Capítulo 126
Ela perguntou se os pais dela não estavam dispostos a ajudar.
Breno levantou, chateado, e falou que ia dar uma volta. Ele não gostou do que ela falou dele.
Bibi respondeu assim que ele saiu:
— Meus pais não sabem de nada ainda. Você achou o quê? Que eu ia correr pra casa deles e largar tudo aqui? Até parece que não me conhece bem! Vi meu pai um pouco, fui sozinha enquanto ele estava no hospital.
Kaori ficou surpresa e perguntou se ela queria ir mostrar a Maria para eles.
Ela respondeu:
— Não sei. O Breno tá brigando comigo por isso, por tudo. Fica jogando na minha cara que a Maria tá doente por minha culpa. Ele queria que eu fosse embora. Tô achando que fiz merda. Talvez você sempre teve toda a razão sobre eu e ele!
A sobrinha mais velha dele passou por elas e voltou a sentar na sala.
Não puderam conversar mais.
Kaori a convidou para ir dormir na casa dela qualquer dia.
Ela respondeu, entre códigos, que estava com receio de deixá-lo sozinho. Estava com medo de ele voltar a mexer com coisa errada. O foco dele sempre foi o dinheiro fácil.
Bibi estava precisando conversar, ela mesma disse isso, chateada. Chegou a chorar.
As duas fizeram as pazes sem ao menos terem trocado um pedido de desculpas. As duas eram assim mesmo.
Quando Kaori estava saindo, Bibi mandou um áudio, grossa, para Breno:
— Você não disse que só ia na rua? Tô no portão e não tô vendo você. Venha embora agora, Breno. A Kaori já vai e não quero que ela fique andando sozinha. Você vai levar ela no ponto!
Ele falou que estava na rua de baixo conversando. Até disse o nome do amigo dele e respondeu que já estava indo embora.
No portão, só as duas puderam conversar um pouco.
Bibi disse que ele estava falando coisas sobre ela merecer mais, voltar para a faculdade, dormir em uma cama e não no chão.
Ela estava chateada porque, após ter passado tanta coisa difícil, ele queria afastá-la.
Na cabeça dela, ele queria menos responsabilidade e compromisso com ela e com Maria.
Kaori tentou expor o lado dele. Disse que entendia um pouco, que ele só estava se sentindo insuficiente para ela, vendo que aquela não era nem de longe a vida que Bibi sonhava.
Ele chegou rápido, em cinco minutinhos.
Bibi ficou encarando ele bem séria.
Ele falou, bravo:
— O que foi, Bibi? Não fica me olhando assim, não!
Ela falou toda afrontosa que olhava para ele como bem quisesse, que, se ele não estivesse curtindo, era para voltar para onde estava.
Ele ficou quieto e saiu andando em direção ao ponto de ônibus.
As duas se despediram.
Bibi falou que iria dar um jeito de ir vê-la para conversarem melhor.
Kaori foi caminhando com Breno.
Ele comentou que Bibi estava tirando ele do sério.
Kaori respondeu, irônica:
— Você sempre disse que gostava dela porque era doida. Aguenta aí. Fé nas malucas!
Ele respondeu:
— Eu gostava das loucuras de antes. Agora ela acha que vou fazer merda só de sair na calçada. Não posso ir na esquina sem levar uma criança comigo, é f**a, "V". Ela não confia em mim, assim fica difícil. Já basta minha mãe enchendo minha cabeça todo dia. Eu tô tentando de verdade, quero o melhor pra elas duas, sabe? Falei pra ela se resolver em casa e ir morar lá até eu ter condições de arrumar um lugar nosso. Eu sei que ela não gosta de como tá tudo. Eu olho pra ela e vejo que não tá feliz com a vida que leva. Eu só queria dar tudo pra elas e agora a Maria assim... eu fico péssimo com isso.
Eles conversaram um pouco enquanto Kaori esperava o ônibus.
Ela disse que Bibi não era mais a mesma há muito tempo, que estava até bem comparado a antes.
Contou algumas coisas que aconteceram com as duas no último ano.
Ele ficou chateado e comentou que estava difícil procurar um emprego, pagar advogado e cuidar da Maria.
Ela o aconselhou a tentar entender Bibi.
Disse que era tudo real, que ela escolheu ele e aquela vida, estar com ele independentemente das circunstâncias.
Quando o ônibus estava chegando, ele agradeceu a ela por tudo, pelo carinho com Maria.
Eles se despediram e ela foi embora.
Como o bairro era longe, ela ainda precisaria pegar outro ônibus.
Quando desceu no terminal, ficou sem bateria.
Ela não tinha mandado mensagem avisando Rui de nada.
Quando chegou em casa, ele já estava lá, sentado na sala.
Era bem tarde.
Ela se aproximou para beijá-lo e falou oi.
Ele respondeu, sério:
— Oi, onde você tava?
Ela falou que tinha ido à casa de Bibi ver Maria.
Ele respondeu:
— Até agora? Te liguei, mandei várias mensagens, você não me falou nada.
Ela disse que ficou sem bateria.
Foi tirando as coisas da mochila.
Ele falou que ficou preocupado, que tinha saído mais cedo para ficar com ela.
Ela respondeu:
— Desculpa, me distraí lá conversando e, quando ia avisar, o celular desligou. Vou tomar banho. Tá com fome?
Ele disse que não.
Deitou no sofá e ficou assistindo.
Antes de tomar banho, ela saiu de toalha para pegar um sabonete, deixando o chuveiro ligado.
Ele se assustou quando ela passou pela cozinha falando com ele.
Estava mexendo no celular, distraído.
Ela notou e teve a sensação de que ele estava fazendo algo escondido.
Quando saiu do banho, ele não estava mais no celular.
Desligou a televisão da sala e foi deitar no quarto.
Ela estava falando da Maria.
Foi vestindo o pijama e conversando.
Ele fez um comentário sobre a calcinha dela, dizendo que era uma das preferidas dele, ótima para puxar para o lado.
Ela respondeu, irônica:
— Não estava bravo comigo? Já passou?
Ela apagou a luz e foi deitar.
Ele disse que podiam resolver aquilo bem fácil e rápido.
Ela respondeu, rindo:
— Não muito rápido, eu espero. Tô com saudades de você!
Ele disse que estava trabalhando e pensando nela o dia todo.
Começaram a se beijar.
Ela estava deitada, quase nua, quando percebeu que não queria fazer nada.
Disse que estava cansada, com sono.
Foi parando de corresponder.
Ele perguntou se era só sono mesmo.
Questionou por que ela já não tinha dito de início que não queria.
Ela respondeu, chateada:
— É só isso! Mas vai, vamos continuar?!
Ela deu um beijinho.
Ele disse que não queria daquele jeito, que não havia problema em parar.
Nem quis ficar beijando.
Já foi logo dormir.
Ela enrolou e esperou, ansiosa, para mexer no celular dele.