Capítulo 60

1329 Words
Capítulo 18 Eles combinaram de levar ela a um especialista na segunda-feira, enquanto o Juliano estava lá a Joyce ligou várias vezes para saber da Kaori e se mostrar presente para a Lisa, elas estavam tendo “respeito” uma pela outra, mas não eram amigas, ambas não assumiam que não estavam tão seguras e satisfeitas. À noite, no domingo, a Kaori ligou o celular, o Thomás tinha mandado várias mensagens e queria ir ver ela de qualquer jeito. Ela disse que não estava muito bem e que precisava ficar sozinha alguns dias, pediu um tempo e falou para ele seguir com a vida dele, porque a vida dela nunca mais seria a mesma e ela não queria, não podia ter a responsabilidade de um relacionamento. Ele ainda insistiu, queria ir visitar só como amigo, ela ficou de marcar um dia, mas não queria, só concordou para ele parar de insistir. O Rui tinha mandado uma mensagem domingo de manhã: — Bom dia, Kaori, como você tá? Minha mãe me contou que você passou a noite no hospital. Ela não respondeu nem estava online quando ele mandou. À tarde ele mandou outra: — Espero que você fique bem. Ela não respondeu nada, ele não mandou mais nada. Na segunda-feira, a Lisa e o Juliano foram levar ela no médico, aparentemente estava tudo normal, apontaram que o problema era o lado emocional e aquilo era completamente normal na situação dela. Ela não foi trabalhar, os pais também não, chegaram depois das 16:00, ela foi tomar banho e deitou no quarto ainda indisposta. Eles estavam vendo se podiam tirar ela do trabalho e se segurando para não discutirem, a Lisa estava possessa da vida com o Juliano. Alguém bateu palmas no portão e chamou pela Kaori, era uma mulher. A Lisa foi atender, voltou para dentro e falou que era uma entrega para a Kaori. Ela quis saber o que era, a Lisa falou: — Filha, vai lá ver rapidinho, deve ser coisa do seu pai. Eu não sei, vai lá! O Juliano tinha ido embora há pouco tempo. Ela levantou de pijama, foi no portão e, quando abriu, tomou um susto: era entrega de uma floricultura, a moça estava com um urso de pelúcia muito grande, quase do tamanho dela. A Kaori ficou sem reação, surpresa, até sorriu olhando tudo. A moça falou: — Oi, tudo bem? Você é a Kaori? Uma pessoa especial te mandou esse ursinho e essas flores. Ele disse que sente muito e que você é uma princesa de temperamento difícil. Espero que goste! A moça leu o cartão rindo, levando na brincadeira, deu as flores nas mãos da Kaori, era um buquê de rosas vermelhas. A Lisa estava filmando tudo achando o máximo, se divertindo. A Kaori falou séria: — Quem mandou isso? Não tem nome? A moça respondeu sem graça com a reação péssima dela: — Ele disse que você ia saber assim que ouvisse o recado do cartão. A Kaori nem tinha pegado o urso ainda, falou para as duas ouvirem: — Eu não acredito nisso, quem esse palhaço acha que é?! Mãe, eu já volto! A Lisa, surpresa, perguntou o que estava acontecendo para ela ficar tão brava com aquilo, ela disse que ia resolver. Foi na casa do Rui de pijama mesmo e chamou no portão. A Daia saiu atender, ela tremia muito nervosa, perguntou pelo Rui. A Daia falou sem entender: — Oi, meu irmão não chegou ainda, aconteceu alguma coisa? Por que você tá de pijama? Tá tudo bem? Ela respondeu quase chorando: — Vim devolver isso aqui, mas deixa que depois eu volto. Quero devolver pessoalmente! A Daia saiu no portão, perguntou o que estava acontecendo com os dois. A Kaori disse que ele era um babaca, que ela estava tão nervosa que ele deu sorte de não estar lá, senão ela ia jogar aquele buquê ridículo na cara dele. Ela não quis conversar com a Daia, voltou para casa, a Lisa tinha guardado o urso, a Kaori sentou na sala e ficou encolhida olhando o urso. A Lisa perguntou se era presente do Rui, ela respondeu: — Não quero conversar sobre isso, mãe. Você ficou na cama dois dias chorando e o Carlos sumiu, eu não fico interrogando a sua vida. A Lisa respondeu chateada: — Não precisa falar assim comigo, Kaori. Eu só queria entender porque ele estava dormindo aqui e do nada tá te mandando presente enquanto você fica desse jeito. Ele te fez alguma coisa? A Kaori respondeu limpando as lágrimas: — Desculpa, eu não queria te responder m*l. Ele é um babaca, um grosso, e******o, só isso. Ela não falou nada e foi para o quarto. Pensando com calma, a Kaori decidiu deixar quieto. Mais tarde o Rui mandou uma mensagem: — Fiquei sabendo que você estava me procurando? Ela não respondeu. Ele mandou outra: — Fico feliz em saber que você tá bem o suficiente pra vir brigar comigo, espero que tenha gostado da minha oferta de paz. Ela não respondeu. Ficou com raiva do urso no primeiro dia, mas depois começou paquerar ele e, no terceiro dia, já colocou o urso na cama. Na quarta-feira ela trabalhou, foi na fisioterapia também, depois foi para a casa do Juliano e à noite voltou para casa. Ela estava se isolando de todos, pensando nas prioridades para ela, tentando se concentrar no trabalho, que não estava fácil. Na quinta-feira ela precisava ir no mercadinho do bairro. Quando estava no quintal, ouviu o Rui passando de moto e desistiu. A Lisa ligou para a Kaori perguntando se ela queria ir ajudar no restaurante, porque a dona que ficava no caixa estava passando m*l, ela estava grávida e ainda não tinha pego ninguém para ajudar. A Kaori aceitou, não tinha nada melhor para fazer e os donos eram muito legais com a Lisa. Mandaram um Uber ir buscá-la. Quando a Kaori chegou, foi falar com a Lisa. Estavam sem conversar direito há dias, a Lisa foi falando só de trabalho. A Kaori ficou no balcão e nas mesas ajudando a tirar pedidos, enquanto a Lisa ficou no caixa. Deu tudo certo e ela recebeu no final da noite. Quando estavam fechando, a Lisa mostrou como fechava o caixa, a Kaori foi ajudando com tudo. Estavam terminando de limpar, a Ivone estava lavando louça, a Kaori foi para a cozinha e a Ivone falou assim que ela entrou: — Não tive nem tempo de conversar com você ainda, mocinha. O que você andou aprontando por aí? Eu só ouço falar de você: é em casa, é no trabalho! Logo vou estar sonhando com você. A Kaori sorriu e falou envergonhada: — Você vai brigar comigo também? Eu vou chorar! A Ivone riu e disse que não tinha coragem. A Kaori foi até ela e se encostou abraçando ela por trás, toda carente. A Ivone perguntou se ela estava mais calma, porque todos estavam falando a mesma coisa, que ela estava como um furacão desembestado. Ela respondeu sem graça: — Eles querem acabar comigo, eu sou inocente. E tô com fome, eu não tenho direito a um pratinho de comida, não? Muito surpresa, a Ivone perguntou se ela estava com febre para estar pedindo comida, já que sempre rejeitava ou comia na marra. Ela disse que era a presença da Ivone que a deixava mais disposta. Superatenciosa, a Ivone largou a louça, fez um prato para a Kaori, ela comeu tudo agradecendo e elogiando a cozinheira. Ajudou com o que faltava, as três foram embora juntas. Ninguém falou do Rui, ele não quis dar detalhes à família dele, e a Kaori fez o mesmo. Ninguém sabia porque estavam agindo daquele jeito. Na sexta-feira a Kaori trabalhou de manhã no mercado, foi para casa dormir à tarde e à noite faltou do curso para ir trabalhar no restaurante. Ela ficou mais no caixa aprendendo tudo, decidiram pagar R$60,00 pela noite, ela se interessou porque estava precisando muito de dinheiro...
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