Capítulo 144
Ela levantou já irritada, mesmo sem nem saber quem era. Quando saiu do quarto, viu na sala duas moças sentadas. Uma era a amiga do Rui, irmã do melhor amigo dele, o Felipe. A outra estava no passeio com eles. As duas levantaram. Surpresa, Kaori falou oi. A moça respondeu:
— Oi, como você tá? A galera toda veio ver vocês. Não sei como você não ouviu a gente passando e cortando giro desde lá de cima. Senta aqui.
Elas levaram uma caixinha de chocolates e começaram a conversar. Kaori não esperava aquilo e ficou até sem graça. As duas foram super simpáticas, chamaram ela para ir na rua ver o pessoal. As três foram saindo e havia mais de dez motos na casa do Rui.
A menina comentou que a galera ficou super chateada com o que aconteceu, principalmente porque os dois estavam sozinhos no acidente e não tinham saído para o passeio sozinhos. Elas até comentaram que a outra que ficou arrumando intriga não ia mais sair com eles.
As três foram lá para a frente da casa do Rui. Ele estava dentro da garagem olhando a moto e conversando. Os dois não se aproximaram. O pessoal foi cumprimentando Kaori, todos foram super legais com ela, ficaram fazendo perguntas sobre o acidente e fizeram piada brincando com Rui, dizendo que ele tinha medo da j*****a, que estava dominado.
Ele respondeu debochando, olhando para ela:
— Tô apaixonado por essa problemática! Uma novinha dessas me colocou na linha, não tô valendo nada mesmo.
Ela encarou ele brava, revirou os olhos. Chamaram ela de Kaori perigosa e todos começaram a rir.
Ele se aproximou e ficou ao lado dela. O assunto já era outro. Ficaram cerca de meia hora lá. Tiraram uma foto todos juntos e postaram nas redes sociais falando de amizade. Kaori também postou agradecendo eles.
Começaram a falar que ela era a mascotinha do grupo, o chaveirinho.
Assim que foram embora, só ficaram os dois na calçada. Ele perguntou se ela não queria entrar. Ela respondeu:
— Não dá, vou jantar. Minha mãe tá me esperando.
Ele ficou sério, parecia frustrado com a rejeição dela.
Falou que tudo bem e ficou parado no portão, apoiado na muleta.
Ela falou:
— Você contou pra alguém da nossa briga? Sua mãe? Sua irmã?
Ele respondeu irritado que não e perguntou por que era tão importante que ninguém soubesse do que estava acontecendo, se ela queria um tempo ou terminar.
Ela respondeu no mesmo tom:
— Primeiro de tudo é porque eu tenho vergonha, de tudo, tá bom? Eu me sinto ridícula o tempo todo, porque eu te quis demais, porque eu sinto demais quando as coisas acontecem e me magoam. Eu não me sinto bem. Você acha que eu gosto de ficar longe de você, Rui? Não tô nada contente com a nossa situação e eu tenho medo de me precipitar, seja para pôr um fim ou para voltar a ser como antes. Eu prometi pra mim mesma que nunca mais ia deixar ninguém me machucar. Dói demais ser partida ao meio e não revidar. Eu só tô cansada de dar tudo de mim. Minha mãe tá fazendo perguntas, não quero levar meus problemas pra ela, tá bom?
Ela começou a chorar enquanto falava.
Ele tentou se aproximar para abraçar, chateado. Ela falou se afastando:
— Não, por favor. Eu só preciso pensar melhor, tirar um tempo pra mim.
Ele respondeu bem perto:
— Amor, para com isso. Eu sei que errei, devia ter te contado tudo. Eu sabia que você ia ficar chateada. Se ela tivesse me dado uma prova, eu ia te falar na mesma hora e juntos íamos resolver.
Ela falou irônica:
— Com o que que tô chateada? Ela falando que estava grávida? Você ter ficado com ela um pouco antes de pedir pra voltar comigo? Ou o fato de ter omitido tudo isso quando exige de mim sempre a verdade?
Ele se aproximou assim mesmo, abraçou ela e respondeu:
— Não quero ver você chorando por causa dessas coisas. Eu escolhi você, Kaori. Quero uma vida ao seu lado. O que a gente tem é maior do que qualquer outro relacionamento que eu já tive. Nunca estive tão certo disso. Me dói saber que te machuquei antes e agora de novo. Eu só quero o seu bem, o melhor pra você. Esse ano você vai fazer 22 ainda. Eu não tenho tempo pra nada direito, nem pra você, sejamos sinceros. Não seria a melhor hora pra ter um filho nosso. Não tô falando que futuramente não vamos ter. Desculpa se eu te chateio falando sobre isso, é que realmente não dá. Eu nem era tão novo quando tive o Be e foi difícil, até hoje ainda é. Não quero que você se sacrifique, que deixe de estudar e curtir enquanto é nova. Não é fácil se anular por um filho. Olha tudo o que você passou com a Maria. Tenho certeza que será uma mãe incrível, mas na hora certa. Apesar de tudo, nosso relacionamento é recente. Tem muita coisa que quero fazer com você ainda, viagens principalmente.
Ela ficou quieta, encolhida e abraçada com ele, ouvindo tudo.
Ele continuou falando:
— Se você quiser terminar, eu não posso te obrigar a ficar comigo, mas eu realmente acredito na gente. Queria que você encontrasse aí dentro forças para me perdoar e rápido, porque eu tô morrendo de saudades de você. Não quero te perder, princesa!
O celular dela começou a tocar. Ela atendeu. Era Lisa perguntando se ela não ia logo pra casa jantar. Ela falou que já estava indo, se afastou dele e não respondeu nada sobre tudo o que ele disse.
Ela falou que ia pra casa. Ele respondeu triste:
— Eu não vou insistir pra sempre. Use o tempo que precisar, só não me deixa na dúvida esperando uma resposta sua!
Ela falou que poderia pensar melhor se não estivesse com o joelho arrebentado. Ele disse que a ideia de ir embora na chuva foi dela.
Ela respondeu irônica:
— Eu tô com muito mais raiva de você agora, fique ciente disso. Quer jantar em casa?
Ele disse que adoraria. Ela falou que não queria gracinhas nem ele chegando muito perto.
Ele sorriu e respondeu:
— Como se eu conseguisse fazer muita coisa no meu estado.
Foram caminhando devagar até a casa dela. Ele começou a falar como o Bernardo reagiu ao saber que ele tinha se machucado. Disse que ele chorou e pediu pra Lidi levar ele pra lá rápido cuidar dele.
Os dois conversaram só sobre isso.
Lisa e Hugo estavam esperando ela pra comer. Sentaram os quatro na mesa, jantaram juntos. O assunto era o chá de bebê que seria dali alguns dias.
Depois de comer, os dois foram para o quarto assistir. Ele ficou deitado na cama e ela deitada no colchão no chão.
Ele perguntou se ela queria ir dormir com ele, disse que estava na hora de tomar remédio e já era tarde.
Ela respondeu:
— Melhor eu ficar por aqui hoje, quer que eu te acompanhe até o portão?