Capítulo 25

1192 Words
Kaori falou que era diferente, que daquela vez estava apaixonada de verdade e que não ia abrir mão de Daniel por causa da outra. Bibi criticou muito aquilo, falou várias coisas, insistiu tanto que aquilo não ia dar certo, que as duas acabaram discutindo de verdade. Bibi disse que não queria mais saber nada sobre Daniel, que dali pra frente ia só observar de longe e esperar a resolução daquele caso, porque ela já sabia que aquilo uma hora ia explodir. Kaori respondeu que não ia falar mais nada sobre ele, que Bibi estava exagerando demais, porque ela não tinha culpa de estar amando e nem mandava no coração. Era o último dia do curso na auto escola e o pessoal já tinha combinado de sair depois para fazer uma confraternização, então Kaori foi mais arrumada, escolheu uma roupa melhor, se maquiou um pouco mais, mas ainda sem ter certeza se realmente iria com eles, porque no fundo o que ela queria mesmo era sair com o Daniel. Mais cedo mandou mensagem para a mãe perguntando se podia dormir lá no sábado, mas a mãe simplesmente dispensou, disse que não dava porque ia receber visita, e aquilo só piorou ainda mais a situação entre elas, que já não estava boa. No intervalo do curso, Daniel não mandou nenhuma mensagem. Kaori sempre evitava mandar primeiro, quase sempre só respondia, porque sabia que ele podia estar com Cíntia, mas ficou irritada porque ele pelo menos podia ter avisado que não ia aparecer. Acabou saindo com o pessoal e foram para uma pizzaria, ficou lá até bem tarde, conversando, sem muita vontade, e só foi beber mesmo na hora de ir embora, pegando duas cervejas e bebendo no caminho. Quando chegou em casa, ao invés de subir direto, sentou nas escadas do prédio com as cervejas na mão, louca para ver Thomás e descontar nele toda a raiva e frustração que estava sentindo de Daniel. Enquanto isso, abriu as redes sociais e viu Daniel postando foto com amigos e com a noiva, sorrindo como se nada estivesse acontecendo, e aquilo fez o sangue dela ferver ainda mais. Ficou ali por mais de meia hora, mesmo sabendo que provavelmente Thomás nem passaria por ali. Até que ouviu passos vindo de cima. Na mesma hora já soube que era ele. E era mesmo. Thomás estava fumando, todo arrumado, cheiroso, bonito demais, com aquele jeito despreocupado que só deixava ele ainda mais atraente. Kaori sorriu e falou: — Olha só que surpresa... tem que pagar pedágio pra passar por aqui. Ele parou, olhou pra ela, sorriu de canto e se aproximou. Kaori pediu ajuda pra levantar, e assim que ele puxou sua mão, ela aproveitou e o beijou. Não foi um beijo qualquer, foi intenso, demorado, com vontade, e a pegada dele era boa demais, o que só fez ela querer mais. Quando se afastaram, ele olhou pra ela e perguntou rindo: — Kaori, você já bebeu muito? Ela balançou a cabeça. — Não. Ele riu desacreditado, passando a mão no cabelo. — Kaori, você não pode ficar fazendo isso... me beijando assim do nada. Ela sorriu, encarando a boca dele e respondeu com malícia: — Tá bom... então vem e faz você. Ele ficou olhando de perto, claramente tentado, mas o celular tocou e ele olhou a tela. — Meu carro chegou... desculpa, eu preciso ir. Kaori sentiu a frustração subir e respondeu: — Eu sabia que você ia passar, estava te esperando até. Vai trabalhar agora? Vai demorar? Se meu pai não estiver em casa, a gente pode ficar lá... ou na sua. Ele se afastou dizendo que estava atrasado e que em outro momento conversariam melhor. Kaori ficou com raiva, porque quando estava daquele jeito ela se tornava perigosa até pra si mesma, perdia totalmente o juízo e só queria descontar em alguém. Foi pra casa dormir frustrada. O sábado foi corrido e chato. Bibi ainda estava de cara fechada, mas não estavam brigadas de verdade. Kaori contou que tinha beijado Thomás de novo e Bibi quase comemorou, falando que ela devia investir nele, porque pelo menos ele era solteiro. Para agradar a amiga, Kaori chamou ela para sair. Daniel não mandou nenhuma mensagem o dia inteiro. Quando Kaori saiu do trabalho, encontrou Rafaela no prédio e ela comentou que podia colocar Kaori e Bibi na lista da balada onde trabalhava. Bibi ficou animada na hora, porque fazia semanas que não saía pra curtir. As duas foram se arrumar juntas, escolheram roupa, maquiagem, fizeram cabelo, e Joyce até ajudou dando opinião. O pai de Kaori ficou observando tudo e acabou levando elas junto com Joyce até a balada. Antes de descer, ele fez Kaori prometer que iria embora de Uber e não aceitaria carona de ninguém que tivesse bebido, ainda deu dinheiro mesmo sem necessidade. Na balada, tudo começou dando certo. Rafaela colocou elas no VIP e ainda conseguiu pulseiras melhores. Como estava trabalhando, não conseguiu ficar muito tempo com elas, então Kaori e Bibi foram curtir. Kaori bebeu, dançou, se soltou, mas não ficou com ninguém, enquanto Bibi já tinha beijado dois caras. Já era bem tarde quando Kaori viu Thomás no balcão lá embaixo. Virou pra Bibi e falou: — Eu vou beijar ele, isso é bom demais pra ser verdade. O vizinho gato. As duas saíram do VIP e foram até lá, mas quando chegaram perto Kaori congelou. Rafaela se inclinou no balcão e beijou Thomás, na frente dela. Foi servindo bebida, sorrindo, muito íntima. Kaori ficou sem reação. Bibi arregalou os olhos e falou: — A gente tá alucinando, colocaram alguma droga na nossa bebida. Kaori respondeu amarga: — Eu prefiro acreditar nessa versão. Enquanto ainda tentava processar aquilo, Rafaela viu as duas e chamou sorrindo, completamente natural. — Amor, essa é a Kaori que eu te falei. Podemos ir embora juntos, ela mora no mesmo prédio que você. Naquele momento o chão sumiu debaixo dos pés de Kaori. Thomás ficou sério, cumprimentou elas. Rafaela se afastou deles. Bibi perguntou séria: — Então vocês estão juntos? Ele olhou para Kaori e respondeu: — Eu estava tentando te falar isso... a gente namora há anos. Eu não fazia ideia que vocês se conheciam. Aquilo nas escadas pode ficar só entre a gente? Kaori respondeu seca: — Você podia ter me falado da primeira vez ou ontem. Não vou falar nada, ela m*l me conhece e já vai me odiar. Chamou Bibi para ir embora, mas Rafaela insistiu tanto que acabaram ficando. Depois saíram para comer com alguns amigos deles. Um dos amigos era bonito e Bibi logo se aproximou dele. Como Bibi queria ficar mais com ele e ia dormir na casa de Kaori, acabaram indo todos pra casa de Thomas. Rafaela ficou na sala conversando com Kaori enquanto Bibi foi para o quarto com o cara. Thomás ficou quieto o tempo inteiro, claramente desconfortável. Quando Rafaela foi ao banheiro, ele aproveitou para falar: — Não precisa ficar assim comigo. Ela nunca vai saber se a gente não contar. Você não fez nada por m*l. Kaori respondeu sincera: — Eu tô me sentindo culpada. Ele disse que então era melhor ir embora.
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