Capítulo 12

1342 Words
Kaori sempre foi mais explosiva que Bibi. As duas já tinham brigado outras vezes, mas sempre acabavam fazendo as pazes. Só que naquela semana inteira Bibi a ignorou completamente. Kaori foi tentando se aproximar, dava um oi, um tchau de longe, tentava agir como se nada tivesse acontecido, mas Bibi realmente não queria conversar. Os amigos em comum estavam marcando de ir jantar na casa de um deles. Quase todos toparam. Kaori não tinha certeza se queria ir. Enquanto estavam no vestiário do mercado, ela perguntou pra Bibi se ela iria. Bibi respondeu: — Não sei. Para de fingir que quer mesmo voltar a falar comigo. Você sempre faz isso. Tô cansada de deixar pra lá seus surtos e falar que nossa amizade é mais importante. Kaori ficou chateada e respondeu que não ia ficar atrás dela se humilhando, ainda mais porque nem tinha sido nada demais a briga. Bibi respondeu fria: — Ótimo. Kaori não insistiu. Foi pra casa super desanimada e acabou nem saindo naquele dia. No mesmo dia, Enzo saiu do grupo. Kaori só não mandou mensagem porque teve certeza de que ele estava voltando com a ex. E não demorou muito pra confirmação vir. Na mesma semana eles colocaram relacionamento sério nas redes sociais. Aquilo mexeu com ela, mesmo que não fosse amor. Naquele momento, a única pessoa com quem Kaori realmente conversava era Daniel, o professor. Mas ele também estava distante, falando cada vez menos, evitando ela. Kaori só queria vê-lo, nem que fosse por uma noite. Chegou a dizer isso pra ele. A resposta que recebeu foi seca. Daniel disse que ela precisava desencanar, porque ele nunca largaria a noiva e que ela não merecia ser traída. Kaori não respondeu mais nada. Depois ele mandou boa noite e avisou que no dia seguinte ficaria ausente por causa de uma viagem. Ela não respondeu. Ficou com raiva. No sábado foi trabalhar daquele jeito, de mau humor, sem paciência. Não falou com ninguém além dos clientes. Ficou até mais tarde fazendo hora extra porque era semana de pagamento e o mercado estava lotado. Já no final do expediente, Clara uma colega, apareceu por lá. As duas começaram a conversar e Clara perguntou por que Kaori não tinha ido no jantar na casa dela. Kaori respondeu que estava cansada. Clara então chamou ela pra ir lá à noite, beber e conversar, Kaori recusou. Clara então comentou sobre Enzo ter voltado com a ex. Kaori respondeu que estava torcendo pelos dois. Clara falou de forma meio irônica que ela e Enzo eram muito amigos e que o pessoal estava sentindo falta dos dois juntos no grupo, nas festas. Kaori respondeu: — Sim, somos muito amigos mesmo. Assim que der eu vou. Esses dias eu tava super ocupada. Clara insinuou que talvez Kaori não estivesse bem por causa do término com Enzo. Kaori respondeu que não tinha nada a ver. Aquilo até a incomodou, mas não levou muito a sério a especulação. Quando saiu do trabalho, um número restrito começou a ligar. Já tinha algumas chamadas perdidas antes. Kaori atendeu. Era Daniel. Ela falou irritada: — Ahh, é você. O que quer comigo? Daniel disse que tinha ficado chateado, achando que ela estava brava com ele, porque simplesmente parou de responder depois que ele disse que ia ficar ausente pra viajar com a noiva. Kaori respondeu: — Eu não queria atrapalhar a viagem de vocês. Ué. Daniel soltou um suspiro do outro lado da linha e respondeu: — Eu só precisava falar com você, ouvir sua voz. Você não faz ideia do quanto eu queria estar aí agora. Essa viagem tá um porre. Meus sogros estão junto, a família dela é toda chata. Kaori ficou quieta ouvindo Daniel falar. Ele disse que eles iam se ver na segunda-feira e prometeu surpreendê-la para compensar tudo. Kaori respondeu que não queria promessas, e sim atitudes. Daniel disse que com ela se sentia capaz de tudo, que Kaori fazia ele ser mais ele mesmo, enquanto a noiva só o colocava pra baixo, mesmo sem querer. Conversaram só mais um pouco, mas aquilo já foi suficiente para Kaori ficar mais animada. Um ânimo que acabou no mesmo instante em que entrou em casa. A namorada do pai estava lá. Os dois estavam na cozinha. O pai dela cozinhava pra ela enquanto ela estava sentada no balcão, tomando um drink. Parecia uma Barbie: alta, loira, olhos claros. Kaori nunca tinha visto ela antes. Kaori deu boa noite e nem entrou na cozinha. O pai foi todo eufórico, dizendo que estavam esperando por ela. Chamou Kaori para conhecer Joyce. As duas se cumprimentaram. Joyce foi simpática, embora um pouco desconcertada, dizendo que Kaori era linda e parecia personagem de desenho mangá. Kaori respondeu sem graça que tinha marcado de sair com o pessoal. O pai começou a insistir pra ela desmarcar, dizendo que ela estava sempre com os amigos e pediu pra ficar em casa. Como nem tinha compromisso mesmo, acabou aceitando. Foi pro quarto tomar banho e enrolou bastante pra voltar. Depois de um tempo Joyce foi até o quarto chamá-la. Bateu educadamente na porta. Kaori abriu e as duas começaram a conversar sobre a decoração da casa. Joyce parecia legal, mas Kaori ainda estava com o pé atrás. Jantaram juntos. Conversaram bastante, os três. Kaori foi deitar cedo. Saiu pela manhã pra trabalhar e os dois ainda estavam dormindo. No vestiário ouviu Bibi conversando com outra menina sobre a noite anterior. Percebeu que pelo jeito tinha sido bem divertida. Kaori ficou com ciúmes, com vontade de falar alguma coisa, mas se afastou sem dizer nada. No fim do expediente foi pra casa. Todos saíram, ela preferiu não ir. Ficou em casa. Ligou pra mãe querendo marcar alguma coisa, sair, ver ela. Mas a mãe disse que ia sair com um cara que conheceu numa balada. Kaori acabou sobrando sozinha em pleno domingo. Na segunda-feira cedo já acordou com mensagem de Daniel dizendo que estava ansioso pra vê-la. Não conversaram muito porque logo Kaori entrou no trabalho. Assim que saiu, foi correndo pra casa se arrumar. Colocou uma lingerie mais sexy, se maquiou, vestiu um vestido justo e tênis. Daniel mandou um endereço e se ofereceu pra pagar o Uber. Não foi buscá-la pra ninguém ver os dois juntos. Kaori foi sozinha, para a casa dele e da noiva. Daniel parecia um pouco nervoso. Recebeu ela no portão. O muro era alto, tudo fechado. Assim que entrou ele a beijou e disse que estava ansioso. Kaori respondeu: — Eu também. Já faz tempo que a gente não fica. Entraram de mãos dadas. Daniel contou que estava quase tudo comprado. Kaori ficou olhando aquilo tudo em silêncio enquanto ele foi até outro cômodo. Quando voltou, ele perguntou: — Tá tudo bem pra você? Ficarmos aqui? Kaori balançou a cabeça que sim, embora estivesse um pouco desconfortável, enciumada. Ele se aproximou e começaram a se beijar. Kaori falou que queria sentir as mãos dele dentro da calcinha dela. Daniel tirou o vestido dela, a pegou no colo e levou até o quarto. A cama ainda estava toda embalada. Ele parecia diferente daquela vez. Mais solto, mais intenso. Jogou Kaori na cama, tirou a calcinha dela e começou a chupar. Estava muito mais desinibido, cheio de fogo. Ficaram juntos por mais de duas horas, transando. Kaori achou que nunca tinham aproveitado tanto. Saiu de lá leve, animada, se sentindo viva de novo. Ele deu uma caixa de chocolates pra ela, levou petiscos e vinho. Puderam se curtir muito. Ela foi embora de Uber. Quando chegou em casa, já era noite. Kaori fez o jantar, limpou a cozinha e o pai perguntou onde ela estava. Ela respondeu: — Fui no centro com a Bibi. Ele nem deu muita atenção. Achou normal. Já fazia duas semanas que Kaori não via a mãe. Ela estava distante. Kaori mandava mensagem e ela respondia, mas nunca atendia ligação. Sempre que Kaori queria marcar alguma coisa, a mãe inventava desculpas e só sabia falar do ficante novo. Kaori foi ficando chateada. E se afastou também.
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