Daniel continuava acariciando Kaori, puxando o corpo dela contra o dele, esfregando-se nela, tentando despertar alguma reação. Disse que podia ser algo rápido, qualquer coisa para aliviar, nem que fosse só um agrado, um boqu.ete. Kaori se afastou dele e respondeu firme:
— Vai se aliviar sozinho, não dá. Já falei que não.
Ele não gostou da resposta e ficou irritado, dizendo que ela estava brava sem motivo e fazendo papel de r**m só por causa da conversa que tinham acabado de ter. Kaori respirou fundo e respondeu:
— Não estou me sentindo bem, é só isso mesmo. Vou chamar um Uber.
Ela entrou para pegar o celular na bolsa, mas Daniel tomou o aparelho da mão dela e disse que eles ainda tinham um tempo para ficar ali. Segurando na mão dela, levou Kaori para o quarto e pediu para ela sentar. Tirou os tênis dela devagar, sentou na cama encostado na parede e puxou Kaori para sentar entre as pernas dele. Ficou abraçado nela, fazendo carinho no cabelo, no braço, no rosto, perguntando o que ela tinha, se estava tomando remédio, se estava se cuidando. Conversaram um pouco e, no meio daquele carinho todo, Kaori acabou cochilando, cansada, mole por causa da febre e do m*l-estar.
Depois de um tempo, Daniel a acordou perguntando se ela não queria ir na farmácia, porque estava muito quente e claramente não parecia bem. Kaori negou na hora, dizendo que não queria sair, nem fazer nada, que só queria deitar.
Ele então disse que tinha uma coisa que podiam fazer ali mesmo para ajudar ela a melhorar. Chamou Kaori para tomar um banho morno. Ela recusou na hora, dizendo que estava com frio demais e sem a menor vontade de tran.sar. Daniel respondeu que não queria fazer nada, que só queria cuidar dela mesmo.
Sem insistir mais no assunto, começou a tirar a roupa dela com calma, prendeu o cabelo dela e entrou no chuveiro com ela. Para ele, a água estava ótima, mas para Kaori parecia fria demais. Mesmo assim, ficou ali abraçada nele por bastante tempo, conversando sobre trabalho, estudos, coisas banais, tentando esquecer a tensão da conversa de antes.
Quando saíram do banho, o m*l-estar amenizou um pouco.
Daniel não demorou mais e levou Kaori para casa. Mesmo com medo, os dois continuavam se arriscando demais às vezes.
Antes dela descer do carro, se beijaram e ele falou:
— Se eu pudesse, ficava a noite toda com você, vigiando seu sono.
Kaori respondeu, ríspida:
— É, mas não pode. E não precisa sentir pena de mim por isso. Eu não ligo.
Daniel respondeu sério:
— Não é pena. É desejo... muita vontade de estar com você, só isso.
Kaori respondeu que era recíproco. Então ele falou que daria um jeito de arrumar outro lugar para os dois ficarem, já que na casa não dava mais.
Nos dias seguintes, Kaori usou o próprio m*l-estar como desculpa para evitar Daniel enquanto montava um plano na cabeça. O resfriado piorou, estava horrível, cheia de dores e sem energia.
Quando foi ao salão fazer o cabelo, começou a conversar com Cíntia e inventou sobre um namorado que queria tran.sar com ela mesmo estando doente, que tinha brigado porque ela estava negando fogo. Cíntia ficou horrorizada, dizendo que o noivo dela era completamente diferente, muito respeitador, compreensivo com as escolhas dela e tudo mais.
Kaori respondeu dizendo que tinha acostumado o namorado m*l, que fazia de tudo com ele, sempre, que viviam loucuras em carro, motel, banheiro de festa. Cíntia perguntou há quanto tempo estavam juntos e Kaori respondeu:
— Uns quatro, cinco meses. É recente, mas muito intenso.
Falou também que era muito apaixonada por ele e que não ligava tanto para as grosserias porque ele era bom para ela. Então começaram a falar sobre brigas de casal. Cíntia comentou que brigavam pouco, mas que andavam muito estressados por causa da pressão do casamento.
Kaori aproveitou para dar a entender que às vezes o namorado era grosso demais com ela, mas logo mudou o foco, fingindo constrangimento, como se estivesse tentando esconder um possível relacionamento abusivo.
Na quarta-feira, Kaori menstruou. Não falou nada para Daniel, mesmo sabendo que tinham marcado de se encontrar na quinta-feira.
Na quinta, ele a pegou na rua perto de casa. Entrou no carro e começaram a conversar sobre a semana. Kaori contou do exame do Detran e disse que tinha sido aprovada.
Daniel sorriu e elogiou.
Foram para uma rua mais deserta e ele já começou a agarrá-la, mas Kaori segurou as mãos dele e falou:
— Não dá pra fazer nada.
Ele então pediu pelo menos um agrado.
Kaori respondeu:
— Não vai rolar. Estou muito gripada, com dor em tudo. Acredite, estou morrendo de saudades de estar nos seus braços.
Daniel respondeu desanimado:
— Ah é? Fazendo o quê comigo?
Kaori deu um beijinho nele e respondeu:
— Se.xo gostosinho, meu gato.
Ele sorriu e respondeu:
— Não sei não. Faz dias que você só me enrola. Cansou de mim? Vai me trocar por um novinho de vinte?
Kaori sorriu de lado:
— Talvez... você tem dona mesmo.
Daniel começou a reclamar de Cíntia, da organização do casamento, do estresse que aquilo estava causando. Kaori sentou no colo dele e ficaram ali trocando carinho, conversando baixo.
Foi então que o celular dela começou a tocar.
Era a mãe.
Kaori não atendeu, como sempre.
Logo depois Bibi mandou mensagem dizendo que ela precisava falar que estava com Rafaela, porque os pais estavam procurando por ela.
Kaori perguntou se tinha acontecido alguma coisa.
Bibi respondeu que não, só que a mãe dela tinha ido buscar Kaori na casa dela e ela não estava.
Kaori agradeceu pela cobertura e Bibi respondeu:
— Você é f.oda, Kaori. Aposto que tá com o embuste!
Kaori respondeu que estava mesmo.
Bibi respondeu:
— Affs, macho escroto!
Daniel viu a conversa e perguntou por que Bibi não gostava dele.
Kaori respondeu:
— Porque você tem noiva.
Na mesma hora ele perguntou de novo se mais alguém sabia sobre os dois.
Kaori respondeu que não.
Então mandou mensagem para a mãe perguntando o que ela queria.
Lisa respondeu por áudio, dizendo que tinha saído mais cedo do trabalho para comer alguma coisa com ela e comemorar que tinha passado no exame, reclamando que Kaori tinha postado e nem teve a capacidade de avisar.
Kaori respondeu:
— Achei que não era importante.
Lisa respondeu dizendo que só porque estavam distantes não significava que ela não se importava.
Kaori então falou, magoada:
— É difícil saber quando você está afim ou não de ser mãe. Às vezes parece que não tem espaço pra mim na sua nova vida, enquanto meu pai faz de tudo pra me incluir na nova vida dele. Não vou sair hoje não, estou cansada, doente há dias tomando um monte de remédios. Só vim na Rafaela porque é perto.
E desligou o celular antes da mãe responder.
Daniel ficou abismado com aquilo tudo e começou a criticar a forma como Kaori falava com a mãe, ainda mais mentindo daquele jeito. Perguntou por que ela não foi ficar com a mãe um pouco.
Kaori olhou para ele e respondeu:
— Porque prefiro ficar com você. Pelo menos com você parece ser mais recíproco.