Capítulo 8

1133 Words
Os dias foram passando e a vida de Kaori estava cada vez mais gélida. Seu pai começou a se relacionar com outra, uma colega de trabalho bem jovem. Alugou um apartamento ótimo, foram logo morar juntos. Enquanto na casa dela, tudo mudava, o salário que antes era só para si, começou a ajudar nas despesas. As compras diminuiriam, as horas extras da mãe dela aumentaram no trabalho. Seu irmão mais novo, foi para o exército e largou o caos para trás. Estar com Enzo começou a sufocar, as festas, e bebedeiras já não eram o suficiente. Quando os dois terminaram, Lisa mãe dela, percebeu que estava perdendo as rédeas, as duas estavam brigando muito. Então sem Kaori saber, conversou com o ex marido, pedindo pra ele levá-la morar junto, por um tempo. Juliano aceitou, foi buscar Kaori no trabalho, de surpresa, disse que estava com saudades e sabendo das brigas dela, com a mãe. Ela apenas disse que estava curtindo a vida, e a mãe exagerando como sempre. Foram para o apartamento dele. Kaori ainda não conhecia o lugar. Assim que chegaram, o pai a levou até um quarto vazio e falou: — Você ainda gosta de azul? Vou mandar colocar um papel de parede que fique com a sua cara. Podemos colocar um espelho bem grande naquela parede ali também. Kaori perguntou por que aquilo tudo. Ele respondeu meio sem jeito: — Sua mãe e eu conversamos e decidimos que você vai ficar comigo aqui por um tempo. Eu tenho mais tempo livre do que ela. Vamos ficar juntos mais tempo, Kaori. Ela interrompeu, já chateada: — Ninguém me perguntou o que eu quero. Você não quer mais ficar com ela, isso não é problema meu. Eu quero continuar na minha casa, com as minhas coisas. É a minha vida. O pai respondeu que ela precisava acatar as escolhas deles, já que morava debaixo do teto deles, ganhando comida, roupa e tudo. Disse que ela podia ter trinta anos, mas que ainda assim obedeceria, se fosse preciso, enquanto morasse ali. Chorando, Kaori olhou para ele e disse que a mãe ainda mandava nele, mesmo estando separados. Foi pegar as coisas para ir embora. O pai começou a dizer que queria cuidar melhor dela, que nunca quis impor nada r**m, e falou até que seria melhor porque ali no condomínio tinha muitas coisas legais, era perto do centro, tinha mais conforto. Mas Kaori só repetia que queria ir para casa. Foi saindo e ele se ofereceu para levá-la. Ela perguntou se pelo menos tinha opção de escolher. Ele respondeu: — É claro que tem, filha. Espera, vou te dar dinheiro pra você pegar um Uber. Kaori parou no corredor tentando não chorar. Ele deu o dinheiro, a abraçou e falou que a amava muito, que tudo aquilo era para o bem dela. Ela ficou quieta, entrou no elevador ainda chorando. Logo em seguida entrou uma moça com um cachorro. Kaori limpou as lágrimas rápido, prendeu o cabelo e tentou disfarçar. A moça ficou de cabeça baixa, meio sem jeito, tentando não olhar muito para ela, até que o cachorro começou a cheirá-la. Então a moça falou: — Ele gostou de você. Kaori abaixou e fez carinho no cachorro. A moça sorriu e disse: — Aslan. O nome dele é Aslan. E eu Rafaela. Kaori respondeu baixinho: — Oi, Aslan. Rafaela olhou para ela e perguntou: — Você está bem? Kaori apenas balançou a cabeça dizendo que sim. Quando chegaram no térreo, ela deu tchau, saiu do elevador e foi embora... Kaori foi direto pra casa, p**a da vida com a mãe e mais decidida do que nunca a ignorá-la. Ela ainda estava no trabalho quando Kaori chegou. Ela chamou Bibi a melhor amiga pra sair, mas ela disse que não podia. Então mandou mensagem pra Enzo: “Oi, tá afim de sair hoje?” Ele perguntou onde ela queria ir. Kaori respondeu que precisava conversar e sair rápido antes da mãe chegar. Enzo que quase sempre estava disponível, passou pra buscá-la, disse que ia levá-la pra um lugar onde nunca tinham ido juntos. Foram para um motel. Ele pegou uma suíte com banheira de hidromassagem. Kaori foi quieta a maior parte do caminho, estava apenas entediada. Não queria falar nada do que estava acontecendo pra ele não ficar focando só nisso. Assim que entraram, pediu pra ele sentar. Começou a tirar a roupa na frente dele e perguntou: — O que você vai fazer de gostoso com o meu corpo? Enzo puxou ela pra cima dele. Kaori sentou no colo dele ainda de calcinha e sutiã. Começaram a se beijar. Ele falou: — Tô surpreso. Você tá com mais fogo agora sem ser minha ficante do que quando era. Ela respondeu enquanto tirava a roupa dele: — Ai, Enzo, para de falar um pouquinho, vai. Ele segurou os braços dela, impedindo que ela continuasse beijando ou tocando nele e perguntou: — O que tá pegando, Kaori? Você tá toda estranha hoje. O que foi? Ela sorriu e respondeu: — Nada. Só quero aproveitar o nosso tempo juntos. E aí, vai rolar ou tá difícil? Meio contrariado, ele soltou ela e voltaram a se beijar. Nas preliminares Kaori pediu pra ele ir adiante logo. Ela mesma quase não fez nada por ele. Não estava conseguindo se concentrar, relaxar ou curtir de verdade. Enzo percebeu, mas continuou. Eles tinham uma posição preferida, uma em que sempre ficavam mais tempo, curtindo, se beijando e aproveitando. Mas foi a gota d’água quando Kaori pediu pra trocar, porque ele não goz.ava rápido daquele jeito. Enzo parou e perguntou, incomodado: — O que foi, Kaori? Ela respondeu que queria ir mais rápido. Então ele saiu de cima dela e disse: — Você tá distante. Tá aqui, mas sua cabeça parece não estar. É melhor parar. Ele foi pro banheiro frustrado, irritado. Kaori respondeu se fazendo de sonsa: — Enzo, volta aqui. Para com isso. Tá gostoso, vamos terminar. Mas ele não disse nada. Entrou no banho. Quando voltou, Kaori estava enchendo a banheira. Chamou ele pra entrar, foi beijar, tentar agradar. Mas Enzo disse que não estava mais no clima e que conhecia ela bem o suficiente pra saber que tinha algo errado. Ela respondeu: — Eu falo tudo se você entrar na banheira comigo. Mas ele respondeu que não ia, porque ela devia ter sido sincera desde o começo, desde a hora em que tinham se encontrado. Ela respondeu, chateada: — Agora você vai ficar assim comigo por causa de bobeira? Ele começou a se vestir e respondeu que era pra ela entrar sozinha e aproveitar, já que ele tinha gastado dinheiro à toa com a suíte. Ela respondeu na mesma hora, irritada: — Eu pago, se o problema for esse. Você pode ir embora também, se preferir.
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