Capítulo 56

1551 Words
Capítulo 14 Quando o bolo ficou pronto, ele levantou pra ir na cozinha, o filme estava no final, ela disse que ia pausar, ele respondeu rindo: — Já assisti esse filme, pode continuar vendo. Ela respondeu brava: — Sério, Rui?! Por que você não disse nada? Não quero mais ver também, que chato. Ele achou graça, disse que gostava e que estava entretido. Foram pra cozinha juntos, ele serviu os dois, ela fez ele comer o pedaço dela e o dele. Ele disse que ela quase nunca comia, que era pior do que criança. Ela respondeu irônica: — Você só sabe me criticar, né? Já notou isso? Ele disse que era a melhor qualidade dele, notar os defeitos dos outros. Ela perguntou quais eram os defeitos dele então, ele respondeu debochado: — Sei lá, acho que não tenho. Sou zero defeitos, princesa! Ela começou a rir dizendo que arrogância e prepotência já eram defeitos, fora a grosseria e o desprezo pelas mulheres. Ele disse que ela estava equivocada, que ele respeitava muito cada mulher maluca que existia e que, por isso mesmo, preferia ficar sozinho. A Lisa ligou pra falar com a Kaori, ela disse que ele estava lá. A Lisa perguntou se tinha algum problema ela sair e chegar tarde. A Kaori disse que não, que ia tomar remédio e deitar assim que ele fosse embora. A Lisa disse que ia precisar passar em casa pra se trocar, pediu pra ela já deixar tudo separado certinho pra ela. Enquanto ela foi no quarto, ele começou a falar que os dois deviam ir juntos, que ela ia gostar do lugar. Ela falou pra ele ir sozinho com as coroas. Ele respondeu: — Você tá demais hoje, hein. Olha que eu vou. Você não perguntou se eu já tinha assistido, eu não minto pra você. Ele estava na porta do quarto, ela parou na frente dele e respondeu séria: — Odeio mentiras! Você quer me deixar e ir com elas? Encarando ela olho no olho, ele disse que queria ir e levar ela junto. Ela respondeu saindo do quarto que música alta dava dor de cabeça. Ele sorriu e balançou a cabeça que não, louco pra beijar ela e sem saber se ela queria ou não. Ela arrumou as coisas pra Lisa, foi no quarto dela pegar um colar. Ele foi atrás, começou a chamar ela de insensível, que não sabia dançar. Ficou folheando um caderno dela, sentado na mesinha do computador. Ela falou rindo: — Mas você tá demais hoje, hein?! Cuidado com o que vai achar aí. Eu tinha muitos fãs, no cursinho a gente trocava bilhetes secretos e bem íntimos... Ele disse que agora que ia olhar tudo mesmo, porque era curioso. Não tinha nada naquele caderno. Ela saiu do quarto e, quando voltou, ele estava com uma agenda que ela estava fazendo anotações depois do acidente. Ela tomou da mão dele no susto. Ele falou que não tinha visto nada, pediu desculpas. Ela ficou muito chateada, com receio dele ter visto algo, guardou em uma gaveta e falou quase chorando que era melhor ele ir embora. Ele respondeu surpreso: — Eu juro pra você que não vi nada, Kaori. Me desculpa, eu nem devia ter mexido nas suas coisas. Ela limpou os olhos e falou cabisbaixa, perto da porta: — Só vai embora, por favor. Agora! Ele ficou chateado e irritado, achando que era muita frescura, porque realmente não tinha visto nada. Ela sentou na cama, começou a chorar nervosa, e ele foi embora sem falar mais nada. Ela tomou os remédios, disse pra mãe que ia dormir e deitou antes dela chegar. No dia seguinte, assim que acordou, foi mexer no celular pra ver se ele tinha mandado algo. Ele mandou uma mensagem perguntando se ela estava acordada de madrugada. Ela não respondeu. A Lisa ainda estava dormindo. Depois, a Lisa comentou que o Rui tinha passado lá onde ela estava com a Ivone. A Kaori disse que ele a convidou, mas que ela não queria ficar saindo ainda. A Lisa foi trabalhar, ela ficou deitada o dia todo nervosa, com medo. Nenhum dos dois mandou nada. Só o Thomás mandava mensagens. Todos os dias ele mandava e ela respondia. Ele se manteve firme na missão de conquistá-la, até vídeos tocando ele mandava. Na terça-feira, ela foi tirar o gesso de manhã. Ia começar fazer fisioterapia e decidiu parar com o psicólogo e com o psiquiatra. Estava sendo tudo particular e ela sabia que era caro. No fundo, ela precisava muito, mas fez de tudo pra mostrar aos pais que não era mais necessário. Para conseguir passar pelo SUS ia demorar um pouco. Logo ela voltaria a trabalhar também e começou a falar que só queria retomar a vida da melhor forma possível. Ela foi tirar o gesso com o Juliano, eles iam resolver coisas do chá de bebê depois. Estava tudo pronto, seria naquele fim de semana, na casa dos pais da Joyce. Ela ficou a semana toda na casa dele e evitou ver o Thomás pra testar o interesse dele. No sábado, o Miyuki chegou de manhã. Depois da rodoviária, foram direto pra casa da Lisa. O Juliano levou os dois e deixou lá. Eles foram na feira comer pastel juntos, os três. A Lisa ficava super alegre com os dois. Eles estavam comendo, conversando, e o Rui chegou de moto com o irmão, chamando atenção de todo mundo. A Kaori fez um comentário sobre ele ser babaca e se achar demais. A Lisa respondeu surpresa: — Ué, vocês não estavam se dando bem até demais? Ele era super conhecido no bairro todo. Estava conversando, mas já tinha visto elas. Quando ele veio na direção, a Kaori levantou da mesa, virou as costas antes dele chegar perto e foi pegar caldo de cana um pouco longe. Ele e o Maicon cumprimentaram os dois na mesa e foram sentar longe. Quando a Kaori voltou, eles já tinham ido embora. A Lisa perguntou se tinha acontecido algo que ela não sabia. A Kaori disse que não, só que ele era chato. Ela ia se arrumar pro chá ali mesmo. O Rui mandou uma mensagem: “Agora a gente não se fala mais, é isso?!” Ela leu e não respondeu. Já fazia uma semana que eles não se falavam e não se viam. Depois, ela e o irmão foram pro chá de Uber. Ela perguntou à Lisa se podia ficar sem tomar os remédios pra poder beber um pouco. Ela disse que sim, porque sabia que nem ia adiantar falar não, mas que não era pra exagerar, porque ela estava com tudo mudado no organismo. A Kaori estava mais calada, pensativa. Ficou de canto no chá o tempo todo. O bebê era um menino. O Juliano ficou super feliz, radiante. Foi muito lindo, deu tudo certo. Ela ficou com receio de postar fotos por causa da Lisa, mas acabou sendo marcada em várias. Usou um macaquinho florido e tênis. Depois do chá, foi pra casa do Juliano, ligada no 220 por ter bebido alguns drinks. Tomou banho querendo ver o Thomás. Era o dia de sorte dele. Ele disse que ia tocar em um barzinho. Ela colocou um vestido agarrado nude, curtinho, e salto alto preto. Era coisa rara de se ver ela usando algo que não fosse tênis. Começou a se maquiar e decidiu ir de surpresa no barzinho. Falou pro pai que ia encontrar alguns amigos. Até chamou o irmão, mas ele recusou na mesma hora. Ela chorou pra pedir dinheiro ao Juliano, fazendo drama, e foi de Uber. Chegando lá, o Thomás já tinha ido embora. Ela perguntou onde ele estava. Ele disse que com alguns amigos. Não convidou ela nem pra ir ver ele tocar, nem pra casa desses amigos. Ela não falou que estava no barzinho também. Ligou pra Lisa e foi pro restaurante encontrar ela, desanimada. Chegando lá, a Lisa já começou a chamar atenção dela por ter bebido. A Ivone defendeu, falando que pelo menos a menina estava alegre e sem dor. Elas iam sair no mesmo lugar de sempre, mais gente do restaurante ia também. Já estavam fechando. Ela postou uma foto sentada no balcão, a primeira foto de cabelo novo e arrumada. Tomaram tequila ainda lá. A Lisa só deixou ela tomar uma dose, mas quando foi se trocar, o garçom deu outra escondidinho. Ele era simpático, mas não fazia muito o tipo da Kaori. Foram pra festa todos juntos. No carro, ela perguntou pra mãe se sabia dançar bem. A Lisa riu e disse que sim, que tinha ensinado ela e a Bibi. O garçom disse que ia tirar ela pra dançar pra eles descobrirem. Chegando lá, estava lotado. A Daia com o noivo estavam na mesa. Foram até eles colocar as bolsas. A Daia elogiou a Kaori, disse que ela estava muito bonita. A Lisa foi dançar com um amigo, a Ivone com o genro. As duas ficaram na mesa com mais uma moça do restaurante. A Kaori levantou, foi no caixa comprar chicletes, depois encostou pra pegar bebida. Estava respondendo o Thomás, falando que tinha ido ver ele tocar, mas que chegou muito tarde. O Rui chegou por trás dela e falou debochado: — Dança comigo?! Não precisa conversar, é só dançar, se souber, né?!
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