Capítulo 166

1319 Words
Capítulo 124 Ela respondeu: — É, eu ferrei com a minha cabeça, meu corpo, até o emocional. Eu tomava tantos remédios que fazia tudo no modo automático, sem nem sentir muito bem as coisas. Quando vocês me chamaram para ir ver o jogo, foi uma das coisas mais legais que fizeram por mim. Me senti bem-vinda, querida, e a Daia... ela era engraçada, não sabia como conversar comigo, tinha medo de criticar as coisas que eu fazia antes. Você lembra do nosso primeiro beijo? Ele sorriu, beijou o rosto dela e falou: — Claro que lembro. Te irritei pedindo o beijo em troca da cerveja, você deu o beijo e recusou a cerveja. Depois ficamos pra valer, te levei embora e dormi com você. Mesmo sem ter acontecido nada, eu gostei muito de tudo. Você me colocou em outra sintonia, desacelerei com tudo, sem pressa, sem cobranças. Eu sentia que podia só ficar lá com você, não sei explicar direito, mas foi diferente das outras, de uma forma muito boa. Eu nem estava a fim de me envolver e dizia de boca cheia que não queria namorar. Não demorou muito para eu começar a ficar inseguro, com medo de você recuperar a memória. Quando vi seus amigos se aproximando, fiquei chateado. Até passou pela minha cabeça que não ia rolar mais. Você foi ficando bem e se afastando! Ela disse que foi na época em que ficou com o Thomas, que ele pareceu mais fácil e acessível do que Rui. Ele respondeu: — É, eu lembro do que você escreveu sobre beijar ele na sua agenda, e ainda achava fofo ele tocar para você. Não gostei nada de ver aquilo! Ela respondeu, rindo: — Ué, falei lá muita coisa de você também. Você ganhou a maior quantidade de páginas da minha vida, amor. Ele deu um beijo e falou: — Eu ganhei você. Amo conhecer cada parte sua a cada dia que se passa. Com você sempre tenho a sensação de que não sei tudo, de que você vai me surpreender. E é por isso que quero te ver comendo. Eu já vi o seu pior lado, nunca vou te deixar ficar daquele jeito de novo, mesmo que, para isso, eu tenha que te deixar ir. Só quero o seu bem. Você tá muito chata me tratando diferente há dias e eu sei que tá triste. Tô tentando ter paciência com você. Eu também tô desanimado por causa do Bê, mas não adianta muito ficar assim. Ainda mais sem conversar direito! Ela deitou no ombro dele e ficou quieta. Ele continuou falando que não era nenhum burro, que sabia que alguma coisa tinha acontecido. Ela respondeu: — Quero ver a Maria. Todo mundo me critica sempre porque não entendem como eu amo ela. Tem coisas que a gente só sente, não controla. Eu não sei impor limites no meu amor! Ele disse para ela ligar para Bibi. Ela respondeu que não, que precisava respeitar a vontade dela de se afastar. Ele perguntou se ela tinha vontade de ir mesmo morar com Lisa. Ela respondeu: — Lógico que não. Eu tô sobrando. Não somos como vocês aí na sua casa, super unidos. A Joyce é ótima, adoro ela, mas não quero me intrometer na vida deles. Com o Hugo é a mesma coisa. Você tem noção do quanto é estranho ter dois irmãos bebês a essa altura? Eu e meu irmão temos mais de vinte! Ele respondeu: — E você queria também? Ter um bebê? Ela falou, levantando e saindo do colo dele: — Eu não sei. E você? Ele respondeu, tirando as coisas da mesa: — A longo prazo até pode ser, mas agora não dá. E você é muito nova, a gente acabou de começar a namorar, não precisamos ter pressa. Da outra vez aconteceu e teria sido bem-vindo, mas, planejando certinho, agora não é hora, entende? Você vai estudar, eu vou me formar. Tudo no seu tempo. Ela disse que concordava. Na verdade, ela já sabia essa posição dele. Ele até dizia antes que nem queria mais filhos, que só o Bernardo já estava bom. Eles limparam a cozinha juntos. Ele começou a falar que era novo para ele estar com alguém da idade dela. Ela tocou no nome de Renata, que havia falado várias coisas criticando a idade e até o corpo dela. Ele respondeu: — Ela tava criticando porque eu preferi você com 21 do que ela com 28. Não dê bola para as coisas que ela fala. Você é muito melhor que ela. Ela perguntou se os dois ainda estavam conversando, se ela tinha falado com ele na faculdade. Ele disse que não, que ela tinha parado de incomodar e que, pelo jeito, iria largar a faculdade. Os dois foram deitar para assistir. Ela ficou quieta a maior parte do tempo. Ele foi para casa pegar as coisas para dormir com ela. Quando voltou, ela já estava dormindo. Ele preferiu não acordá-la. Deitou de mansinho, sorrateiro. Ela se mexeu, mas não despertou. No dia seguinte, ele acordou mais cedo e saiu sem acordá-la. Foi comprar um café da manhã diferenciado, com mais opções das coisas que ela gostava. Arrumou a mesa, colocou Danone, suco, bolacha, pão, frios e bolo. Quando tudo estava pronto, deixou o leite esquentando e foi chamá-la. Sentou-se na beirada da cama, começou a beijá-la e a fazer carinho. Deu bom-dia. Ela respondeu, sonolenta: — O que foi? Tô com sono. Bom dia! Ele respondeu: — O que você tomou para dormir cedo e acordar com tanto sono? Ontem, quando cheguei, você já estava dormindo. Ela não respondeu, apenas cobriu o rosto por causa da claridade. Ele falou que havia feito o café da manhã e que queria vê-la comendo antes de sair. Ela resmungou que estava muito cedo. Ele falou, tirando a coberta dela: — Eu sei, e você pode voltar a dormir depois. Amor, levanta, por favor, vai. Fui na padaria comprar as coisas pra você. Ela se sentou, puxando a coberta por causa do frio. Ele a enrolou, dizendo que nem o Bernardo era tão preguiçoso. Ela levantou e foi sentar à mesa da cozinha. Ele começou a comer e ofereceu um pouco de tudo para ela. Ela disse que logo iria comer. Foi ao banheiro e comeu pouco, apenas para agradá-lo. Quando ele estava saindo para trabalhar, ela agradeceu pela surpresa e pediu desculpas por ter dormido sem namorar na noite anterior. Ele respondeu, rindo, que no começo era todo dia mesmo, mas que depois diminuía. Ela disse que não iria diminuir nada, que queria ele chegando bem disposto para correr atrás do tempo perdido no fim de semana. Ele foi trabalhar e ela voltou a deitar, dormindo mais um pouco. Ela acordou com o celular tocando. Era do restaurante. Estavam pedindo para ela ir trabalhar mais cedo porque Bibi não havia ido. Ela já pensou que Bibi tinha desistido. Levantou às pressas e foi trabalhar. No caminho, mandou mensagem e ligou, perguntando se estava tudo bem. Bibi não respondeu e nem recebeu as mensagens. O gerente disse que ela havia ligado avisando que Maria não estava bem. Ele não entendeu muito bem. Ela mesma não sabia o que havia acontecido. Só disse que iria para o hospital e que não sabia se trabalharia no dia seguinte. Ao receber a notícia, Kaori ficou superpreocupada. Ivone ficou tentando acalmá-la, dizendo que devia ser alguma coisa rotineira. Combinou de ela mesma ligar depois do horário de pico do almoço. Mais tarde, Ivone ligou. Breno foi quem atendeu. Falou que Maria teve uma convulsão. Ela estava tomando remédio na veia, esperando vaga para fazer exames. Ivone fez algumas perguntas e disse que, se precisassem de qualquer coisa, era para ligarem sem pensar duas vezes. Quando desligou, contou a Kaori o que havia acontecido. Ela ouviu tudo calada, derramou algumas lágrimas e perguntou se ele havia dito em qual hospital estavam.
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