Capítulo 42
A Lisa jogou limpo. Disse que estava conhecendo o irmão da Ivone e gostando muito de tudo. Até comentou que sentia vergonha de estar falando aquelas coisas para a Kaori e pediu para ela não comentar com o Juliano. Ela disse que ia falar com gosto, mas só quando a Lisa voltasse, para o olho gordo dele não estragar nada da viagem.
Ela mandou várias fotos, deu instruções sobre o trabalho. Com a patroa grávida, a Lisa e a Kaori tinham que fazer mais coisas para ajudar. Tudo correu bem. Ela trabalhou até de noite, foi embora de Uber sozinha, a Ivone tinha saído mais cedo. Ela foi para casa, tomou banho e postou uma foto assistindo, esperando um sinal de vida do Rui, mas ele não mandou nada. Tudo entre eles continuou com um silêncio ensurdecedor.
Nas conversas com o Diego, a Bibi nem disse nada demais, só deu a******a e ele mesmo foi falando besteira, desfazendo dela, cantando a “Kaori”. Ele caiu muito fácil e a Bibi pôde ver que não tinha acontecido nada entre eles.
A Lisa chegou na quarta-feira de manhã. A Kaori já tinha ido trabalhar no mercado. Quando se encontraram no restaurante, a Lisa parecia renovada, mais alegre. Foi beijando e abraçando a Kaori, agradecendo por ela ter segurado as pontas no restaurante. Disse que tinha muito orgulho dela e que ia recompensá-la de alguma forma, começando por liberá-la do restaurante na quarta e na quinta-feira.
A Kaori disse que queria continuar trabalhando, porque no sábado ia precisar faltar para viajar com a Joyce. Elas iam fazer fotos em outra cidade, em uma fazenda de um familiar dela.
A semana passou rápido e sem muitas novidades. Na sexta-feira, a Kaori foi para a casa do Juliano à noite, já com a mala. Depois de sair do mercado, a Joyce pegou ela e foram para a fazenda só as duas, e a fotógrafa foi em outro carro. A Joyce já estava para ganhar o Felipe, super feliz, radiante com a chegada do primeiro filho.
A tarde foi incrível. A Kaori tirou várias fotos e postou. Se divertiram bastante durante o ensaio. No domingo, o Juliano ia para lá ficar com elas e fazer mais fotos, ele estava viajando a trabalho.
Não tinha ninguém lá, só as duas. Ficava a cerca de 40 minutos da cidade. Depois do ensaio, a fotógrafa foi embora. Elas foram nadar, estava calor, era fim de tarde. A Joyce estava com um pouco de dor, ficou deitada conversando enquanto a Kaori estava na piscina.
Já era de noite quando a Joyce foi ao banheiro e voltou desesperada, falando que a bolsa havia estourado. Disse que estava ignorando a dor, achando que era normal. Começou a chorar, com medo. A Kaori ficou super nervosa, saiu da piscina e elas foram se trocar. A Kaori ajudou a Joyce com o banho. Ela colocou um vestido tentando ligar para alguém, mas o sinal lá estava r**m. O Juliano não estava atendendo.
A Kaori foi colocando tudo no carro e perguntou se a Joyce conseguia dirigir. Em pânico, ela disse que não. Logo começou a sangrar e as contrações foram aumentando. A Kaori falou:
— Eu consigo. Ninguém vai chegar aqui rápido. A gente vai até o local mais próximo e seguro e pede ajuda.
Com mais medo ainda, a Joyce falou que não ia dar certo, que podia acontecer algo na estrada. A Kaori disse que conseguia, que era só irem devagar, com calma. Passou confiança para a Joyce e disse que não ia deixar acontecer nada com ela e o Felipe por causa de um medo bobo de dirigir.
Com medo de ganhar o bebê lá e passando muito m*l, com medo de morrer, a Joyce acabou aceitando a única opção disponível. A Kaori colocou ela no carro, prendeu o cinto e foi conversando, tentando memorizar o que devia fazer. Disse para a Joyce que já havia dirigido após o acidente algumas vezes. Era mentira.
Elas entraram no carro. A Joyce foi instruindo a Kaori, chorando bastante de dor, ajudando com a localização, sinalização e caminho. Antes de sair, ambas avisaram os familiares por mensagem que estavam indo para o hospital. A Joyce nem ficou com o celular na mão, precisava prestar atenção na estrada.
Elas conseguiram chegar bem ao hospital. A Kaori estacionou tremendo muito, começou a chorar, m*l conseguia descer do carro e tirar o cinto. A Joyce, um pouco mais calma que ela, falou:
— Kaori, fica calma, a gente já chegou. Vai dar tudo certo. Desce do carro e me ajuda a colocar essa toalha no banco. Anda, vai logo!
Elas tinham colocado uma toalha no banco do passageiro, que estava toda suja e muito molhada. A Joyce tirou o cinto, se contorcendo de dor, desceu do carro e acabou sujando também o banco do motorista com sangue e líquido amniótico, passando a toalha. A Kaori ficou sentada na guia, chorando, em choque, passando m*l. Chegou a vomitar.
A Joyce foi rápida e calculista. Falou se apoiando no carro:
— Kaori, preciso de ajuda. Só mais um pouco. Pega a minha bolsa e fecha o carro. Se alguém perguntar, eu dirigi até aqui. Tá ouvindo? Kaori? Se alguém perguntar, eu dirigi até aqui, entendeu?!
A Kaori balançou a cabeça que sim, fez o que a Joyce pediu e entraram na maternidade.
A Joyce disse que não existiam palavras para agradecer aquilo. Que sabia o quanto tinha sido difícil para a Kaori tomar aquela decisão de dirigir, mesmo com todos podendo descobrir que ela havia se lembrado daquilo. Falou que o segredo dela estava seguro.
A Kaori respondeu:
— É meu irmão, eu nunca ia me perdoar por deixar algo r**m acontecer com vocês dois se eu podia impedir.
O Juliano estava ligando. A Joyce atendeu enquanto era colocada em uma cadeira de rodas. A Kaori estava entregando os documentos dela na recepção. Logo a enfermeira voltou desesperada, dizendo que ia levá-la para ver o parto. Foi tudo muito rápido, o bebê já estava coroando.
Antes de qualquer pessoa chegar ao hospital, a Joyce deu à luz um menino lindo, com 51 centímetros e 3.256 gramas. A Kaori estava na sala, vendo o parto. As duas choraram muito de emoção. Tudo correu bem, apesar do susto.