Aaron Black
A raiva que senti com a suas palavras era indescritível. A empresa era tudo para mim. Passei anos trabalhando para consolidar a minha posição, lutando contra cada obstáculo que o meu próprio pai colocava no meu caminho. Ele sabia exatamente onde me atingir.
- Você está me ameaçando? – perguntei, a voz baixa, porém, carregada de raiva.
- Estou te dando uma escolha, Aaron. – Benjamin se levantou, ajeitando o paletó como se estivesse se preparando para sair da sala. – Case-se com Sarah Mills e continue no controle da empresa, ou recusa e perde tudo. Simples assim.
A raiva ferveu dentro de mim, porém, a frieza calculada do meu pai me impediu de explodir. Eu estava preso. Não havia escapatória.
- A menos que… eu jogasse o jogo dele e vencesse com as minhas próprias regras.
- Está bem, pai. – as minhas palavras saíram amargas, mas firmes. – Eu aceito. Vou me casar com Sarah Mills. – vi a sombra de um sorriso nos lábios dele, mas continuei. – Mas saiba que, quando estiver cara a cara com essa garota que você escolheu para ser minha noiva, vou garantir que as coisas aconteçam do meu jeito.
Eu me virei para sair da casa, o peso da decisão caindo sobre os meus ombros. Porém, enquanto caminhava para fora, uma coisa ficou clara: se o meu pai achava que poderia me manipular, ele estava muito enganado. Eu jogaria esse jogo, mas seria eu a ditar as regras quando tudo isso começasse.
Saí da mansão, o som dos meus passos ecoando pelo chão de mármore, e me dirigi ao carro que me esperava. O futuro que o meu pai tentava controlar estava prestes a mudar – e eu garantiria que ele não fosse o único a ditar os termos desse acordo. E eu ainda tinha mais um problema, Cassie.
{...}
Cheguei ao apartamento de Cassie, decidido a contar a ela sobre o casamento que o meu pai estava me forçando a aceitar. Enquanto eu subia pelo elevador, senti um peso no peito, como se algo estivesse prestes a dar errado, como se isso fosse possível! Pensei comigo mesmo. Tinha que ser honesto com ela, ainda mais depois daquela noite confusa, eu sabia que estava deixando passar algo importante sobre aquela noite, mas não conseguia me lembrar.
Bati na porta, e Cassie logo a abriu com um sorriso radiante, vestindo um roupão de seda que m*l disfarçava as suas intenções. Ainda não estivemos juntos depois daquela noite, e ela vinha a todo o custo tentando me levar para cama, mas sempre arrumava uma desculpa. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela me puxou para dentro e me envolveu em um beijo. Senti o calo do seu corpo contra o meu, porém, ao invés de entregar, segurei-a pelos ombros e a empurrei com suavidade, criando uma distância entre nós.
- O que foi, Aaron? – perguntou ela, confusa, os seus olhos se estreitando co preocupação. – Aconteceu alguma coisa?
Suspirei, passando a mão pelo cabelo, tentando organizar os meus pensamentos.
- Sim, aconteceu. – as palavras saíram mais pesadas do que esperava. – Preciso te contar algo.
Ela inclinou a cabeça, o sorriso desaparecendo aos poucos.
- O que é? Você está me assustando.
Olhei para ela, tentando achar as palavras certas.
- O meu pai… ele decidiu que eu devo me casar. – o choque estampou-se no rosto de Cassie.
- O quê? – a sua voz falhou, e os seus olhos logo se encheram de lágrimas. – Casar? Mas… e nós? Eu pensei que…
Ela se afastou, recuando para o sofá, enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelo rosto. Eu nunca a tinha visto assim antes. Ela parecia tão vulnerável, tão diferente da mulher confiante que sempre se insinuava para mim.
- Eu te amo, Aaron. – ela disse, com voz trêmula. As suas palavras me atingiram com força, e fiquei surpreso. Cassie nunca tinha falado sobre amor antes, o nosso relacionamento sempre foi por conveniência, principalmente depois que tirei a virgindade dela daquele jeito.
Eu queria dizer algo, mas o que eu diria. Não sentia o mesmo, o máximo que eu sentia era uma atração. Na verdade, não tinha certeza se o que realmente Cassie sentia, era amor ou apego, mas de qualquer forma, eu não conseguia ignorar o seu sofrimento.
- Cassie, o casamento é só de fachada. – falei calmamente, tentando acalmá-la. – eu nem conheço a garota. O meu pai está fazendo isso por motivos de negócios, nada mais.
Ela enxugou as lágrimas com as costas da mão e me olhou, intrigada.
- Quem é ela? Essa… mulher que você vai ter que se casar?
- Eu não sei muito sobre ela. Só sei o nome… Sarah Mills. – respondi, ainda sentindo o peso das minhas palavras.
Cassie arregalou os olhos, a surpresa tomando conta de seu rosto.
- Sarah Mills? – repetiu, a voz carregada da incredulidade. – Ela é parente de Alexander Mills?
Acenei!
- Sim, é filha dele.
Por um breve momento, vi uma faísca de algo sombrio nos olhos de Cassie. Os seus lábios se apertaram, porém, ela escondeu qualquer sinal de intenção por trás de uma expressão pensativa. Ela se levantou do sofá, se aproximando de mim.
- Aaron, se esse casamento é só de aparência, nós podemos continuar juntos. Não tem por que mudar o que temos. – ela sugeriu, com uma suavidade persuasiva, tocando a minha mão.
Eu hesitei, sentindo a confusão se intensificar dentro de mim. Parte de mim sabia que continuar com Cassie seria um erro, especialmente com toda a situação em que eu estava envolvido. Porém, havia algo nas suas palavras, algo na maneira como ela me olhava, que fazia a culpa se instalar no meu peito. Afinal, ela tinha perdido algo precioso comigo.
Cassie notou a minha hesitação e apertou levemente a minha mão, os seus olhos se tornando ainda mais sedutores.
- Aaron só quero estar ao seu lado, independentemente do que aconteça. Sei que você também quer isso. Podemos fazer isso funcionar. – a voz dela era um sussurro suave, carregado de promessas.
Eu a olhei, buscando respostas nos fundo dos seus olhos, mas tudo o que encontrei foi a convicção de uma mulher determinada. Ela estava certa de uma coisa: eu queria que as coisas funcionassem.
- Certo. – eu disse, finalmente, com um tom resignado. – Podemos continuar juntos. Mas, Cassie, você tem que entender que as coisas vão ser diferentes, esse casamento vai acontecer, e eu não sei como isso vai nos afetar.
Ela sorriu os seus olhos brilhando com satisfação que eu não conseguia compreender totalmente.
- Não se preocupe, Aaron. Vamos fazer isso funcionar. – ela se aproximou novamente, envolvendo-me nos seus braços, e dessa vez, eu não a afastei. Em vez disso, segurei-a perto, tentando, sem sucesso, afastar as dúvidas que continuavam me atormentar.
Enquanto estávamos ali, em silêncio, eu percebi que havia tomado uma decisão que provavelmente complicaria ainda mais a minha vida.