Capítulo 83

1107 Words
Capítulo 41 A casa estava trancada. Ela ouviu barulho na janela. Era o Rui. Ele perguntou se ela estava acordada. Ela falou: — O que você quer? Ele respondeu: — Abre a porta pra mim! Ela levantou, abriu, chorando. Assim que ficaram cara a cara, ele a abraçou e perguntou o que estava acontecendo. Ela balançou a cabeça que não várias vezes, encolhida nos braços dele. Ele perguntou: — Você quer que eu fique? Ela balançou a cabeça que sim. Ele a pegou no colo. Ela falou chorando, até perder o ar: — Tô toda suja… eu preciso tomar banho. Minha cabeça tá doendo muito, eu acho que vou vomitar. Foram para o banheiro. Ele estava sério, calado. Perguntou se podia tirar a roupa dela. Ela disse que sim. Ele deixou ela só de calcinha, colocou-a embaixo do chuveiro e ficou lá, olhando, encarando-a. Ela ficou com os braços cruzados, cobrindo os se1os, e de olhos fechados a maior parte do tempo. Ele sentou no vaso, ficou de cabeça baixa, quieto. Ela tomou banho, lavou o cabelo e pediu para ele ir, por favor, pegar a toalha. Ele evitou olhar para ela nu4, demonstrando respeito e, ao mesmo tempo, falta de interesse. Enquanto ela foi se trocar, ele ficou na sala. Ela saiu do quarto e falou que não queria conversar sobre nada. Ele respondeu: — Não gosto de cometer injustiça com ninguém, Kaori. Você não sabe como está difícil pra mim todos os dias colocar a cabeça no travesseiro e pensar em você, que eu posso estar enganado sobre tudo e te julgando por algo que você não fez. Não vou dizer que não me importo, que não foi nada. Nós dois sabemos. Ela respondeu, parada na frente dele: — Agradeço muito por você ter vindo, mas eu não acho bom a gente conversar agora. Eu já bebi muito, tive uma noite de merda, fiz algumas coisas erradas e não sei como consertar. Não sei o que você quer ouvir de mim, Rui, e eu ando com a cabeça cheia de coisas que eu não tenho coragem de dizer. Eu finjo que nada me afeta, mas por dentro eu me sinto em pedaços. Eu fico assim quando me abro e não me sinto forte o bastante. A qualquer momento, eu acho que não vou mais aguentar! Ele disse que só queria a verdade e ajudar como pudesse. Ela respondeu, chateada: — Eu estou sentindo a p0rra dos meus sentimentos. Mesmo se eu explicasse, você não entenderia. Ele levantou, se aproximou e pediu para ela tentar. Ela disse que não dava e tentou dar um beijo na boca dele. Ele virou o rosto e respondeu, abraçando-a: — Eu queria ficar, mas não posso. Entendo que você está confusa, mas não vou ficar nesse joguinho com você. Não dá! Ela respondeu chorando: — Amor, não faça isso. Porque você mexe comigo e eu me pego sentindo tantas coisas agora. Não faz sentido nenhum, porque nada me faz mais feliz e nada me deixa mais triste. Por favor?! Ele não disse nada. Ficou tão mexido quanto ela. Apenas a pegou no colo e levou para o quarto. Arrumou-a na cama, sentou na beirada e ficou fazendo carinho em silêncio, pensativo. Sonolenta, ela disse: — Você já não sabe demais? Só vou te machucar se você me deixar fazer isso. Me chama só de amiga se quiser, mas me mantém por perto. Não me deixa, por favor?! To apaixonada por você. Ele disse que ia ficar ali até de manhã para não deixá-la sozinha. Falou para ela parar de brigar com o sono e descansar, porque precisava trabalhar no dia seguinte. Ela logo dormiu, e ele foi deitar no sofá, tão confuso quanto ela. No dia seguinte, ela levantou cedo, acordou sozinha passando m*l e correu para o banheiro para vomitar. Ele já estava acordado e foi até a porta do banheiro oferecer ajuda. Ela gritou para ele não entrar, pediu para se afastar. Ela vomitou duas vezes, demorou no banheiro, tomou banho e pediu para ele levar a toalha. Quando saiu, pálida e abatida, ele perguntou se ela estava melhor, se queria algo. Ela respondeu: — Não tem mais nada no meu estômago pra vomitar. Que horas são? Tô atrasada? Ele disse que estava dando 9h. Ela perguntou o que tinha acontecido na noite anterior, disse que não se lembrava de muita coisa. Ele respondeu: — Nada demais. Vim pra ver como você tava, te dei banho e te coloquei na cama. Você tava muito bêbada, achei melhor nem dormir na cama com você. Ela perguntou se tinham ficado. Ele disse que não aconteceu nada. Ela falou, decepcionada, enrolada na toalha, na sala: — Obrigada, então, por tudo. Preciso me arrumar. Você já vai embora? Ele respondeu que sim. Ela deu as chaves. Ele foi até o portão, voltou e falou: — Tchau. Ela respondeu tchau. Se arrumou e ficou esperando a Ivone. A Kaori disse que não se lembrava muito bem da noite anterior, mas em momento algum perguntou do celular e já levantou com medo de estar atrasada para o trabalho. Então, mentiu para ele, dizendo que havia esquecido tudo o que aconteceu na noite anterior. Talvez tenha se sentido envergonhada por ter se declarado daquela forma, quase implorando para ele ficar e chamando-o de amor. Antes de sair, a Bibi passou lá. A Kaori foi abrir o portão apreensiva. A Bibi falou: — Oi, só vim devolver seu celular. A Kaori pegou, viu que havia várias mensagens e ligações, perguntou o que ela tinha feito com o celular. A Bibi respondeu chateada: — Nada demais, só me passei por você um pouco. Tem algumas mensagens recebidas, não abri nada! Obrigada por confiar seu celular a mim. Acho que a gente precisa conversar, mas eu tenho que ir embora. Moro no AP de familiares do Diego e agora que terminamos preciso de outro lugar pra morar, porque voltar pra casa eu não volto. Desculpa por desconfiar de você daquela forma. Amigas? Elas se abraçaram. A Kaori disse que com certeza precisavam conversar, que sim, ainda eram amigas. A Bibi foi embora chorando. Logo a Ivone chegou para ir trabalhar com a Kaori. A Daia levou as duas de carro. No celular havia mensagens e ligações da Lisa, do Juliano, do Miyuki, do Thomás e uma do Rui, enviada na noite anterior, perguntando se ela estava bem. Ele tinha mandado antes de ir até lá. Ela respondeu a todos. A Lisa estava querendo voltar para casa por causa dela. A Kaori disse que ia ficar bem e pediu para a Lisa aproveitar e curtir ao máximo a viagem.
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