo além do que realmente é. – ela deu um passo para trás, suas mãos tremendo levemente. - Eu não... eu nunca quis te enganar. Soltei uma risada seca e irônica. - Você espera que eu acredite nisso? Desde o início, você e o seu pai estão tentando me prender. Vocês pensaram que eu seria i****a o suficiente para cair nessa farsa. Mas adivinhe só, Sarah. Eu não sou o tipo de homem que se deixa enganar facilmente. Ela parecia lutar contra as lágrimas, mas, naquele momento, eu não me importava. Estava furioso, sentindo-me traído por alguém que, até então, eu tentava evitar por puro autocontrole. Agora, qualquer resquício de empatia que eu pudesse ter sentido desaparecia. Dei um passo em sua direção e soltei as palavras com desprezo. - Você e eu, Sarah, somos nada além de estranhos que foram forçados a estar juntos. Então, faça o que quiser com a sua vida e com essa... situação. – Ele indicou os papéis com um gesto indiferente. – Só não espere nada de mim. Eu não sou i****a, e não vou cair em truques baratos. Sarah não respondeu de imediato, os seus olhos fixos nos papéis amassados na cama. Parecia que cada palavra minha cortava mais fundo, mas ela não se defendia. Isso só fazia a minha raiva crescer. Sem esperar mais, me virei na cadeira de rodas guiando-a para fora, saindo do quarto sem olhar para trás. Bati a porta com um estrondo, deixando Sarah para trás com as suas desculpas m*l formuladas e a sua gravidez que, para mim, era só mais uma evidência de que eu havia cometido um erro, de aceitar esse casamento. Quando a porta do quarto se fechou com força, o barulho ecoando pela casa, eu já não conseguia pensar em mais nada além da raiva que queimava dentro de mim. Mas, conforme avançava pelo corredor, algo começou a mudar. A raiva ainda estava lá, mas não era só isso. Havia uma confusão crescente, um nó apertado no peito que eu não conseguia desfazer. E não sabia ao certo por que me sentia assim. Cheguei ao meu escritório, empurrando a porta com força. Ao entrar, me certifiquei de trancá-la. Eu precisava de espaço, de tempo para pensar, sem que ninguém me interrompesse. Erguendo-me da cadeira, me aproximei do bar no canto da sala e me servi de uma dose generosa de uísque. O líquido dourado brilhou à luz suave do ambiente, mas não me trouxe o alívio que eu esperava. Levei o copo aos lábios e tomei um gole, o álcool queimando levemente na garganta. Os meus pensamentos voltavam constantemente àquela imagem: os exames de gravidez espalhados pela cama, Sarah pálida, sem palavras. Aquilo me irritava, mas, ao mesmo tempo, havia algo mais profundo ali. Algo que eu não queria admitir nem para mim mesmo. Coloquei o copo na mesa e me aproximei da janela, olhando para o jardim que se estendia do lado de fora. Quem seria o pai do bebê que Sarah carregava? A pergunta me corroía por dentro. Ela tinha alguém antes de mim? Um namorado, talvez? Mas não fazia sentido. Sarah não parecia o tipo de mulher que entraria em um casamento por interesse, e, por mais que eu tentasse enxergar tudo como uma armação, algo não se encaixava. Eu estava com raiva. Raiva dela? Talvez. Raiva de mim mesmo? Certamente. Mas, acima de tudo, eu estava frustrado por não conseguir entender os meus próprios sentimentos. Desde que Sarah entrou na minha vida, tudo parecia de cabeça para baixo. Eu tinha evitado contato com ela, tentando manter as coisas frias e distantes, mas não conseguia parar de pensar nela. E agora, descobrir que ela estava grávida... Isso me acertou de uma maneira que eu não esperava. Voltei a me sentar, passando a mão pelos cabelos, ainda com o gosto amargo do uísque na boca. Quem é o pai? – perguntei a mim mesmo pela milésima vez. Eu não queria acreditar que ela armou essa gravidez para me prender. Será que esse era o plano dela? A minha cabeça doía com essas perguntas. Sarah tinha mexido comigo de uma forma que nenhuma outra mulher havia feito, e talvez fosse isso que me deixava tão inquieto. A ideia de que, de algum modo, eu me importava. Tomei outro gole, tentando afastar essas emoções. Eu precisava de clareza. Precisava voltar a ser o Aaron de antes, frio, calculista, aquele que nunca deixava ninguém chegar perto o suficiente para causar estrago. Mas com Sarah era diferente, e isso me irritava mais do que qualquer outra coisa. Com um suspiro pesado, olhei para a bebida nas minhas mãos, girando o líquido lentamente. No fundo, o que mais me incomodava era a incerteza. Eu odiava não ter o controle, e, com Sarah, tudo parecia incerto desde o início.
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