Capítulo 7

1219 Words
Daniel ligava às vezes para Kaori e eles falavam sobre muitas coisas. Ela estava se sentindo meio b***a, porque além de ele não ter nada sério a oferecer, ela também não gostava da situação dele ser noivo. Aquilo sempre ficava martelando na cabeça dela. Um dia estava enciumada, por saber que ele tinha ido comprar coisas da casa com a noiva. Então inventou que estava namorando e pediu para ele parar de ligar. Daniel parou. Passaram-se algumas semanas sem uma mensagem ou ligação sequer. O curso estava de férias. Kaori sentiu muita falta dele, uma falta que ela mesma não queria admitir. Ainda assim foi forte e não ligou, se manteve firme, tentando convencer a si mesma de que aquilo era o melhor a fazer. Até que em uma festa da cidade ela o encontrou lá com a noiva. Kaori viu de longe e tentou cortar caminho, fingir que não tinha visto, mas não teve jeito, o lugar estava cheio e acabaram se encontrando em uma fila, cara a cara. Daniel disse um oi meio sem jeito e comentou com a noiva que Kaori tinha sido uma aluna dele. Provavelmente a noiva já devia estar acostumada a conhecer alunos, pareceu algo comum para ela. Mesmo assim Kaori não gostou daquilo, sentiu uma raiva estranha que nem sabia explicar direito. Não soube entender o porquê, mas aquela situação a incomodou profundamente. Ela apenas cumprimentou os dois e se afastou rápido. Era uma sexta-feira, ela foi embora cheia de raiva e frustração, e no meio da madrugada o celular tocou. Era como se ela já soubesse quem era, ou pelo menos tinha certeza de que só podia ser ele. Atendeu. Era Daniel, completamente alterado, falando meio sem sentido, pedindo para Kaori sair na rua. — Não posso, está muito tarde — disse ela. Ele insistiu várias vezes, parecia estar chorando, a voz embargada. Kaori acabou cedendo. Pulou a janela do quarto e foi até a rua. Quando chegou no carro percebeu que ele estava bêbado e muito agitado. Ela não quis entrar no carro e ele também não quis descer. Depois de muita conversa Kaori conseguiu convencê-lo a ir para um motel que ficava pertinho da casa dela. Foram devagar até lá, porque ela estava com medo de acontecer alguma coisa no caminho, algum acidente. Quando entraram na suíte, Daniel começou a beijá-la e não parava mais. Mas ao mesmo tempo não fazia nada além disso, parecia inseguro, como se estivesse com medo. Kaori então tomou a iniciativa, tirou a roupa e foi para cima dele dominando a situação. Transaram apenas uma vez, foi rápido, tão rápido que ela nem conseguiu curtir direito. Logo depois Daniel adormeceu bêbado. Kaori pegou o celular dele e começou a mexer, olhar tudo, ver se encontrava alguma coisa interessante, mas não tinha nada demais, nada curioso, nada que chamasse atenção. Um tédio total. Acabou dormindo também, percebendo que não conseguiria sair dali naquele momento. Daniel acordou primeiro pela manhã e ficou mexendo no cabelo dela com carinho. Kaori sentiu aquilo, mas fingiu estar dormindo só para aproveitar mais um pouco aquele momento silencioso. Depois ele se levantou e foi tomar banho. Enquanto Daniel estava no banheiro, Kaori continuou deitada na cama e pegou novamente o celular dele. Havia várias chamadas perdidas da noiva. Aquilo chamou a atenção dela. Kaori então bateu na porta do banheiro. — Posso entrar? — perguntou. — Pode — respondeu Daniel. Ela provocava, esfregava o corpo nele, esperando que Daniel tomasse alguma atitude, que viesse para cima dela com mais vontade, mas ele simplesmente não ia. Eles acabaram ficando juntos no banho, sem ir para os finalmentes. Ele estava mais calado, pensativo e sério. Eles se arrumaram e foram embora rápido. Daniel não falou nada com Kaori no caminho, não olhou para ela, apenas dirigiu em silêncio. Aquilo deixou ela muito chateada, sem entender aquele comportamento estranho. Quando estavam chegando perto da casa dela, Kaori acabou chorando, se sentindo usada, rejeitada. Desceu do carro, bateu a porta com força e apagou o contato dele do celular. Excluiu de tudo. O sentimento dela naquele momento era pura raiva, mas no fundo Kaori sabia que estava apaixonada, e aquilo era exatamente o que mais a incomodava. Limites nunca foram fáceis para ela. Ela passou dias sem falar com Daniel, tentando resistir, tentando esquecer, mas ao mesmo tempo queria uma maneira de chamar a atenção dele de novo. Só não sabia como. A noiva de Daniel era cabeleireira. Então Kaori decidiu ir até o salão onde ela trabalhava e marcou um horário exclusivamente com ela. Durante todo o atendimento ficou puxando assunto, conversando, observando tudo. Cíntia era muito simpática, alegre, parecia realmente feliz, falando do casamento. Aquilo a deixou muito culpada, porque a Cíntia m*l imaginava o que estava acontecendo. Saiu do salão sentindo uma mistura enorme de emoções, muita raiva dele. Mas principalmente de si mesma. Querendo desencanar. Kaori chamou o melhor amigo Enzo para sair, precisava distrair a cabeça, esquecer um pouco tudo o que estava sentindo. Bebeu muito naquela noite, tentando afogar as mágoas de qualquer jeito. Chorou horrores, mas sem poder explicar direito o motivo, porque no fundo nem ela mesma sabia como colocar aquilo em palavras e tinha vergonha. Enzo percebeu que ela estava m*l, tentou acalmá-la, ficou ali ao lado dela o tempo todo, ouvindo, tentando fazer piada para aliviar o clima. Em determinado momento ele a beijou e disse que sentia falta de ficar com ela daquele jeito. Kaori, naquele momento, não pensou em nada, não analisou nada, apenas correspondeu. Tudo esquentou rápido entre os dois, a química deles sempre foi excelente, algo que sempre rolou sem compromisso. Passaram a noite juntos, completamente entregue ao momento, agindo sem pensar muito nas consequências. A noite acabou tomando um rumo inesperado e virou um ménage. Foi a primeira vez de Kaori com uma mulher e, para surpresa dela mesma, gostou muito da experiência. No dia seguinte Enzo mandou uma mensagem dizendo que queria conversar. Ela ficou meio receosa, não sabia muito bem o que ele queria falar. Enzo apareceu antes do almoço. Sentaram para conversar com mais calma e ele começou a dizer que achava que os dois tinham tudo para dar certo, que talvez devessem tentar algo mais sério, investir de verdade em um relacionamento. Kaori nunca quis nada sério com ele, porque apesar de Enzo ser gente boa, parceiro e sempre estar por perto, ele não era exatamente o tipo de homem que ela queria para si. Mesmo assim tentou desconversar, dizendo que eles funcionavam bem daquele jeito, sem compromisso, apenas bons amigos que se entendiam. Enzo insistiu bastante, e os dois acabaram conversando por horas sobre tudo o que havia acontecido nos últimos meses. No fim das contas, Kaori acabou aceitando tentar. Não porque estivesse completamente convencida, mas porque naquele momento parecia mais fácil simplesmente seguir em frente e ver no que daria, do que continuar querendo alguém comprometido. Na frente dos amigos eles continuaram se comportando como antes, bons amigos, pelo menos no começo. Mas começaram a se ver com mais frequência. Enzo passou a buscá-la no trabalho, aparecia na casa dela, os dois saíam juntos, conversavam bastante, tentavam realmente construir alguma coisa ali. E mesmo assim, Kaori não conseguia esquecer Daniel de jeito nenhum. Ela até abandonou o curso, só para não vê-lo mais.
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