Capítulo 164

1344 Words
Capítulo 122 A Lisa mandou mensagem perguntando se estava tudo bem, como de costume, e perguntou se a Kaori não iria lá para se despedir. Ela disse que não ia dar tempo, já que Lisa iria embora logo após o almoço. Ela ficou até depois das 16h na casa do Juliano e, em seguida, foi para a casa de Ivone. Chegando lá, só estavam Ivone, Bernardo e Rui. O restante do pessoal já havia ido embora. Ela entrou, deu oi, beijou e abraçou Bernardo, depois se sentou ao lado dele. Rui falou sério: — Achei que você nem vinha. Filho, vai pegar sua mochila que a gente já vai. Sua mãe mandou mensagem dizendo que vocês vão sair. Bernardo respondeu: — Pai, mas e o bolo? Rui perguntou que bolo e se levantou. Bernardo respondeu: — A Kaori disse que ia fazer um bolo para mim hoje. Ele olhou para ela com uma expressão de “olha o que você fez”. Ela falou, chateada: — Desculpa, Bê, eu não consegui fazer. Mas a gente pode passar para comprar e você leva para comer na sua casa. Pode ser? De chocolate? O menino aceitou a proposta, levantou e foi pegar as coisas no quarto. Os dois ficaram sozinhos na sala. Ela falou: — Desculpa, eu esqueci do bolo. Eles ainda não tinham se beijado. Ele se aproximou, deu um beijo nela e disse que não tinha problema. Ela perguntou se ele queria que ela fosse junto levar Bernardo. Ele respondeu, incomodado: — Não precisa. Vai ficar me esperando aqui ou na sua casa? Ou não quer ficar comigo hoje? Ela fingiu não perceber o tom de voz dele. Disse que estava cansada, que ia tomar banho e colocar feijão de molho, e pediu para ele passar e comprar o bolo de Bernardo. Ele respondeu: — Não precisa. Ele já comeu bastante doce aqui. Ela pediu, por favor, para que ele comprasse. Abriu a mochila para pegar a carteira, mas ele falou que Bernardo queria mesmo era ir à casa dela, que não estava interessado no bolo de fato. Recusou o dinheiro e disse que compraria. Ela se despediu de Bernardo e foi para casa. Rui foi levá-lo embora. Quando voltou, estava sério. Entrou e foi sentar na sala. Ela estava na cozinha e perguntou se tinha dado certo. Ele disse que sim, que havia comprado um pedaço de bolo recheado. Ela respondeu: — Nem doeu, não é mesmo? Queria ter visto o Pedro. Vou na casa da Daia esta semana almoçar com ela. Ele respondeu, digitando no celular: — Não viu porque não quis. Ele ficou o dia todo em casa. Ela perguntou com quem ele estava conversando. Ele disse que com ninguém, guardou o celular, levantou-se e perguntou se ela não queria ir ficar na casa dele. Ela disse que não, que estava com saudades da própria cama. Ele respondeu, irônico, que também queria ficar na cama dele. Ela disse que lá era melhor porque não tinha ninguém. Ele respondeu: — Minha mãe não atrapalha em nada. Você podia dormir mais vezes lá comigo! Ela disse que outro dia. Foi para o quarto e o chamou para assistir. Ele ficou quieto, ignorando-a um pouco. Estava irritado com ela e com tudo. Logo foi atrás. Ela estava de pé, mexendo no guarda-roupa. Ele tirou os tênis e a camiseta, deitou-se de barriga para cima. Ela colocou o controle da televisão nas mãos dele e falou: — Posso deitar? Daquele jeito? Ele balançou a cabeça que sim. Ela deitou sobre ele, de costas, e colocou as mãos sobre a barriga dele. Ele falou, colocando os braços em volta dela e entrelaçando os dedos: — O que você tem? Está distante, não está me respondendo direito, deixou todo mundo te esperando hoje. O que está acontecendo? Ela respondeu, chateada: — Nada. Está com raiva de mim porque eu não fui almoçar com vocês hoje? Ele disse que não, que só estava tentando entender o que estava acontecendo com ela, já que ela não queria falar nem ser sincera. Ela falou: — Eu só quero ficar no meu canto. Não é sempre que vou estar bem-humorada, querendo conversar, beijar e ficar rodeada de pessoas. Eu sou assim! Ele respondeu, fazendo carinho nos braços dela: — Não, você não é assim. Mas não vou insistir. Não quero brigar nem descontar em você a raiva que estou sentindo da Lidiane. Ela perguntou quando eles iriam se mudar. Ele disse que em uma semana. Ela respondeu: — Não fica chateado. Você é o pai dele e ninguém nunca vai mudar isso. Ela disse que é só por um tempo, não é? Ele disse que talvez nem conseguisse ver Bernardo todos os fins de semana. Ficaram deitados daquele jeito em silêncio por mais de quinze minutos. Ela foi levantar, mas ele falou: — Pode ficar! Ela disse que ia à cozinha ver a panela. Ele foi atrás, sentou-se à mesa e disse que estava com fome. Ela ofereceu bolacha e leite, e falou que logo a comida ficaria pronta. Ele respondeu: — Você vai comer comigo? Tem comida em casa. Minha mãe fez aquela carne assada que você gosta. Vamos comer lá. Hein?! Kaori?! Ela disse que não queria comer nada, e que ele poderia ir se quisesse. Ele respondeu, irônico, levantando-se e se aproximando dela: — Se eu for, não vou voltar. Por que não quer comer nada? Está grávida também? Ela respondeu, surpresa: — Vocês já estão sabendo? Ele disse que sim, que Hugo havia chegado contando para todo mundo, superanimado. Ela ficou quieta e continuou mexendo nas coisas. Ele a abraçou por trás e falou: — Por isso você está chateada, evitando todo mundo? Não gostou da novidade? Ela disse que não, que estava chateada porque brigou com Bibi e estavam sem conversar havia dias, que não via Maria havia uma semana e tinha certeza de que não a veria tão cedo. Ele perguntou se ela queria ir até a casa de Breno. Ela respondeu, quase chorando: — Não. Eu preciso aprender a me colocar no meu lugar. Melhor me afastar agora enquanto ela é pequena. Logo ela não vai nem saber quem eu sou! Ele disse que o orgulho não levava ninguém a lugar algum. Ela respondeu, irônica: — Ótimo. Adoro ficar em casa. Eu preciso deixar de ser teimosa! Ele começou a falar de Maicon, que queria ir morar com Tati. Comentou que Lisa queria voltar para perto dela e disse que passou o almoço inteiro falando de Kaori. Ela sorriu, irônica, e falou: — Ah é? Acho que vou morar com ela lá. Sou uma ótima babá, ninguém pode reclamar disso! Ele perguntou se ela estava com ciúmes do irmãozinho. Ela respondeu, séria: — Não. Eu não sou a preferida dela, isso não vai mudar. Vamos mudar de assunto, porque se você começar com suas críticas de um homem supermaduro que já é pai, vamos brigar. Você só sabe me criticar, não tenta se colocar no meu lugar. Ele respondeu, surpreso, afastando-se: — Está vendo? Para que falar desse jeito comigo? O que eu te fiz? Se você está chateada com alguma coisa, me fala. Eu não tenho como adivinhar. Ela passou por ele e foi para o quarto sem dizer nada. Deitou-se e começou a chorar. Ele entrou com a intenção de se vestir e ir embora, mas não conseguiu simplesmente ignorá-la. Sentou-se na beirada da cama e começou a passar a mão nas costas dela. Perguntou se ela queria sair um pouco, se distrair, andar de moto. Ela disse que não e pediu desculpas. Ele deitou e a colocou sobre o peito dele. Abraçaram-se. Ela não disse nada, mas ele entendeu que o que a incomodava era a gravidez de Lisa. Ela não teve coragem de falar, mas sentiu um pouco de inveja. De certa forma, ela não conseguia aceitar que Lisa, sua mãe, estivesse grávida naquela idade, enquanto ela mesma não podia nem sonhar com aquilo. Foi um misto de sentimentos que a deixaram triste e se sentindo uma pessoa mesquinha.
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