Capítulo 10

1406 Words
Kaori olhou pra ele e respondeu que não, que não iria deixá-lo, porque sabia que não era aquilo que Daniel queria ouvir. Ele ficou rindo sozinho, dizendo que nem sabia como tinha se metido naquela situação. Conversaram por mais um tempo e Kaori contou que ia se mudar de casa. Logo chegaram no bairro dela. Estava tocando uma música de rock antiga no carro, os dois adoravam rock. Daniel comentou que queria muito levá-la a um show, porque a noiva dele nunca aceitava ir. Kaori respondeu: — Eu com certeza aceitaria todo e qualquer convite seu, sempre. Daniel sorriu e respondeu que no começo era assim mesmo, mas que depois dos anos tudo mudava. Kaori falou: — Então você tá namorando errado. Ele riu e disse que era bem provável mesmo. Ficaram ouvindo música, segurando a mão um do outro. Daniel acabou se atrasando um pouco pra buscar a noiva, que já estava ligando. Kaori agradeceu pela oportunidade que ele tinha dado a ela. Daniel respondeu que ela tinha feito a semana inteira dele valer a pena. Quando Kaori já estava se afastando, ele a chamou e entregou o pen drive dele. Não se beijaram e nem trocaram carícias mais ousadas. Mas Kaori ficou nas nuvens só de vê-lo. Sabia que Daniel ia ceder mais cedo ou mais tarde. Era só questão de tempo. Na sexta-feira, logo cedo, a mãe dela pediu uma posição sobre ir morar com o pai. Kaori perguntou o que ela ia ganhar com aquilo tudo. Falou que não era possível que ainda amasse tanto o pai a ponto de defendê-lo daquela forma. A mãe dela não gostou e se irritou. Respondeu: — Você vai entender quando for mãe e quando for mulher o suficiente pra encarar um relacionamento sério de tantos anos. Kaori respondeu: — Você gosta dele e acha que vai trazer ele de volta mantendo nós todos juntos dessa forma? Mãe, ele largou a gente e já tem outra. Para de defender o meu pai. Lisa respondeu chateada: — Não, filha. Ele me largou. Você e seu irmão não têm nada a ver com isso. Se resolve com ele, eu não vou me meter mais, Kaori. Kaori foi trabalhar pensando que talvez não fosse tão r**m tentar ficar na casa do pai. Depois do trabalho foi até a loja falar com ele. O pai começou a dizer que ela ia tirar habilitação, que seria presente de aniversário. Logo perguntou se ela tinha se decidido. Kaori respondeu que ainda estava pensando com calma. Ele chamou ela pra comprar algumas coisas que faltavam na casa. Disse que no domingo o quarto estaria pronto. Ele parecia muito mais animado do que ela. Compraram algumas coisas pra decoração. Kaori tocou no assunto da atual dele. Ele disse que elas iam se dar muito bem e falou bastante dela. Kaori respondeu: — Tô sem um pingo de vontade de conhecer ela. No mesmo dia, ela começou arrumar as coisas. Quando chegou a noite, o pessoal começou a falar sobre se encontrar numa conveniência de posto onde sempre iam. Kaori disse que não podia sair porque estava ocupada. Bibi sua melhor amiga se ofereceu pra ir ajudar. Pediram pizza. O celular de Bibi estava conectado na televisão, então Kaori pegou pra trocar a música. Foi quando viu chegar mensagem de Enzo: “Mas você não vai contar né? / Me liga quando sair daí / Posso te buscar depois?” Kaori leu pela barra de notificação e ficou curiosa pra saber do que estavam falando. Bibi demorou um pouco na cozinha fazendo brigadeiro. Kaori foi atrás, perguntou: — Que horas você vai embora? Seu pai vem te buscar? Bibi respondeu que não, que estava querendo ir encontrar o pessoal ainda. Kaori respondeu: — Então vai. Não precisa ficar aqui me ajudando. Bibi perguntou se ela não queria ir também, pra irem trabalhar de ressaca juntas no dia seguinte. Kaori respondeu que não estava no clima pra social. Voltaram pro quarto e Bibi começou a trocar mensagens. Kaori falou desconfiada: — Vai logo então, porque nem tá me ajudando com as roupas. Bibi levantou e saiu dizendo que ia no banheiro e falar com a irmã, avisar que ia dormir lá com Kaori. Levou o celular junto e trocou áudios no banheiro. Kaori ouviu, mas não conseguiu entender. Logo a mãe dela chegou e começou a conversar com Bibi sobre a nova vida de solteira. Kaori ficou só observando, imaginando o que Bibi podia estar escondendo sobre Enzo. Depois que Bibi dormiu, Kaori pegou o celular dela pra olhar as conversas. Mas estava tudo apagado. Aquilo incomodou profundamente. Ela tinha quase certeza de que os dois estavam ficando escondido dela. E ela odiava mentiras. No dia seguinte foram trabalhar juntas. Bibi nem foi pra casa. Kaori ficou mais calada, evitando conversa. Bibi perguntou se ela estava m*l por causa da mudança. Kaori respondeu que estava sobrecarregada. Bibi a abraçou e disse que entendia, que estaria ali pra apoiar independente de ela estar certa ou errada. Kaori olhou séria e perguntou: — O que tá rolando com você e o Enzo? Bibi respondeu surpresa: — O quê? Como assim? Não entendi amiga. Kaori respondeu: — Vi uma parte das suas conversas. E aí? Não tem nada pra me falar? Bibi ficou na defensiva e perguntou o que ela tinha visto. Disse que Kaori estava entendendo tudo errado. Como já estavam entrando pra trabalhar, Kaori respondeu que não ia perder tempo olhando ela mentir na cara dela. Bibi respondeu chateada: — p***a, Kaori, somos melhores amigas. Você acha mesmo que eu tô fazendo o quê? Ficando com ele e mentindo pra você? A mentirosa aqui, que usa tudo e todos pra chegar onde quer, é você, não eu. Ele também é meu amigo. Kaori mandou ela ir se fod.er. Entraram pra trabalhar sem olhar na cara uma da outra. Ficaram sem se falar. Quando deu a hora de ir embora, Bibi saiu depois dela. Kaori foi pra casa com o pai. Foram buscar as coisas dela. A mãe não estava lá. Ela foi pra casa do pai e passou horas arrumando o guarda-roupa. O pai tinha deixado o quarto muito bonito, a atual não estava lá, foi dormir com a mãe, por motivos de saúde. Kaori mandou fotos pra mãe mostrando tudo. Ela respondeu que estava trabalhando e que ligaria quando chegasse. À noite o pai perguntou se Kaori queria sair com ele pra comer. Ela disse que estava cansada. Ele respondeu que não queria deixar ela sozinha na primeira noite juntos. Kaori insistiu pra ele ir com a namorada. Já era noite quando Enzo ligou. Kaori não atendeu. Só ficou olhando o celular tocar. Entrou pra tomar banho, colocou pijama e pantufas. Miyuki ligou logo depois, mandou mensagem falando que Enzo ia lá vê-la. Ela não respondeu. Saiu às pressas, foi pras escadas do prédio e sentou lá. Ela simplesmente não queria ver nem falar com Enzo. Ficou bastante tempo ali, mexendo no celular. Ele ligou algumas vezes, mas ela deixou cair na caixa postal. De repente ouviu alguém descendo as escadas. Levantou rápido e fingiu que estava subindo. Era um rapaz. Ele se assustou com ela, deu boa noite e desceu. Kaori sentou um pouco mais acima. Pouco depois ouviu ele voltando. Levantou de novo, fingindo que ia sair dali, mesmo nem sendo o andar dela. Abriu o w******p e começou a gravar um áudio falso: — Aham, tá bom, eu sei... olha, tô nas escadas pra falar com você... preciso entrar... aham, eu sei... Quando ele passou por ela, deu um sorrisinho, parecendo debochar da forma como ela estava vestida. Kaori falou sem graça: — Sou nova aqui. Não me entrega pro síndico, por favor. Ele parou e respondeu que não era delator. Perguntou onde ela morava. Kaori apontou qualquer direção ali mesmo. Ele abriu a porta e os dois saíram das escadas. Se apresentaram, ela disse o nome dela. O dele era Thomás. Ele perguntou o número do apartamento. Kaori respondeu, disfarçando e voltando pra trás: — Ahhh... eu não lembro. Desculpa, preciso atender o celular. Thomás sorriu e respondeu: — Tranquilo. Só que nesse andar você não pode morar. Eu conheço todo mundo daqui há anos. Inventa que mora no quarto andar, lá é mais tranquilo. Se você não morar aqui e for algum tipo de psicopata, eu vou dizer que nunca te vi antes. Kaori sorriu sem graça e voltou pras escadas.
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