— Ei, acordem! O som da voz que me chama soa distante, perdido na penumbra dos meus doces sonhos. Eu não me permito acordar. Ao contrário, preguiçosamente me enrosco em um ponto de apoio macio e quentinho ao alcance dos meus braços, aninhando sobre o que parece ser uma respiração tranquila, ressoando em minha orelha direita. De súbito algo inflexível se choca e pressiona dolorosamente o meu pé, e eu me obrigo a abrir os olhos, pronta para esbravejar. Levo um tempo para me acostumar com a luz, e ainda mais alguns segundos para entender que estou dentro de um avião. Ergo uma mão para os olhos, esfregando-os com cuidado para não desencadear a dor que sinto na parte de trás. Minha cabeça parece servir de palco para uma orquestra, latejando a cada som do mundo de fora. Eu gemo baixinho. — É

