Capítulo 136
Eles estavam na cozinha sentados os quatro na mesa. Lisa fez ovo mexido, salada de tomate e nem era a hora do jantar ainda. Kaori comeu, foi tomar banho pra ir ver Maria e conversar com Juliano. Ela se trocou, ficou deitada com Lisa no colchão na sala um pouco. Lisa falou brincando que ia cair uma tempestade pra Kaori estar perto dela. Ela respondeu:
— Ué, quer que eu saia?!
Ela falou que não, fazendo carinho e mexendo no cabelo de Kaori, disse que estava amando ficar pertinho dela, que faltava pouco pra sequestrar ela e levar embora junto. Rui falou que ela podia levar só por alguns dias. Kaori respondeu rindo:
— Nossa, tá fácil assim? Bom saber, Rui!
Ele disse que grávidas eram preferência. Ficaram conversando mais um pouco. Ela ligou pra Bibi avisando que ia passar lá. Antes de saírem, ele foi no quarto pegar os capacetes e começou a mexer nas coisas dela. Ela entrou de surpresa e falou:
— O que você tá procurando?
Ele respondeu rindo que não era nada. Ela se aproximou tentando ver o que ele tinha nas mãos e respondeu irônica:
— E você achou nada?
Ele disse que sim, deu um beijo ainda com a mão pra trás escondendo. Ela correspondeu ao beijo e, imaginando o que era, perguntou se ele ia dar o que ofereceu cedo em troca dela andar de moto. Ele disse que ia tentar, que precisava de muito planejamento. Ele tinha pego camisinhas. Ela deu risada provocando com beijos e mordidas. Ele disse que não ia aguentar planejar muito. Chamou ela pra ir na casa dele com a desculpa de que ia tomar banho.
Chegando lá foram surpreendidos. Ivone estava acompanhada sentada na sala. O rapaz se levantou assim que entraram, cumprimentou Rui com um aperto de mão. Ele ficou bem sério, foi indo para o quarto. Kaori se sentou e começou a conversar com os dois. Ele estava constrangido por conhecer a família dela. Kaori falou em tom de brincadeira:
— Ela é minha sogra, irmã do meu padrasto, então cunhada da minha mãe e minha tia. Aqui a gente é tudo muito unido viu?! Ahh, sou madrinha do meu sobrinho Pedro também.
Ele era mais tímido, deu risada e disse que Ivone falou que a casa estaria cheia. Ela respondeu:
— Aqui tá sempre lotado de gente, eu amo ter meus filhos debaixo da minha asa, noras, genro também, aqui é onde todo mundo se reúne.
Ficaram conversando. Rui foi tomar banho, voltou pronto pra sair, foi pegando o capacete. Ele falou que foi um prazer conhecer o Marcos, mas que tinha um compromisso com o pai da Kaori. Foram se despedindo bem rápido.
Quando estavam na moto ela falou que ficou nítido que ele não gostou da situação. Ele respondeu sério:
— E tem como gostar? A gente nem conhece o cara, minha mãe já tá dormindo com ele e levando pra dentro de casa.
Ela começou apontar os pontos positivos da Ivone ter alguém. Ele disse que não queria ficar falando daquilo.
Quando chegaram na casa da Bibi, ela saiu no portão e falou baixinho:
— Oi amiga, preciso de um favor. Tá com o seu celular aí?
Ela parecia nervosa, tensa. Kaori disse que sim, pegou o celular. Bibi falou:
— Vê o que te mandei.
Foram entrando no quintal. Kaori leu e mostrou ao Rui. Bibi mandou:
"Preciso de um favor, quando chegar aqui fala que veio buscar a Maria pra dormir com você, vou deixar tudo pronto, leva ela pra sua casa e eu te explico depois."
Kaori parou na porta da sala, falou para Rui:
— Vai indo pra casa, que eu vou pedir um Uber e já vou.
Ele disse que ia esperar o Uber chegar. Bibi estava terminando de arrumar a bolsa da Maria. Na sala estava só a sobrinha mais velha do Breno. Kaori ficou sem entender, acompanhando Bibi com o olhar.
Ela falou pra menina:
— Tchau, quando a sua avó chegar fala que eu tive que sair com a Kaori. Tá bom?!
A menina distraída no celular m*l respondeu.
Saíram na calçada. Bibi disse que ia resolver umas coisas, que pegava a Maria mais tarde. Kaori, sem entender, falou que podia mesmo ficar com a Maria a noite toda sem problemas. Perguntou várias vezes o que estava acontecendo, se podia fazer algo por ela. Ela, quase chorando, disse que não era nada demais, que queria um tempo.
Mesmo com a certeza de que tinha algo errado, Kaori só concordou, pegou a Maria e foi pra casa.
Rui chegou primeiro, foi direto pra casa dele. Quando ela chegou foi pra lá com a Maria. Ivone tinha saído. Ele saiu no portão atender elas, pegou a Maria no colo e perguntou se Bibi tinha falado algo.
Kaori respondeu:
— Não, ela nem está online. Tem algo errado acontecendo, quando ela estava escondendo a gravidez foi assim. Tô preocupada!
Ele fez um comentário criticando o fato dela largar a Maria sempre com os outros muito fácil. Kaori falou que com ela tudo bem, mas que não era mesmo legal aquilo.
Foram para o quarto. Ele deitou com a Maria pertinho dele. Kaori ficou sentada encostada na cabeceira da cama. Ele colocou uma série. Ficaram por horas assistindo.
Ele perguntou se podiam dormir lá, disse que a cama era maior. Ela aceitou enquanto mandava mensagens pra Bibi. As mensagens não estavam sendo entregues. Ela começou a ficar desesperada.
Quando era mais de 23:00 horas, Bibi respondeu. Disse que estava tudo certo, perguntou da Maria. Kaori perguntou onde ela estava, ela não quis dizer.
Rui arrastou a cama, encostou na parede. Maria dormiu no canto, em seguida Kaori e ele. Os dois estavam abraçados de conchinha. Ele perguntou se ela acordava de madrugada.
Kaori respondeu:
— Não, ela é muito dorminhoca. Já deu sua hora Maria Cecília, a madrinha quer dormir também, sabia?! E o tio vai trabalhar bem cedinho!
Ele pegou na mão da Maria por cima de Kaori, começou a falar que nunca viu um neném como ela, que ficava com qualquer um quietinha sem dar trabalho.
Kaori falou que ela ficava com quem dava amor, que desde a barriga era carente porque sentia a rejeição.
Ele disse que era muito triste aquilo, um bebê sentir que não é querido, amado.
Ela respondeu:
— Me sinto culpada, sabia? Eu fui tão burra que não notei as mudanças no meu corpo, não me cuidei como deveria. Se eu soubesse que estava grávida teria feito muitas coisas diferentes. Nunca vou entender o que a Bibi fez, até drogas ela usava mesmo sabendo e não eram poucas.
Ele falou chateado:
— Não fica assim, não era pra ser. Me senti muito m*l por não ter ficado do seu lado no hospital, eu me arrependo também de como tudo aconteceu.
Ela disse a idade exata que era para o bebê deles ter, e que era pra ter nascido junto com a Maria Cecília.
Ele respondeu:
— Você acha que a gente teria ficado junto se tivesse dado tudo certo?
Ela disse que provavelmente sim, que aquilo ia unir os dois, fazer ele perdoar ela na época.
Ele respondeu sério:
— Não sei, às vezes acham que filho é motivo pra tá junto e muitas vezes é até pior. Pelo menos hoje estamos aqui e com a certeza de que era o que a gente queria. O tempo longe de você só reforçou as minhas certezas!
Ela disse que sempre soube que era diferente, um lance especial, por mais que negasse pra si mesma.
Logo foram dormir. Cedo ela levantou, fez a mamadeira, acompanhou ele até a porta da sala. Se despediram com beijo e abraço. Ela pediu pra ele ir pra aula por ela. Ele, retrucando, aceitou, pegou as coisas e levou para o trabalho. Ele ia sempre direto de lá.