Capítulo 105

1273 Words
Capítulo 63 Ela disse que ia tudo voltar ao normal depois do parto, que aquela menina estava atrapalhando tudo. A briga foi feia e, pra não piorar, a Kaori arrumou a mochila e saiu, foi pra casa do William. Ele já estava indo pra casa dela. Quando se encontraram na esquina, ela começou a chorar, contou o que aconteceu, disse que não ia ajudar com mais nada. Ele tentou acalmar ela, falou que ela podia dormir na casa dele. Levou ela pra lá, apresentou o pai e o irmão. Ela nem quis jantar, estava muito chateada. Ele, super atencioso, fez a marmita dos dois para o dia seguinte, tentou deixar ela o mais à vontade possível. Nem transaram, só dormiram abraçados a noite toda. No dia seguinte, sexta-feira, ele levantou antes dela, foi comprar pão, bolacha, arrumou a mesa do café. Foram trabalhar juntos, pegaram o ônibus no ponto que ele pegava todo dia. Ele aconselhou ela a pensar bem em tudo com calma, disse que, se fosse o caso, ela devia morar sozinha. Na hora do almoço, foram almoçar juntos, e eles evitavam isso pra não ter falatório, mas ela estava muito triste e ele preocupado, querendo cuidar dela. Estava tudo certo pra viajarem no dia seguinte. Faltando meia hora pra encerrar o expediente, a encarregada foi até a Kaori e falou que estava contando com ela no sábado. Ela respondeu surpresa: — Eu não vou vir, avisei há dias que eu tinha um compromisso. A encarregada respondeu, irônica: — Não me lembro de você ter avisado nada. Bom, você que sabe… a empresa precisa de funcionários que queiram trabalhar. Todos os dias chega um monte de currículos aqui de gente querendo estar no seu lugar. Cheia de raiva, a Kaori respondeu que iria, porque estava precisando de hora extra. A encarregada disse que ela não era obrigada, que era opcional. Ela ficou arrasada, foi embora chorando no ônibus. O William desceu com ela no ponto, ficou indignado com aquilo. Ele disse que ninguém lá gostava da encarregada dela. A Bibi estava trancada no quarto. Só de raiva, a Kaori mandou uma mensagem para o Enzo contando tudo. Ele ficou surpreso, muito chateado com as duas, disse que ia no dia seguinte ver elas. Ela falou que era pra ele ir mesmo, porque a Bibi ia ficar sozinha no sábado. Ela não entrou em muitos detalhes porque estava com o William. Ele foi pra casa dele e voltou pra dormir com ela. O sexo dos dois estava ótimo, eles já estavam se envolvendo emocionalmente, e a personalidade dele, super calma, passava muita segurança pra ela o tempo todo. Ela já deixou a mochila pronta pra viajar depois do trabalho. Foi trabalhar sábado cedo. O William ficou no ponto com ela até o ônibus chegar. Ela avisou a Lisa que só ia conseguir ir de noite. Na hora do almoço, uma menina que não conversava com ela sentou junto pra almoçar. Não tinha quase ninguém na empresa, a encarregada mesmo não foi. A menina começou a puxar assunto e logo perguntou se ela estava namorando com o William. Ela disse que não. A menina respondeu, sem jeito: — É que me falaram que vocês deviam estar juntos. Pelo trabalho em si não tem nada a ver… mas, olha, deixa pra lá. A Kaori perguntou o que ela queria dizer. Ela, super sem jeito, falou que a encarregada era melhor amiga da ex do William, que trabalhou lá também. Não disse mais, mas insinuou que a Kaori podia se prejudicar. Pediu desculpas, disse que não queria se meter em nada, que só quis alertar porque ela era novata. A Kaori fez algumas perguntas, agradeceu, disse que não tinham nada sério e que ia se afastar porque precisava muito do emprego. Ela ficou super chateada. Quando foi embora, ele estava no ponto esperando, pronto pra ir pra casa da Lisa com ela. Ela já desceu do ônibus séria. Ele se aproximou, foi beijar, perguntou como foi o dia dela. Ela foi logo falando que não queria mais, pediu um tempo. Ele ficou sem entender, chateado, perguntou o que estava acontecendo. Ela acabou falando que precisava mais do emprego do que dele, que, apesar de estar gostando muito dele, não podia correr riscos desnecessários. Ele ficou bravo, disse que nem chegou a namorar a outra, que ela e a amiga eram loucas. Ele queria ir tirar satisfação. Ela disse que não era pra ele nem falar nada a ninguém, porque ia prejudicar ela. Fez ele prometer que ia deixar pra lá. Ele acompanhou ela até em casa. Se despediram com um abraço apertado. Ela se segurou pra não chorar. Ele ficou triste também. Assim que ela entrou do portão pra dentro, começou a chorar. Na sala estavam a Bibi e o Enzo. Ficaram sem entender. Ele levantou, abraçou ela, perguntou o que tinha acontecido. Ela não falou nada, só se encolheu nos braços dele, com um choro sentido e, novamente, com o coração partido. A Bibi só ficou olhando, quieta. As duas estavam sem conversar. Os dois foram para o quarto dela. Ela começou a pegar roupa e foi tomar banho. Ela tinha que ir logo pegar o ônibus. Se trocou, pegou a mochila e falou pra ele que depois conversavam. Ele perguntou se estava tudo bem. Ela respondeu, já na porta da sala: — Não muito… mas vai ficar. Me liga depois? Ele se ofereceu pra levá-la. Ela disse que não precisava. O Juliano e a Lisa estavam loucos ligando pra ela. Todo mundo perguntando se ela queria carona, se ia ir mesmo. Ela mandou mensagem falando que já estava indo. Ela se maquiou no ônibus. Foi com um vestido nude regatinha e tênis. Quando chegou no terminal rodoviário, ligou pra Lisa. Ela disse que estaria lá. Logo o Juliano apareceu. Ele disse que foi buscá-la porque queria ver ela pelo menos um pouco. Perguntou do namorado dela. Ela respondeu, colocando a bolsa no banco de trás: — Ele não é meu namorado. Minha mãe contou pra todo mundo mesmo? Ele disse que pra todo mundo não, só pra família. Ela ficou tentando disfarçar a tristeza. Quando ele tomou duas ruas diferentes do trajeto, ela já achou estranho. Perguntou onde estavam indo. Ele começou a falar no celular e ignorou ela. Ele foi para a casa de festas no bairro da Lisa. Disse que a Lisa tinha alugado pra aproveitarem melhor o fim de semana dela, que fazia um ano que quase tinham a perdido e que aquela data merecia ser comemorada. Ela foi descendo do carro com uma cara de tacho. Tinham muitos carros lá na rua. Quando abriu o portão, viu muita gente reunida no escuro. Gritaram, surpresa, festejando a chegada dela. Acenderam as luzes. Estava tudo decorado com muitos balões em tons de azul, uma das cores preferidas dela. Tinha uma mesa de presentes cheia de embrulhos de diversos tamanhos e a mesa com um bolo enorme também decorado. Ela foi realmente surpreendida. Estava tudo lindo, nem parecia aniversário de adulto. Estavam todos lá: familiares do Juliano, a Joyce com o Victor, a Ivone e a tropa dela, o pessoal do restaurante, até o Miyuki estava lá. A Lisa foi a primeira a ir abraçá-la. Elas começaram a chorar juntas. Foi muito emocionante. A Lisa falou várias coisas de mãe, desejando tudo de melhor pra Kaori. Disse o mesmo que o Juliano sobre ser essencial comemorar, porque o último ano foi horrível, com ela no hospital em coma. Ela comentou que, para alguns deles, não era fácil conviver daquela forma, mas que, por ela, estavam todos lá, colocando as diferenças de lado.
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