Capítulo 107

1543 Words
Capítulo 65 Era o Rui. Ele abaixou perto dela e falou: — Oi, Kaori… tá tudo bem? Ela olhou assustada, balançou a cabeça que sim, limpando as lágrimas. Ele se sentou ao lado dela no gramado, ficou olhando pra ela e pra agenda queimando no barranco. Ela falou irônica: — Tá achando que vou me jogar daqui de cima de novo? Ele respondeu sério, com cautela: — Não… eu só tava passando, vi o carro do meu tio… aí te vi aqui e resolvi parar. Ela falou que ele podia ir tranquilo, porque não ia fazer besteira nenhuma. Ele respondeu: — Você nunca me contou o que aconteceu na noite do acidente. Ela ficou quieta, logo se levantou, falou que precisava ir embora. Ele levantou, foi atrás dela. A moto estava no acostamento também. Ele perguntou se ela queria que ele fosse atrás até a casa dele, disse que saiu em seguida e que sabia que ela estava dirigindo sozinha pelo bairro. Ela o encarou e falou séria: — Não precisa, eu consigo voltar bem. Obrigada! Ele ficou olhando como se quisesse dizer algo. Ela entrou no carro e voltou pra casa da Ivone. Ele chegou logo atrás. A Lisa saiu brava, dizendo que tinha ligado várias vezes pra ela, preocupada. Ela respondeu irônica: — Relaxa, não vou fazer besteira de novo. Vocês me tratam como se eu fosse uma maluca, uma bomba-relógio prestes a explodir. Talvez eu seja… quem vai saber, né?! A Lisa disse que, daquela forma, ficava difícil confiar nela, que ela gostava mesmo era de chamar atenção, dando dor de cabeça pra ela. Começou a falar que ela devia voltar pra casa e retomar a vida de verdade. A Kaori ficou encarando a Lisa com os olhos cheios de lágrimas. A Ivone entrou no meio, pedindo pra Lisa ficar calma. A Kaori respondeu chorando: — Retomar a minha vida? Que vida? Só pode ser brincadeira isso… eu nem queria essa festa, esse circo todo. Por isso eu prefiro ficar longe. Tá todo mundo bem melhor comigo fora do caminho… todo mundo seguindo muito bem com a vida e eu na merda, como sempre! O Rui estava na calçada e ouviu tudo. A Ivone pediu pra ela se acalmar também. Ela saiu andando, foi em direção à casa da Lisa. O Rui foi atrás. Ela falou alterada: — Para de andar atrás de mim. Não finja que se importa comigo! Ele ficou quieto, foi até a casa da Lisa junto dela. Os dois estavam na frente do portão. Ela tentou abrir, estava trancado. Deu um chute no portão com raiva e pulou o muro na força do ódio. Ele falou pra ela não pular, disse que ela podia se machucar e que ele mesmo ia lá pegar as chaves pra ela. Ela só ignorou, não disse nada. Entrou, foi pegando as coisas, arrumando a mochila. Ele entrou logo atrás e falou: — Fica calma, Kaori… se você ficar agindo assim, só vai reforçar os motivos que a sua mãe tem pra se preocupar com você. Ela sorriu e respondeu irônica que não se importava. Ele falou, em um tom repreendendo, que aquela nem parecia a Kaori que ele conhecia. Ela se aproximou e falou bem pertinho: — Mas você nunca me conheceu de verdade… e olha que eu te deixei tocar a minha alma. Ninguém nunca esteve tão dentro de mim como você. Ele ficou sério, respondeu ainda perto, olhando ela nos olhos: — Às vezes acho que nem você mesma se conhece de verdade. Por que fica me falando essas coisas? Criticando meu namoro? Já faz muito tempo que a gente terminou… você tem raiva de mim ainda? Desculpa se eu te magoei, não era a minha intenção… e eu me arrependo muito por tudo o que aconteceu entre nós. Ela sorriu com espanto e respondeu, saindo do quarto: — Uau… você realmente consegue se superar. Se arrepende de tudo?! Deixa pra lá… isso tudo não importa. Não mais! Eu já tô tão calejada que suas grosserias nem me machucam mais. Ele ficou quieto, foi saindo atrás dela no quintal. A Lisa estava no portão com ele aberto. A Kaori entrou no carro sem falar nada. A Ivone estava com elas. Chegando na casa de festas, a Kaori desceu, foi entrando ainda quieta. Começou a fuçar nos presentes, pegou o tênis, a gargantilha e algumas outras coisas. Guardou o que ia levar e foi pra cozinha comer. Ela estava mexendo no celular o tempo todo, procurando um carro pra ir embora. A Daia chegou procurando ela, deu o Pedro nos braços dela. Se cumprimentaram com beijo e abraço. Vendo a cara dela, a Daia perguntou o que estava acontecendo. A Kaori respondeu chateada: — Depois a gente conversa melhor… minha mãe surtou comigo, falou um monte. Eu saí dar uma volta de carro e ela achou que eu ia tentar me matar, sei lá. Já faz um ano e parece que nada mudou! A Daia disse que era só preocupação, que se a Lisa estivesse mais perto, convivendo, ia ver o quanto a Kaori tinha mudado, amadurecido. Elas ficaram conversando sobre o Pedro, o batizado. A Daia ia casar no civil e depois batizar o Pedro. O padrinho dele seria o Maicon. A Kaori comentou que se sentia triste por não estar ajudando com o Pedro. Disse que não tinha condições por causa da Bibi e que ficava irada só de lembrar. A Daia disse que tinha levado mais coisas para a bebê. Foram no carro juntas pegar. A Kaori comentou que tinha visto o Rui e que sentia raiva só de olhar pra ele, todo sonso. A Daia respondeu rindo: — Era de se esperar… quando a gente gosta demais e não dá certo, a gente cria ranço pela pessoa. Você gostou do presente? Ele comprou mês passado na internet. Ela perguntou surpresa qual era o presente. A Daia disse que era um tênis da Adidas. Desacreditada, a Kaori perguntou se era verdade, disse que não ia aceitar. Ela respondeu ainda rindo: — Vai aceitar sim, para de ser boba. Não tem troca se não tiver defeito e já faz tempo que ele comprou. A Renata nem sabe quanto ele pagou… se souber, surta. No aniversário dela, foram viajar um fim de semana e ela nem gostou. A Kaori disse que não queria mais conversar com ele, porque ele sempre colocava ela pra baixo. Sem entender, a Daia perguntou o que ele disse. A Kaori respondeu: — Ele falou que se arrepende de tudo que aconteceu, como se tudo tivesse sido nada e eu fosse uma tonta deslumbrada com o cara mais velho. Era pra eu ter um filho dele, Daia… eu estava tão cega, encantada com ele, que nunca nem notei que não era recíproco. Ele dizia que não queria namorar de jeito nenhum e tá com a Renata. Por meses eu só fiquei imaginando como seria a nossa vida juntos com um filho… que bobeira minha! Eu vejo a Bibi rejeitando a bebê, fico me perguntando por que comigo tinha que acontecer aquilo… e ele nem liga, sabe? Você precisava ver a forma que ele falou… doeu muito. Ela estava chateada falando, chegou a derramar algumas lágrimas, sutilmente. A Daia abraçou ela, disse que ele não quis dizer aquilo, que ela estava levando tudo pra esse lado porque ainda estava magoada. A Kaori respondeu: — Mas foi bom… pra eu me encontrar na vida. É como ele disse… nem tudo na vida a gente planeja. Algumas coisas só acontecem… e dão certo! A Lisa saiu no portão e as duas mudaram o assunto. Logo almoçaram e a Kaori disse que já ia embora. Ela agradeceu a todos, foi se despedindo. Quando chegou na Lisa, ela falou séria, chateada: — Obrigada pela surpresa. Tchau, mãe! A Lisa disse que ela não precisava ir daquela forma. Ela respondeu irônica: — Eu nem devia ter vindo, só pra começar. Não sei quando volto… não sei se vou conseguir ir no casamento também. Já tô avisando pra você não falar que contou comigo! A Lisa respondeu que sempre ia contar com ela. Se ofereceu pra levar ela na rodoviária. Ela disse que não precisava. Não teve abraço e nem “eu te amo”. O clima entre as duas estava bem difícil. A Kaori foi até a rodoviária de Uber e foi pra casa de ônibus. Quando ela chegou, a Bibi estava sozinha. Ela estava chorando, perguntou como foi o aniversário, disfarçando. A Kaori respondeu: — Uma porcaria. Faz tempo que o Enzo foi embora? Ela disse que sim e que não estava bem desde cedo. A Kaori perguntou o que ela tinha. Ela não soube responder. Ela falou: — Se nem você, que tá m*l, sabe o que é… como posso te ajudar? A Bibi disse que não estava pedindo ajuda pra ela. Respondeu com grosseria também. A Kaori foi tomar banho, arrumar as coisas para trabalhar no dia seguinte. Uma hora depois, a Bibi disse que não ia aguentar. Ela chamou uma amiga do trabalho pra levá-la até o hospital. A Kaori se prontificou a ir junto, mesmo brigadas. Chegando lá, a Bibi foi medicada, mas teve que ficar internada com contrações. A bebê queria nascer prematura.
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