Capítulo 152
Ele enrolou, não falou nada demais. Bernardo adorou o passeio e ficou atrás de Juliano pescando a maior parte do tempo, chamando ele de tio. Logo depois do almoço foram para casa, e Kaori combinou de acertar os detalhes com Joyce depois de avisar no restaurante que não ia mais.
Lidiane passou para buscar Bernardo na casa de Ivone. Ela conversou com Rui sobre dinheiro, dizendo que precisaria de mais no próximo mês. Apesar de estar perto, Kaori não conseguiu entender toda a conversa. Ivone chegou com o namorado e apresentou ele para Lidi, e era nítido que o rapaz ainda não estava sendo aceito muito bem pelos filhos dela.
Assim que Bernardo foi embora, Rui falou para Kaori que queria ir ficar na casa dela. Os dois foram para lá e Hugo chamou Rui para conversar na cozinha. Pegou o notebook e ficaram falando sobre a loja, Hugo queria implantar um novo sistema e queria a opinião de Rui também para aconselhá-lo na parte administrativa.
Lisa queria ficar por lá, mas Hugo insistia para que ela fosse embora com ele, porque já fazia semanas que ela estava ficando na antiga casa. Ela colocava as coisas no carro dizendo que não queria ir muito tarde. Hugo tocou no assunto do empréstimo, dizendo que ia transferir na segunda-feira.
Kaori ouviu e ficou curiosa. Foram até o portão acompanhar os dois e se despedirem. Kaori falou com a “Vezinha”, passando a mão na barriga da mãe, dizendo que ia comprar um tênis bem bonito para ela, para as duas andarem combinando.
Lisa respondeu rindo:
— Você vai mesmo continuar chamando sua irmã assim, Kaori?
Ela disse que talvez, provavelmente sim. As duas se abraçaram e Lisa falou que ia esperar os dois, reclamando que nunca tinham ido lá visitar desde que começaram a namorar. Quando foi se despedir de Rui, pediu para ele cuidar da filha dela.
Ele respondeu abraçado com Kaori:
— É ela que tá cuidando de mim ultimamente.
Lisa foi embora com Hugo. Rui perguntou se ela tinha falado com Bibi, e os dois começaram a falar dela e da Maria. Kaori disse que ia se afastar, porque não queria mais ficar sendo feita de boba.
Ele alertou ela sobre o histórico das duas, pediu que aprendesse a separar o carinho pela Maria da prontidão para socorrer Bibi o tempo todo. Criticou Bibi como mãe, amiga e mulher, disse que ela era egoísta demais, sem juízo.
Relembrou tudo o que aconteceu no carnaval, quando ela aprontou tudo para provocar Diego. Kaori concordou em partes, mas disse que a vida de Bibi sempre foi complicada, que bens materiais nunca faltaram, mas ela nunca teve uma família de verdade para acolher e ajudar. Sempre foi rebelde e muito solitária.
Ela perguntou sobre o empréstimo. Rui contou que ia quitar a moto, consertar e depois pagar Hugo em pequenas parcelas. Kaori ficou quieta, mexendo no celular e trocando mensagens com Joyce.
As duas falavam sobre organizar uma lista com tudo o que Kaori precisaria para começar a cuidar de Victor. Ela estava distraída quando Rui se aproximou por trás e começou a beijar o pescoço dela, deslizando a mão por baixo da roupa, atiçando e arrepiando ela.
Ela falou rindo e se afastando:
— Onde você quer chegar com isso? Seus livros estão ali te esperando!
Ele sentou na cama e respondeu, tirando a camiseta, que podia estudar depois. Ela continuou mexendo no celular e falou que ia tomar banho. Demorou um pouco para voltar ao quarto e, nesse tempo, ele acabou dormindo.
Kaori fechou a casa, colocou uma camisola e foi deitar em cima dele de costas. Ele despertou abraçando ela e disse que queria dormir e acordar ao lado dela todos os dias.
Ela respondeu surpresa:
— O que foi? Declaração aleatória assim?
Ele disse que estava apenas declarando o amor dele, que tudo ao lado dela era bom, estar com a família ou em casa, os dois sozinhos. Ela respondeu que gostava de como as coisas eram por lá, casa cheia, festas animadas, aquela bagunça gostosa.
Ele respondeu:
— E a nossa festa? Tô com saudades. A gente podia mostrar um ao outro um pouco desse amor... o que você acha?
Ela disse que fazia muito tempo. Começou a provocar com beijinhos e mordidas, falou que não podiam ficar tantos dias longe um do outro. Os dois começaram a se agarrar.
Ela levantou para pegar camisinha. Ele falou que ia ajudar ela com o médico para colocar o DIU. Kaori respondeu debochando:
— Isso é tão excitante... imaginar o médico colocando o DIU em mim menstruada. m*l posso esperar. E as cólicas que vêm junto... uiii.
Ele se sentou na cama, puxou ela para perto e falou:
— Se você não quer colocar, ainda dá tempo de desistir... e eu acho que você vai poder tirar bem antes do prazo de validade.
Ele estava claramente se referindo a ela tirar para engravidar. Kaori riu e respondeu:
— Tá tudo bem, gato? Você tá todo estranho hoje, hein?
Ele disse que estava apaixonado demais. Kaori fez piada, dizendo que ele estava igual gato bajulando para conseguir o que queria. Depois de matarem as saudades, namorando por horas, ficaram deitados abraçados na cama, aproveitando aquele silêncio confortável que só existia entre os dois depois de se entregarem por inteiro.
Ela já estava quase pegando no sono quando ele quebrou o silêncio, falando sério:
— Amor, posso te perguntar uma coisa?
Ela respondeu, sonolenta, que sim. Então ele perguntou:
— De zero a dez, quanto você gosta da minha moto?
Kaori riu, ainda meio mole de sono, e respondeu que dez, que só tinha ficado com ele por causa da moto. Falou aquilo em tom irônico, por causa de todas aquelas coisas absurdas que Renata costumava dizer.
Ele ficou quieto por alguns segundos antes de falar que estava pensando em vender. Kaori abriu os olhos na hora, virou o rosto para olhar para ele e respondeu surpresa:
— Vender? Agora que vai quitar? Você é apaixonado por essa moto!
Ele respirou fundo e disse que estava pensando nas prioridades, que talvez pudesse comprar outra menor e usar o restante do valor para dar entrada em uma casa.
Kaori ficou em silêncio por alguns segundos, tentando ligar as peças, e respondeu chateada:
— Em outra cidade? Isso explica tudo... já entendi o seu comportamento hoje. Você quer ir morar perto do Be, né? Eu vou te apoiar de qualquer forma, só pensa bem em tudo.
Ele olhou para ela e perguntou:
— Você estaria disposta a namorar à distância? Um ano... talvez um pouco mais?
Ela respondeu que sim, mas sentiu o peito apertar na mesma hora. A ideia machucava mais do que ela queria admitir, mas tentou não demonstrar. Mesmo assim, ficou visivelmente chateada.
Ele continuou falando:
— Acho que encontrei uma boa oportunidade, e não vai demorar para o Maicon ir e o Marcos vir. Eu sei que vai ser difícil no começo.
Kaori respirou fundo e respondeu que parecia mesmo uma boa oportunidade. Tentava manter a calma, mas por dentro já estava processando tudo aquilo, imaginando a distância, a saudade e tudo o que mudaria entre eles.
Ele passou a mão no braço dela e falou:
— Tô pedindo muito de você desde que voltamos, né? Amor, não tá nada decidido. Tô falando com você porque quero sua opinião... pode falar.