Capítulo 182

1168 Words
Capítulo 140 Foi tudo muito rápido. Ela foi arremessada ao chão, saiu rolando pela pista e só parou perto do guard-rail. Rui deslizou por vários metros no asfalto e acabou ficando preso embaixo da moto, a poucos metros dela. Mesmo caído, a primeira coisa que fez foi chamar por ela, perguntando desesperado se estava tudo bem. Kaori se levantou no susto, chorando, completamente desorientada. Tirou o capacete com as mãos trêmulas e correu até ele sem nem perceber direito se também estava machucada. Se abaixou ao seu lado enquanto ele tentava sair debaixo da moto, mas não conseguia se mover direito. — Tá machucado? Eu não vou sair de perto de você. Ele insistiu para que ela fosse para o acostamento, dizendo que outro veículo poderia surgir a qualquer momento e atropelar os dois. Kaori estava em estado de choque e simplesmente não conseguia obedecer. Continuou ali ao lado dele, ignorando completamente o perigo. — Amor, por favor, se afasta e chama ajuda. Se alguma coisa acontecer com você eu nunca vou me perdoar. Faz o que eu tô pedindo, por favor, Kaori?! Isso tudo é culpa minha. Ela tentava segurar o choro enquanto balançava a cabeça negativamente. — Não vou sair daqui. Vamos tentar de novo? Tá sentindo alguma coisa? Dor no corpo? Ela não conseguia nem desbloquear o celular. Suas mãos tremiam tanto que parecia impossível digitar qualquer coisa. A chuva caía cada vez mais forte e, vendo que ela não sairia dali, Rui pediu ajuda para tentar levantar a moto. Eles tentaram mais uma vez, mas sem sucesso. Pouco depois um carro parou atravessado na pista ao perceber o acidente. Era um casal. Os dois desceram imediatamente para ajudar e logo outro veículo estacionou atrás para proteger a área, evitando que outros carros atingissem os dois. Enquanto algumas pessoas sinalizavam a rodovia, outras conseguiram erguer a moto e levá-la até o acostamento. Rui permaneceu deitado no chão. Não permitiram que ele se levantasse. Kaori sentou-se ao seu lado segurando sua mão o tempo todo. Ela chorava sem parar enquanto ele pedia desculpas repetidamente, mesmo estando claramente machucado e sentindo muita dor. Os dois estavam completamente encharcados. Kaori tinha ralados nas mãos e um machucado no joelho. Rui havia lesionado o pulso, torcido o pé e sofrido diversas escoriações pelo corpo. Com receio de agravar possíveis lesões, ninguém quis movimentá-los mais do que o necessário. A mulher que havia parado para ajudar ligou para Daia, explicou toda a situação e enviou a localização. Kaori praticamente não conseguia falar. Estava muito assustada e ainda tentando entender o que tinha acontecido. Algumas pessoas improvisaram um guarda-chuva sobre eles enquanto aguardavam o resgate. Daia chegou rapidamente acompanhada de Gustavo. Assim que saiu do carro foi direto até eles, perguntando nervosa se estavam bem e se tinham se machucado muito. Poucos minutos depois a ambulância chegou ao local. Rui foi atendido primeiro. Os socorristas o imobilizaram enquanto avaliavam seus ferimentos. Depois examinaram Kaori e a colocaram na ambulância junto dele. Ela permaneceu sentada segurando sua mão durante todo o trajeto. Mesmo sentindo dor, Rui só conseguia se preocupar com ela, fazendo perguntas e pedindo desculpas sem parar. — Calma, vai ficar tudo bem. Eu tô bem. Ela repetia aquilo diversas vezes tentando tranquilizá-lo. Gustavo ficou responsável por levar a moto para casa enquanto Daia acompanhou os dois até o hospital. Resolveram não avisar Lisa naquele momento para não deixá-la nervosa por causa da gravidez. Quando Gustavo chegou em casa e contou o que aconteceu, Ivone entrou em pânico e saiu imediatamente em direção ao hospital. No atendimento, Kaori passou primeiro pelos exames. Como estava com muita dificuldade para apoiar a perna por causa do joelho machucado, foi colocada em uma cadeira de rodas. Depois dos exames vieram os curativos. Ela chorou bastante enquanto limpavam os ferimentos, porque havia pequenas pedras presas na pele e a remoção doía muito. Rui demorou mais para ser atendido. No fim, os médicos constataram uma luxação no pulso e uma torção no pé. Kaori recebeu alta primeiro. Quando Ivone perguntou se ela queria ficar na casa deles, respondeu imediatamente: — Não, vou ficar no meu pai. Não deixa ninguém falar nada pra minha mãe, tá? Ivone concordou e disse que conversaria com Maicon e Tati. Juliano estava extremamente preocupado e não desgrudava dela. O hospital estava lotado e eles passaram mais de uma hora esperando notícias de Rui. Nesse meio tempo, Lisa começou a ligar várias vezes. Kaori não teve coragem de atender. Logo depois chegaram mensagens perguntando sobre o passeio e comentando que não tinha visto nenhuma foto publicada. Daia percebeu a situação e sugeriu que ela respondesse algo qualquer para não levantar suspeitas. Kaori mandou mensagem dizendo que tinha acabado de chegar em casa e que mais tarde ligaria para conversar melhor. Pouco depois Lisa respondeu: — Tá tudo bem mesmo? Tô com o coração apertado aqui pensando em você, filha. Mesmo com vontade de chorar, Kaori respondeu normalmente, perguntando se ela preferia rosa ou lilás para o bebê, mudando completamente o assunto para evitar qualquer desconfiança. Quando soube que Rui logo receberia alta, ela avisou que estava indo embora. Estava molhada, com a roupa rasgada, cansada e emocionalmente destruída. Daia percebeu que ela estava estranha e perguntou se tinha acontecido alguma coisa entre os dois durante o passeio. Como Juliano e Ivone estavam próximos, Kaori respondeu apenas: — Não. Fala pra ele me ligar depois. Eu tô com dor, quero ir pra casa. Daia insistiu para passar a noite com ela, mas Juliano já havia decidido levá-la para casa. No caminho, Kaori pediu desculpas por estar dando trabalho. Ele respondeu que acidentes aconteciam e que o importante era agradecer porque nada pior tinha acontecido. Quando chegaram, Joyce já estava esperando no quintal completamente preocupada. Levou Kaori para dentro, ajudou-a a trocar de roupa e tentou convencê-la a tomar banho. Como os curativos não permitiam, improvisou uma limpeza com água morna, fraldinha de boca e lenços umedecidos. Constrangida, Kaori dizia que conseguiria fazer tudo sozinha, mas Joyce ignorou os protestos. Lembrou até de quando Kaori a ajudou nos últimos dias da gravidez do Victor, dizendo que aquilo não era nada perto do que já tinham passado juntas. Depois colocou nela um vestido confortável, arrumou o sofá-cama e garantiu que ficasse o mais confortável possível. Juliano saiu para comprar os remédios e voltou com um lanche para ela comer antes da medicação. Somente depois de deitada na sala ela pegou o celular. Havia várias mensagens de Rui esperando por ela. "Como você tá?" "Posso te ligar?" "Eu só senti isso antes no Natal quando o Be se machucou, e hoje de novo. Você não faz ideia de como tá a minha cabeça aqui. Não vou ficar bem enquanto não me acertar com você. Desculpa por hoje e por tudo. Eu fiquei com muito medo de te perder. Não me vejo mais sem você, princesa." "Vem ficar em casa comigo. Minha mãe quer que você venha." "Amor, fala comigo." "Só me diz se tá bem."
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