Capítulo 121
Segurou nas mãos da Kaori e falou:
— Pensei muito em como te contar, e você é a primeira pessoa a saber. Tudo bem. Estou grávida! Não quero que você pense que vou refazer minha vida, ter outra família e excluir você. Estou longe por enquanto, mas nada vai mudar entre nós. Você foi o meu primeiro amor, minha primogênita, que me mostrou que é possível amar tanto que chega a doer. Quando você nasceu e chorou, eu me senti a mulher mais feliz e poderosa do mundo. Dar à luz me fez renascer, filha.
As duas estavam chorando. A Kaori se aproximou, abraçou Lisa e deu parabéns. Ela realmente não esperava. Pediu desculpas e disse que não sabia nem o que falar. Lisa respondeu, limpando as lágrimas de Kaori:
— Está tudo bem, filha. Dessa vez é diferente. Não me sinto bem, forte ou poderosa. Estou com muito medo. Se você estiver chateada, eu vou entender. Sempre estou falando para você se cuidar. Não quero isso para você neste momento da sua vida, porque eu sei o quanto é difícil. Eu me sinto m*l por falar uma coisa e fazer outra.
A Kaori interrompeu e falou:
— Não, mãe, está tudo bem. Estou muito feliz por vocês. O Hugo não tem filhos, ele com certeza vai gostar muito da novidade. Eu sei que não é a melhor hora para mim. Vocês têm instabilidade, já estão casados, não precisa ficar insegura. Vai ser bom para vocês! Estou muito feliz de verdade.
O Hugo estava chegando. Elas ouviram o portão. A Kaori se levantou e disse que ia dormir na casa do Juliano. Ela cruzou com Hugo na cozinha e falou oi. Ele ficou sem entender por que ela estava chorando.
Desde que chegou em casa, ela não mexeu no celular. Deixou-o de canto e foi tomar banho e se trocar para ir ajudar Joyce. Quando estava se vestindo, o celular começou a tocar. Era Rui. Já havia duas chamadas perdidas.
Ela atendeu. Ele perguntou onde ela estava e o que estava fazendo. Ela respondeu:
— Estou em casa. Acabei de tomar banho. Estou me arrumando para ir à casa do meu pai.
Ele perguntou por que ela não estava respondendo e a chamou para ir até lá um pouco. Ela disse que ia ficar muito tarde e perguntou do Bernardo. Ele respondeu:
— Ele está aqui assistindo filme. Já perguntou três vezes se você vai vir dormir com a gente. Amor, está tudo bem?
Ela disse que sim, que no domingo faria um bolo para o Bernardo. Ela não podia contar sobre a gravidez da Lisa e tinha ficado um pouco chateada, por isso preferiu evitar ver Rui naquela noite.
Ela foi para a casa do Juliano de Uber. Saiu sem falar tchau para Lisa. Chegando lá, Joyce estava empacotando as coisas do Victor, e Juliano estava tentando fazê-lo dormir.
A Kaori entrou no quarto, sentou-se na poltrona e começaram a conversar. Joyce estava reclamando da pressa do dono do apartamento. Fez três perguntas em sequência, e Kaori respondeu uma e meia. Então Joyce falou:
— Ok, brigou com o namorado? Você está tão distante. Eu não quero ser chata, é... Olha, se quiser conversar, sabe que estou aqui para você!
A Kaori respondeu, chateada:
— Não, só estou cansada. Obrigada. Quer que eu te ajude com isso?
Joyce não insistiu.
Juliano entrou no quarto, abraçou Kaori e comentou que o Victor era muito diferente dos irmãos, que já pequeno dava trabalho até para dormir. A Kaori sorriu e respondeu:
— Ele é bem enérgico, né? Como foi quando eu nasci, pai? Como você se sentiu ao saber que ia ser pai, ter uma menina?
Ele se sentou na poltrona e começou a falar, sorrindo:
— Ahhh, de início deu medo. Sua mãe era muito nova e eu mais velho. A culpa caiu toda sobre mim. Mas, por incrível que pareça, eu queria uma menina. A maioria deseja menino sempre. Eu amo vocês três igualmente. Quando você for mãe vai entender, mas é um pouco diferente a ligação com cada filho. É como se você precisasse mais de mim. Seu irmão não dá trabalho, se vira sozinho, fica no canto dele. Mas você é diferente.
Joyce falou, rindo:
— É a sua preferida, né, meu amor? Quando ela apronta, você já fica pensando em como repreender com jeitinho. Aí, Kaori, quando você não vem, ele fica olhando seu perfil, vendo onde você vai, e fala sempre: “Olhaaa, ela foi passear e não veio aqui. Queria tanto que ela voltasse a morar com a gente.” Ju, chama ela para sair, se você chamar ela vem! Qualquer hora o Victor vai confundir o nome dele com Kaori de tanto que a gente fala de você aqui.
Eles começaram a rir. Juliano disse que ela não era a preferida, que só era diferente, que a amava muito e que estava ansioso para conhecer Rui.
Ela comentou que ele estava com o Bernardo para se despedir, porque o menino ia embora logo para outra cidade.
Juliano perguntou como ela estava lidando com um enteado. Disse que Rui e ela deviam estar em fases muito distintas da vida, porque ele estava quase se formando na faculdade, já tinha sido casado, tinha um filho e mais de dez anos de diferença. Ela respondeu:
— Já vai começar, pai? Eu adoro o Bernardo, ele é um amor, e o Rui é muito de boa com tudo. A gente está se curtindo, começando a pensar nos planos para o futuro. Nosso relacionamento é muito leve, sem frescuras.
Ele disse que não estava criticando, que ele mesmo sempre gostou de mulheres mais novas. Usou Joyce como exemplo, porque ele era mais caseiro, sem aquele pique para estar passeando direto e saindo para curtir a noite, e ela entendia aquilo, que os problemas deles eram outros.
Ele sempre elogiava Joyce de forma carinhosa, enaltecendo as qualidades dela. Ela ainda estava depressiva, e ele fazia de tudo para deixá-la bem.
As duas ficaram até de madrugada arrumando as caixas. Antes de dormir, Kaori mandou uma mensagem para Rui:
"Queria estar com você?"
Ele respondeu cedo:
"Oi amor bom dia porque vc tava acordada tão tarde?"
"Tudo bem?"
Ela levantou às 10h. Os dois trocaram algumas mensagens. Ele perguntou se ela ia almoçar com eles, pois a família toda ia se reunir. Ela disse que não, que só iria embora à tarde.
Na hora do almoço, Daia mandou mensagem dizendo que só estava faltando ela lá. Mandou foto do Pedro e do Bernardo. Kaori falou que estava superocupada ajudando Joyce e disse que estava com saudades do afilhado.